Entrevista: Rope Walkers, a banda indie-pop-rock que contornou a desconhecida fronteira da Covid-19

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O quinteto Rope Walkers

Manuel Matola

Aos 24 anos, Carolina Costa e o Rui Ferraz (46 anos), mentores da banda portuguesa Rope Walkers, vêem concretizar um sonho que resulta de anos de trabalho de composição de temas musicais, inicialmente em separado, que hoje dão corpo ao seu primeiro projeto que atravessa um caminho desconhecido (Unknown Path, título do álbum em inglês) entre as fronteiras do indie-pop-rock, num exercício de equilíbrio que os fez contornar a pandemia da Covid-19.

“Há sempre um toque da alma lusitana na sonoridade que nós transmitimos na música que fazemos”, diz Rui Ferraz, numa entrevista ao jornal É@GORA, em que as respostas são dadas de forma alternada pelos dois elementos da banda cujo álbum de estreia está oficialmente disponível desde o dia 01 de fevereiro.

Qual é a origem do nome Rope Walkers, ou seja, equilibrista em inglês?
Rui:O nome surgiu da seguinte forma: nós fizemos um percurso académico e profissional muito diferente da área da música e quando decidimos embarcar por esse projeto acabou por nos lançar numa viagem que de certa forma foi uma grande aventura. Foi nesse sentido que pensei que quando um equilibrista se coloca em cima de um cabo de aço, e decide andar de um lado para outro, é uma viagem com uma adrenalina enorme mas que também faz com nível de risco elevado. Foi essa, de certa forma, a analogia que surgiu na minha cabeça, daí ter surgido esse nome.

Por que o nome em inglês?
Rui: Porque nós compomos tanto inglês como em português e achamos que o nome em inglês poderia ter um alcance maior, até porque na verdade nós vivemos cada vez mais numa aldeia global. E o inglês é sem dúvida a língua mais transversal e com maior representatividade. Eu sugeri esse nome à Carolina. Foi engraçado, pois de imediato ela gostou, identificou-se com o mesmo e nem houve segunda escolha e nem perdemos grande tempo com isso. Foi ótimo.

Olhando para o período em que se está a lançar o álbum (01 de fevereiro), é vossa pretensão que este equilibrista crie algum exercício de equilíbrio para enfrentar a situação pandémica que hoje se vive
Carolina: Não de todo. Preferíamos lançar o álbum sem ter essa situação por trás. Poderíamos até dizer que poderia calhar bem, mas acho que não calha nada bem. Na prática, essa situação só veio atrapalhar e não é nada positiva, mas a verdade é que, se pensarmos um bocadinho também nas temáticas do álbum e aquilo que nós próprios queremos transmitir com o projeto, são várias as mensagens que nós queremos transmitir. O tema do álbum, como o Rui referia, é um bocadinho viver essa ambivalência muitas vezes entre o emocional e o racional, daí haver aqui esses dois mundos paralelos. Mas a mensagem que o álbum quer transmitir é muito essa. Podemos tentar conectá-la aos tempos que vivemos hoje em dia – viver assim quase que em duas realidades paralelas – e, se as pessoas o quiserem interpretar assim, acho que também é uma possível forma de o fazerem. Mas acho que não é bem sobre esse equilíbrio que nós queremos falar, é mais o equilíbrio de tomada de decisão, o do que está certo e errado, sobre aproveitar ou não a vida da melhor forma, ou, afinal, qual é a melhor forma de aproveitarmos a vida e sobre as decisões que nós tomamos e que acabam por estar sempre sobre o alvo e as questões e as pessoas que nos rodeiam, que são os nossos familiares e amigos. Acho que é um bocadinho mais essa ambivalência nesses pontos.

