​Está a consumir demasiado álcool no Isolamento? É@GORA essencial ler isso!

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A terapia é uma excelente maneira de cuidar de si mesmo durante esse período de incertezas

Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional
Por que o consumo de álcool na quarentena tem crescido?
Antes do isolamento social as pessoas seguiam as suas rotinas e comumente, aos finais de semana costumavam beber com os amigos numa mesa de bar. No entanto, com a quarentena, o cenário modificou-se!
Hoje, boa parte da população a trabalhar de casa e sem a possibilidade de sair com amigos e familiares, todos os dias são muito parecidos. Fica até difícil diferenciar os dias da semana, não é mesmo? A bebida surge como uma maneira de tentar abstrair os pensamentos e relaxar. Perante este novo contexto, por vários motivos muitas pessoas têm elevado o consumo de bebidas alcoólicas dentro de casa. Há quem enxergue no álcool uma forma de aliviar a tensão e o stress diante do cenário de ansiedade e pânico.

Observa-se também, uma nova prática, através de algumas aplicações como: Zoom, Houseparty ou WhatsApp, que são os “happy hours virtuais” as pessoas se encontram virtualmente para conversar e beber, ou seja, com o intuito de manter os encontros da mesa de bar, provavelmente já viu e riu dos vídeos e fotografias de pessoas a brindar consigo mesmas ao espelho, tudo parece muito engraçado, mas a mudança da rotina de trabalho e a falta de horários fixos podem ser “pontapés” para um “maior consumo de álcool”. É preciso ressaltar que a questão não é o consumo de álcool e sim torná-lo um hábito diário. É necessário cuidado com a bebida, quando consumida em excesso, corre-se um grande risco de impactar tanto a saúde mental quanto física.

O álcool tem sido utilizado como uma forma de lidar com a situação, “para muitos uma válvula de escape”, as pessoas estão se sentindo mais deprimidas e ansiosas. São infinitas as preocupações, medo do contágio pelo coronavírus de si próprio ou de algum ente querido; receios em relação à economia; angústias gerais no que diz respeito à vida de todos ao redor do mundo, em meio ao caos instalado, uma forma momentânea de relaxamento, “dissimulando as emoções”. Evidentemente, é sabido que a bebida alivia a curto prazo, mas, acarreta malefícios a médio e longo prazo, consequentemente um aumento da ansiedade, depressão e aumento de um conjunto de doenças físicas relacionadas ao seu consumo.

“O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante”, relata Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Toda esta mudança de rotina que todos foram obrigados, é um estimulador para o maior consumo de álcool, por várias razões, uma delas é porque não houve tempo de adaptação as mudanças, foi uma situação quase do dia para a noite, e esta circunstância traz reações humanas normais e mais intensas, como a ansiedade, medo e a dúvida do futuro. E o sentimento de angústia se torna mais presente e o álcool surge como “medicamento”, pois, quando recorremos à bebida alcoólica nessas condições mitigamos justamente todos esses sintomas e existe uma “falsa sensação de bem-estar”.
Relatórios já mostram um aumento nos sintomas de depressão e ansiedade em vários países. Estudo realizado na Etiópia em abril de 2020 relatou um aumento de três vezes na prevalência de sintomas de depressão em comparação com as estimativas antes da epidemia.

Alguns grupos específicos, como: os profissionais de saúde da linha de frente, confrontados com cargas de trabalho pesadas, decisões de vida ou morte e risco de infeção, são especialmente atingidos, correm um risco particular de sofrimento psicológico relacionado à COVID-19.

No decorrer da pandemia, na China, os profissionais de saúde relataram altas taxas de depressão (50%), ansiedade (45%) e insónia (34%). No Canadá, (47%) dos profissionais de saúde relataram a necessidade de suporte psicológico.
Crianças e adolescentes também estão em risco, com as medidas de confinamento este grupo têm um risco aumentado de testemunharem ou sofrerem violência e abuso. Outros grupos vulneráveis são os idosos e quem possui condições de saúde mental preexistentes.


Como fica o Alcoolismo?

