1º naufrágio no Mediterrâneo matou 18 migrantes a 1 de novembro de 1988, volvidos 33 anos 9.100 – OIM

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FOTO: Reuters

Manuel Matola

A agência da ONU para a Imigração, OIM, estima que mais de 9.100 mortes ocorreram na travessia do Mediterrâneo desde 01 de novembro de 1988, quando foi documentado o primeiro naufrágio relacionado com a migração irregular que vitimou 18 pessoas que tentavam chegar a Espanha.

A Organização Internacional das Migrações (OIM) publicou um relatório com testemunhos de famílias que enfrentam vários desafios na busca dos seus entes queridos e na forma como lidam com o impacto da perda de imigrantes desaparecidas no Mar Mediterrâneo.

“Em 1º de novembro de 1988, 18 pessoas morreram afogadas tentando chegar à Espanha. Os seus corpos foram encontrados deitados na areia da Playa de Lances, em Tarifa, Cádiz, perto do barco de madeira em que tinham saído na noite anterior de Tânger, no Marrocos. É o primeiro naufrágio documentado sobre a migração irregular para a Espanha. Desde aquela terça-feira, 1º de novembro, estima-se que mais de 9.100 pessoas perderam a vida em sua viagem a este país”, refere a OIM.

E, mesmo em contexto de mobilidade reduzida devido ao encerramento de fronteiras e restrições relacionadas com a pandemia de Covid-19, o Projeto Migrantes Desaparecidos daquela agência da ONU “documentou mortes e desaparecimento de 1.190 pessoas em rotas de migração irregular para a Espanha”, sendo que “o ano de 2020 foi marcado por um aumento dramático no número de pessoas que perderam a vida tentando chegar às Ilhas Canárias”.

No ano transato contabilizaram-se “850 mortes e desaparecidos” em comparação “com 210 mortes e desaparecidos registados em 2019”, destaca a OIM no relatório no qual apresenta relatos de familiares contactados para falar sobre o drama.

Segundo o documento, “a maioria dessas mortes ocorreu perto da costa da África continental, incluindo 433 ao largo da costa do Marrocos, 195 perto do Senegal e 166 na costa da Mauritânia”.

O afogamento dos imigrantes é a causa por trás de 91% das mortes documentadas pelo Projeto Migrantes Desaparecidos entre 2014 e 2020 em rotas de migração para a Espanha.

E nas situações em que se registaram afogamento, “apenas em 28%” dos casos se conseguiu recuperar os corpos, dado que “a maioria das pessoas que morrem nessas viagens desaparecem sem deixar vestígios e seus corpos não são recuperados”, refere a OIM.

Na primeira metade de 2021, o número de migrantes que morreram no mar enquanto tentavam chegar à Europa mais do que duplicou: foram 1.146 pessoas, segundo estatísticas divulgadas pela OIM.

No primeiro semestre de 2020, tinham morrido 513 pessoas, enquanto em 2019 registaram-se pelo menos 674 pessoas perderam a vida ao tentarem chegar à Europa por barco.

No novo relatório, a OIM exorta os Estados para que tomem medidas urgentes para impedir as fatalidades entre pessoas migrantes, até porque, por detrás dos números, há histórias de vida. (MM)

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