Essa ambivalência, Rui, passa também pelo próprio nome do álbum… que é?
Rui: É unknown path, que em português será caminho desconhecido. Falava há pouco da viagem que nos propusemos fazer, porque tanto eu como a Carolina tínhamos musicalmente bastantes ideias criativas e produtos para partilharmos com outras pessoas e, mais uma vez, foi um nome que surgiu e que foi logo do agrado dos dois. É um bocado essa viagem do próprio equilibrista de te propores fazer esta viagem que não sabes muito bem aonde é que ela te leva a nível de risco e de não te levar, se calhar, a fazer a viagem que se gostaria ou se ambiciona, mas acabas por fazer. Há aqui de certa forma uma analogia à vida de todos nós. É sempre um caminho desconhecido de quem está preparado e recetivo emocionalmente e consciente de que, se calhar, a mudança é a única certeza que tem porque no dia a dia, por muitos planos que faça, pode ser, é e está a ser constantemente surpreendido pela vida. Daí acharmos que esse nome se adequava ao início deste projeto.

E como é que pensam fazer chegar esse vosso projeto às pessoas numa altura destas?
Carolina: Eu acho que é sobretudo usarmos aqui o meio digital. Estando ou não nesta altura, hoje em dia, é uma mais-valia que nós temos em poder utilizar não só as redes sociais mas todos os canais que nos são disponíveis. Hoje em dia existem revistas e jornais que acabam por trabalhar apenas no âmbito digital. É um bocadinho o caso também do Jornal É@GORA. Então, a nossa ideia é “atacar” esse tipo de canais de comunicação, aliás, já estamos a trabalhar nisso. Isso é feito através de concertos. Numa fase inicial é fazermos uma tour nacional. Nesta fase, dado o momento em que nós estamos isso não é possível, pois vivemos um período em que podemos fazer muitos planos e estarmos preparados para os planos e às tantas serem interrompidos. Exemplo, no dia 31 de janeiro nós íamos ter um pré lançamento, ou seja, ia ser uma espécie de listening party , que na prática não aconteceu e tivemos que reajustar, daí o álbum ter saído dia 01 de fevereiro. Estamos a alinhar uma nova data para que ao invés de ser um pré lançamento ser um momento de partilha, de estarmos com as pessoas, um momento de tertúlia e de falarmos um bocadinho sobre o álbum. Queremos também fazer um concerto de apresentação, mas, lá está, dada as medidas não sabemos quando será. Queremos projetá-lo para o final de março e início de abril, mas são períodos muito inconstantes, por isso, para já, vamos focar-nos somente nos meios digital.

Essa vossa pretensão de fazer uma tour passa somente por Portugal ou, ao voltarmos à normalidade, passa por tocarem noutros espaços territoriais a nível mundial?
Carolina: O nosso objetivo é tocar onde nos quiserem ouvir. Portanto, neste aspeto não temos restrições. Aliás, temos tendência a sonhar em dar concertos lá fora, sem dúvida. Seria ótimo se conseguíssemos. Acho que isso é um sonho.
Rui: Seria um motivo de orgulho de realização sabermos que pessoas de outros países e de outras culturas viriam apreciar a música que fazemos, porque quer queiramos quer não somos portugueses e, como disse, compomos em inglês e português e com desejo de poder levar a palavra portuguesa também a outros países. Apesar de podermos encaixar que essa música é um bocado Indie ou pop, se calhar há um Indie português, um pop português, há sempre um toque da alma lusitana na sonoridade que nós transmitimos na música que fazemos.

Estamos a falar de um álbum com quantas faixas?
Rui: Tem nove músicas, mas já lançamos uns quatro single. Não fosse essa situação pandémica, o álbum já estaria cá fora há mais tempo. Inicialmente tínhamos previsto lançá-lo em junho de 2020. Aconteceu aquela situação (da primeira vaga da Covid-19) em março, na verdade, tínhamos para aí o álbum em 90 por cento, o que fez com que aqueles 10 por cento que faltavam tenham sido adiados. E tivemos que finalizar as coisas durante o verão. Depois achamos que lançar o álbum no final do ano se calhar não fazia muito sentido e planeamos lançar agora no início do ano 2021.