Estatísticas do Canadá relatam que 20% das pessoas de 15 a 49 anos aumentaram seu consumo de álcool durante a pandemia.
O alcoolismo é uma doença crónica que é caracterizada pelo consumo incontrolável de álcool, ou seja, é uma dependência. No contexto atual, com tantas incertezas, as respostas para estas questões também são difíceis.
Segundo, a Sociedade Portuguesa de Alcoologia (SPA), “em geral, não é a exposição há um ou dois meses que determina alcoolismo. A dependência envolve outros fatores, mas pode abrir precedentes, dependendo da condição do indivíduo”.
Os especialistas não afirmam qual a quantidade de álcool diária para tornar a pessoa alcoólatra, pois existem muitas variáveis envolvidas. Cada indivíduo é único, porém, pessoas com histórico familiar ou transtornos de personalidade acabam sendo mais vulneráveis.

Existem alguns sinais para ficar atento:

Compulsão por bebida: aquela forte necessidade ou desejo incontrolável de beber;
Dificuldade de controlar o consumo de bebida:  depois que começa não consegue parar de beber;
Abstinência física: sintomas como náuseas, tremores, ansiedade, suor;
Tolerância: necessidade de doses maiores para atingir o efeito anteriormente obtido com doses menores.

Consequências do excesso do consumo de álcool

Além do grande impacto na saúde física com o excesso de álcool e consequentemente maus hábitos alimentares, ainda existe um grande comprometimento da saúde mental. Cabe ressaltar, as consequências destrutivas do excesso da bebida alcoólica no corpo. Quanto maior for a concentração de álcool no sangue, maiores podem ser as alterações da consciência e os sintomas de intoxicação pela bebida. Como consequências, podemos mencionar: humor instável; fala arrastada e enrolada; falta de discernimento; comportamento inadequado; problemas de memória e falta de coordenação.

O que fazer? Como lidar com o isolamento sem precisar apelar para o álcool?
É preciso encontrar o equilíbrio, quarentena não é férias. Algumas pessoas continuam a trabalhar. Para manter um dia a dia saudável é preciso criar uma rotina, pois dessa forma se evita os extremos.
Estabeleça um horário para dormir e acordar e evite trocar o dia pela noite. Ficar o dia todo na cama não é bom, assim como não ter tempo para descansar também faz mal para o corpo e a mente.

Procure manter seu corpo ativo, se exercite da forma que for possível, alongamentos, yoga ou até exercícios aeróbicos. A atividade física ajuda a diminuir os níveis de stress e ansiedade.
Importante estabelecer uma divisão de horários para compromissos profissionais e pessoais. Se está a trabalhar de casa, estruture uma rotina para isso, se precisar cuidar dos filhos ao mesmo tempo, se organize, para que uma obrigação não atrapalhe a outra. Busque um equilíbrio, procure se possível, dividir as grandes responsabilidades com quem mora ao seu lado.

Para relaxar, encontre um novo hobby, se já pratica alguma atividade prazerosa, está no caminho certo. Para as pessoas que ainda não possuem algum hobby definido, a hora pode ser essa para encontrá-lo. No tempo livre dedique-se as novas atividades, como: escrita, pintura, artesanato, cursos online, entre outros.
Se vive com familiares ou amigos, é o momento de aproveitar a quarentena para viver instantes que nem sempre acontecem quando em nossa rotina habitual. Que tal uma noite de jogos!

Estabeleça os dias da semana que serão liberados para o consumo de bebida alcoólica na quarentena. Em tempos antes da COVID-19, era muito comum deixar apenas os finais de semana para o consumo de álcool. Viver neste mesmo ritmo seria interessante!
A meditação é uma maneira simples de aliviar a ansiedade e o stress durante este período de isolamento, sem precisar recorrer para o álcool. Os proveitos da meditação acontecem de médio a longo prazo, sendo comum que alguns não levem a prática adiante, seja persistente, a meditação poderá ajudar por meio do foco no presente e das técnicas de respiração.
A oração é de grande valia!

Caso, depois de todas estas orientações, ainda apresentar dificuldades para diminuir o consumo de álcool, procure um psicólogo. A terapia é uma excelente maneira de cuidar de si mesmo durante esse período de incertezas. Um especialista será capaz de perceber seus gatilhos e te conduzir para o autoconhecimento que será positivo para entender e reduzir o consumo de álcool.
Por fim, importante encontrar um ponto de equilíbrio para que seu corpo e mente permaneçam saudáveis durante o isolamento. (X)

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