Os Rope Walkers tocam o estilo indie-pop-rock. Esta é uma forma de (re)equilibrar e demonstrar que o rock não morreu?
Rui: Acho que nós nunca fizemos por nos encaixarmos num determinado estilo. Na verdade, acho que quando a criatividade é genuína, natural e fluída, e quando tu inicias os projetos, os projetos são muito frescos – sem manipulações, sem ser estrategicamente comercial por detrás. O que aconteceu foi que quando nós os dois começamos a criar e depois de termos nove, dez músicas e quando começamos a fazer o nosso Instagram, Facebook e a programar concertos, em 2019, nós demos 30 concertos e, na verdade, tínhamos que fazer uma sinopse e chegamos determinado momento que tínhamos que de certa forma nos enquadrar num determinado estilo e aconteceu assim desta forma. Não há aqui nenhuma pretensão de fazer renascer o rock ou nos inserirmos obrigatoriamente no pop. Acho que o estilo que nós tocamos por uma música, ou por outra, se enquadra nesses três estilos distintos.

Como é que carateriza o estilo que vocês pretendem apostar: vai ser para sempre este ou em função das circunstâncias?
Carolina: Não tem muito a ver bem com as circunstâncias mas com o que o Rui falava: o processo criativo. Nós quando estamos a compor – tanto eu como o Rui, isso é sentido pelos dois -, não estamos propriamente a compor com a intenção de pensar que ´essa música tem que ser mais rock, outra mais pop`. Se calhar isso acontece – acredito que aconteça -, mas no nosso caso não fazemos e também não somos obrigados a fazê-lo, o que é ótimo, portanto, dá-nos a liberdade para a critividade. Eu pessoalmente, ao compor, tenho uma tendência mais natural de fazer as coisas. Acho que isso tem a ver com as influências que cada um de nós tem e as minhas influências são muito mais conectadas mais ao indie que é um estilo que, apesar de não ser novo, está muito na moda. Acho que tenho tendência a compor um bocadinho mais nessa direção. Eu por norma sou mais calma e, portanto, eu acho que vai continuar a haver uma fusão. Não só gosto de ouvir como gosto de tocar músicas com um tipo de ambiência mais cool, mais calma. A Dive é um ótimo exemplo do estilo. Aliás, é uma das minhas músicas preferidas. Acho que vamos continuar a estar nesse registo entre o indie, o pop e o rock. Acho que é aquilo que nos carateriza melhor.

Qual é a relação que se pode estabelecer entre essa vossa intenção de sair de um estilo musical para outro, para agradar os ouvintes, com a palavra mobilidade, que carateriza o jornal É@GORA, uma publicação virada para questões da imigração?
Carolina: Eu acho que é sempre bom a componente da versatilidade, sermos assim um bocadinho híbridos. Pode ser bom, pode ser mau. Mas o facto de nós termos músicas com várias sonoridades – isso também não é um arco-íris mas acho que conseguimos ter músicas um bocadinho diferentes – pode levar a que consigamos atingir maior público de faixas etárias diferentes e obviamente que estejam em localizações diferentes. Não sei se aquilo que se ouve em Portugal é diferente do que se ouve no Luxemburgo, ou noutros continentes, mas acho que poderá obviamente divergir. Mais uma vez, quando nós compomos não estamos propriamente a pensar (nas tendências do género): se neste momento se ouve mais isso então vamos projetar para aqui, ou neste local ouve-se mais não sei o quê então vamos projetar para ai. Acho que neste momento não temos essa intenção.

Pergunto o mesmo: há uma ligação entre a vossa versatilidade e a palavra mobilidade?
Rui: Acho que há fronteiras, efetivamente, entre o Indie, o pop e o rock, mas há pontos de fusão também. É quase como a nível político falares do PS e do PSD. Têm um cariz de origem de direita e esquerda, mas depois têm aí presentemente uma quota parte muito semelhante e comum aos dois. Espero que os nossos temas sejam do agrado de uma ampla gama de pessoas.

Apesar de serem uma banda relativamente nova têm noção de onde está a maior parte dos vossos fãs, quer em Portugal quer fora do país?
Rui: Neste momento ainda não temos assim uma grande noção. Isto é ainda muito recente. Acreditamos que com o trabalho que estamos a desenvolver com o lançamento do álbum iremos, certamente, e estamos a trabalhar para isso, chegar a muito mais pessoas. Eu estou plenamente convencido que a música que nós fazemos não é propriamente uma música de nicho. Diria até que é uma música bastante transversal ao “gosto comum”. Poranto, acho que nós temos música mais emocionalmente amadurecidas e poderão ser do gosto de pessoas numa faixa etária dos 30 aos 40 anos, mas também temos música bastante juvenil e acredito que também podemos conquistar a faixa dos 18 aos 20 anos. Não sei se é uma opinião parcial ou imparcial, mas eu por exemplo tenho três filhos e eles gostam das nossas músicas e eles têm 10, 12 e 14 anos. (risos)

No momento em que estão a lançar o álbum, o governo acaba de anunciar um fundo para a cultura e para as artes. Que leitura fazem deste fundo, deste momento e daquilo que é vossa intenção de ir para estrada quando temos esta questãos nos jornais nos dias de hoje?
Carolina: Sobre o fundo eu não tenho muita coisa a dizer, ainda não li nada e não gosto de falar sobre o que eu desconheço (risos). Nós os dois vamos estando a par sempre – temos conhecimento de algumas bolsas e fundos que existem – e temos concorrido sempre aos apoios que existem quer à cultura, aos espetáculos, quer para a produção de trabalhos. Nós ainda não ganhamos nenhum. Mas acho que os apoios que existem à cultura não são muitos. Se calhar não é um tema muito importante de se falar, mas acho que não existem muito apoios. Os que existem (aplica-se o ditado) ´a messe é grande (e os operários são poucos)`, como se costuma dizer. Há muitos músicos hoje em dia. Para além daqueles que costumam estar nos grandes tops, existem centenas de pessoas a fazer música em Portugal. Portanto, é natural que os fundos não cheguem para todos os músicos. Quando nós iniciamos este projeto foi com cunho muito grande, iniciamos de corpo e alma. Obviamente o nosso grande sonho era subsistir através da música. Pelo menos o meu é e acho que o do Rui também. O nosso grande sonho era viver bem, em pleno, ter comida e pagar as nossas contas só através da música. Infelizmente isso ainda não é possível neste momento. Quando iniciamos este processo sabíamos que iríamos ter que investir nós próprios neste projeto e na altura quando quisemos gravar o álbum fizemos um crowdfunding para ajudar a financiar os custos que são enormes. Nós temos tentado, até agora ainda não recebemos nenhum apoio mas não baixamos os braços.
Rui: Achamos que nesta componente cultural os restantes países da Europa estão muito mais evoluídos e maduros nesta área e também mais recetivos a novos projetos e a novas ideias, e creio que também a projetos vindos do exterior. Na verdade quando decidimos fazer o álbum até houve a dúvida se fazíamos um álbum híbrido, ou seja, com músicas em português e inglês. Após ponderação acabamos por decidir que, se calhar por uma questão de coerência, faria mais sentido produzir um álbum apenas num idioma. Portanto, vamos lançar agora este primeiro álbum em inglês. O segundo álbum será em português, mas queremos acreditar também que (um álbum em inglês) poderá ser uma porta de acesso ao exterior e possamos vir a ser ouvidos no exterior também.

Com isso, a ideia é, futuramente, manter uma base de colaboração com demais músicos a nível mundial, certo?
Rui: Se calhar, mas em Portugal talvez nem tanto (a busca de uma colaboração).

Para o estilo que vocês apostaram, seria este o melhor caminho para uma eventual colaboração com os músicos internacionais?
Carolina: Eu sou um bom exemplo. Eu adoro funk. É um estilo que está muito na berra. Há bocado o Rui colocava isso como questão mas eu coloco isso como certeza: eu nunca cantarei funk, porque eu não interpreto funk. Pode vir o melhor músico internacional de funk querer fazer uma parceria, e até sair um híbrido muito bom, mas eu não sou intérprete de funk. Mas eu adoro ouvir e dançar funk. Adoro. Portanto, eu percebo essa questão de hoje em dia nós irmos um bocadinho em função daquilo que está na moda – o que é mais feito, ou o que é mais ouvido -, mas, primeiro, eu acho que o nosso estilo continua a ser bastante ouvido e apreciado. Nós ainda não temos centenas de milhares de pessoas nos nossos concertos mas a verdade é que também ainda é um projeto bebé, precisa do seu tempo e de ganhar a sua maturidade. Eu acho que continua a existir centenas de milhares de pessoas a ouvir este estilo de música. Obviamente que existe outros estilos emergentes que as pessoas gostam de ouvir também. Mas acho que a postura não deve ser tentar ir ao encontro daquilo que está na moda. Acho que nós os dois não o fazemos -, obviamente, tentamos dentro do nosso estilo ter uma sonoridade que também agarre o público, por isso que decidimos procurar um incrível produtor, mas acho que essas parcerias com músicos internacionais será sempre um ótimo trunfo a nosso favor. Claro que se surgirem nós vamos aceitar, mas acredito que será dentro do nosso estilo. Nós não vamos de repente mudar de estilo.

Com esta pandemia, o que ficou para trás para além da data do lançamento do próprio álbum?
Rui: Acima de tudo ficou a possibilidade de nos apresentarmos ao vivo. Nós tivemos que cancelar alguns concertos, outros que estavam apalavrados também e que acabaram por ficar adiados. Nós sentimos bastante falta desse contacto físico e pessoal com as pessoas que nos vão ver, até porque vínhamos com um balanço de 2019 (ano em que a banda Rope Walkers fez 30 concertos).

E esta nova situação que estamos a viver, o que é que sai dela em termos de aprendizagem e para aquilo que pode ser futuramente a forma de dar a conhecer a música?
Carolina: Acho que muda talvez esta aposta nos canais digitais. A forma de fazer música acho que não muda muita coisa, mas, lá está, a forma de apresentarmos é bastante diferente e também a forma de trabalharmos. Ou seja, a nível de produção e gravação nós não evoluímos assim tanto no álbum, portanto, precisamos de fazer apresentação presencial, mas no que toca a utilizar novas ferramentas, quer de partilha daquilo que vamos compondo, acho que (a pandemia) nos ensinou muito a trabalhar de uma forma mais digital, isso sem dúvida. Se influenciou a questão musical, não sei. Acho que influenciou, sem dúvida, a nossa forma de ver a música. Nós nesse momento se dermos um concerto nem vamos acreditar. Acho que já passou tanto tempo e talvez nos vá fazer saborear ainda mais os momentos em que podemos estar com as pessoas, tocar para as pessoas.

A produção de música a partir de casa, como temos assistido algumas vezes quer pela televisão, ou nos vídeos que têm sido partilhados, não é essa nova forma de fazer música?
Carolina: Acho que é uma possível forma em que muitas pessoas, muitos músicos, artistas optaram por se calhar fazê-lo. No nosso caso, houve pequenas coisas que discutimos, mas eu não considero que tenhamos passado por essa experiência de o fazer na totalidade sob uma forma digital. Ou seja, haveria a possibilidade de gravarmos as nossas coisas em casa e de haver algum trabalho de produzir virtualmente, ou através dos meios digitais, acho que isso é super possível, mas nós não passamos por essa experiência.

Mas o digital é o futuro para a música, ou nem por isso?
Carolina: (Risos)Eu acho que não.

E o Rui o que acha?
Rui: Acho que o acústico será eternamente amado e praticado. Não é por acaso que a música clássica dura centenas de anos e, de facto, acaba por ser a sonoridade mais humana e não tão maquinal. O digital é muito maquinal, muito robótico. Tem inúmeras vantagens, sem dúvida, mas acho que vão coexistir bem as duas. Há uma tendência natural para a eletrónica, mas não acredito que vá de certa forma canibalizar as sonoridades, os instrumentos, ou a música que temos vindo a ouvir e que existe desde há séculos.


Os concertos presenciais vão ficar em segundo plano?

Carolina: Acho que não. Sem dúvida que no meio disto tudo podemos contar com concertos em casa, online, concertos via canais e plataformas, mas a verdade é que as pessoas estão sedentas de ir ao sítio, ir ao espaço, de ver e de ouvir ao vivo. Acho que obviamente isso são soluções, mas acho que, falando sobre a música, sem dúvida, essa questão de partilha e do marketing da música, o digital é incrível e fazendo um bom uso do digital hoje em dia as bandas e os artistas podem chegar cada vez mais longe e há muitos artistas que nascem e nasceram e continuam a nascer através do digital, dos vídeos que colocam no youtube, mas acho que a experiência de ouvir e fazer música – não só para quem ouve mas para quem faz, dar um concerto com pessoas a aplaudir – é uma experiência única e totalmente diferente do que dar um concerto através de um Instagram, ou outra plataforma digital. Portanto, falando só do âmbito da música, eu acredito que o digital vai e já ultrapassa muita coisa do nosso dia a dia, mas a forma de fazer música ao vivo vai continuar a ser sempre a preferida.
Rui: Até porque a magia que se cria e a química do momento é criado não só pela música que é passada e tocada pelos músicos, mas também por toda a energia que vem de volta das pessoas que estão a assistir e isso não é conseguido de uma forma digital.

Em termos de calendarização, o que se pode adiantar sobre o que vai ser a vossa vida a contar desde o dia 01 de fevereiro?
Rui: Iniciamos um trabalho de booking. Como a Carolina mencionou, temos previsto uma listening party sobre o lançamento do álbum e um concerto de lançamento do álbum também. Temos já confirmada a nossa presença no Festival Super Bock, Super Rock. Esperamos que esta situação de pandemia se resolva para que possamos voltar à normalidade e aos concertos ao vivo no segundo semestre deste ano.
Carolina: Sem dúvida a componente de continuar a compor. Não queremos parar. Temos muitas coisas, sobretudo, em português que é não só uma ambição nossa de ter um álbum totalmente em português, mas é também é um disco pedido por quem nos ouve. Se calhar, um dos passos seguintes será pensar no segundo trabalho, quem sabe somente em português, ou o híbrido, mas é continuar a compor, até porque já temos mais coisas e não queremos parar de gravar e compor.

Qual é o enquandramento que farão dos videoclipes que já tinham publicados no youtube antes do lançamento do álbum: irão fazer parte de algum projeto?
Rui:Vamos assumi-los como singles. Acabam por ser os primeiros rebentos deste projeto e, obviamente, na altura, nós começamos por dar concertos a título muito familiar e para amigos. De repente tínhamos pessoas a pedir-nos para gravarmos porque queriam ouvir mais quando lhes apetecesse, e um álbum não se grava assim de uma noite para o dia e o que nós decidimos fazer foi começar o “She’s Like Cocaine”, depois foi “Meu Amor”. Portanto, a ideia era começar a partilhar com as pessoas algumas das músicas enquanto íamos preparando e gravando o álbum. À partida vamos mantê-los como singles. Lançamos agora o álbum com esse alinhamento e já temos novo alinhamento para fazer outro álbum, inclusive músicas que temos tocado nos nossos concertos e que de certa forma ainda não estão publicadas.(MM)

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