A biodiversidade e a segurança alimentar global

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Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional
A “Biodiversidade” é essencial para proteção da “Segurança Alimentar Global”, a fim de sustentar dietas saudáveis e nutritivas, melhorar os meios de vida rurais e a resistência das pessoas e das comunidades. Esta precisa ser utilizada de maneira sustentável para se obter uma melhor resposta as crescentes adversidades das mudanças climáticas e desta forma produzir alimentos sem agressão ao nosso meio ambiente. A crescente perda da biodiversidade para alimentos e agricultura coloca a “Segurança Alimentar e a Nutrição em risco”, com menos biodiversidade significa que plantas e animais são mais vulneráveis ​​a pragas e a doenças. Com a dependência de cada vez menos espécies para se alimentar.

Segundo relatório realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), publicado em 2019, a expansão de atividades produtivas insustentáveis, como a agropecuária intensiva, é uma das causas do desaparecimento da biodiversidade no mundo, no que lhe concerne, correrá o risco do comprometimento da produção de alimentos e o próprio desempenho do setor agrícola futuramente.

A pesquisa é a primeira da agência da ONU que avalia de forma ampla a relação entre a variedade de organismos vivos no mundo e a produção de comida. Com esta análise, a agência das Nações Unidas – FAO – alerta para os perigos da não ou má conservação da biodiversidade para a alimentação e agricultura, incluindo todas as espécies que apoiam os sistemas alimentares (plantas e animais, silvestres e domesticados, que fornecem alimento, ração, combustível, fibra e também serviços ecossistêmicos para o ser humano).

No relatório com informações de vários países, é mostrado a utilização de um número restrito de espécies no cultivo e produção de alimentos, das milhares de plantas cultivadas para alimentação, um quantitativo reduzido contribuem significativamente para a produção global de alimentos. A produção mundial de gado é baseada em cerca de 40 espécies, com somente algumas delas fornecendo a maior parte da carne e leite consumidos pelas pessoas. “Das 7.745 raças de gado locais registadas globalmente, 26% estão em risco de extinção”.

O crescimento insustentável de práticas produtivas associadas a essas espécies reforça a submissão do ser humano de um conjunto restrito de plantas e animais para se alimentar, concomitantemente produz passivos ambientais suficientes tanto de esgotar os recursos naturais utilizados nessas cadeias de produção, como também de extinguir outras espécies.

Já em relação às espécies de alimentos silvestres, foi relatado à FAO uma queda veloz, principalmente, plantas, peixes e mamíferos. Entretanto, a diminuição certamente será ainda maior de alimentos silvestres, visto que, o estado de mais da metade destas espécies declarado é desconhecido.

Segundo informado pela maioria dos países, a privação da biodiversidade para alimentos e agricultura, está relacionada às alterações no uso e manejo da terra e da água, seguidas pela poluição, super-exploração, mudanças climáticas, crescimento populacional e urbanização.

Aproximadamente um terço das unidades populacionais de peixes do mundo estão super-exploradas, acima da metade já alcançaram o seu limite sustentável.

Em consideração ao declínio populacional de espécies de alimentos silvestres, isso poderia ter correlação a um maior número destas espécies sendo estudadas ou monitoradas, previne a (FAO).

No que diz respeito aos serviços ecossistêmicos e biodiversidade associados, também é analisada pela FAO, isto é, espécies de seres vivos que não chegam à mesa do consumidor, porém, oferecem serviços essenciais para a alimentação e a agricultura. Se tem como exemplo, os “polinizadores”, estes que fazem parte do equilíbrio ecológico por trás da reprodução de espécies vegetais (Abelhas, borboletas, morcegos e pássaros selvagens, dentre outros). Ainda engloba insetos, manguezais, corais, ervas marinhas, minhocas, fungos, bactérias e até vírus que mantêm os solos férteis, purificam a água e o ar, mantêm peixes e árvores saudáveis ​​e combatem pragas e doenças das colheitas e do gado.

Entre os 91 países analisados, 80% indicaram à FAO a utilização de um ou mais comportamentos que contribuem para a manutenção da riqueza natural de espécies, o que conclui-se numa vontade crescente nas práticas e abordagens favoráveis ​​à biodiversidade.

No meio dessas estratégias estão:
As práticas de agricultura orgânica;
Manejo integrado de pragas;
Agricultura de conservação;
Gestão sustentável do solo e da floresta;
Combinação da agricultura com a silvicultura;
Práticas de diversificação na aquicultura;
Restauração de pescas e ecossistemas.

A agência observa um aumento global de empenhos de conservação locais, como a instituição de áreas protegidas e políticas para a gestão de fazendas. Demais iniciativas elogiadas pela FAO, incluem a criação de bancos de genes, jardins zoológicos e botânicos.

Em Dezembro de 2019, também ocorreu a 25.ª Conferência das Partes (COP25) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, nesta conferência, afirmou o chefe da FAO, “É possível conciliar a segurança alimentar, a produção agrícola e a conservação florestal”.

“De acordo com a agência da ONU, a maioria dos países implementou estruturas legais, políticas e instituições para o uso sustentável e a conservação da biodiversidade, mas estas são, muitas vezes, inadequadas ou insuficientes. Na avaliação do organismo, é necessário melhorar a colaboração entre os políticos, as organizações de produtores, os consumidores, o setor privado e as organizações da sociedade civil nos setores da alimentação, da agricultura e do meio ambiente”.

A agência sugere maior ampliação no que tange ao conhecimento do ofício que a biodiversidade desempenha na produção de alimentos e na agricultura. Muitos hiatos de informações permanecem, principalmente, muitas das espécies da biodiversidade associada nunca foram identificadas e descritas, especialmente no caso dos invertebrados e microrganismos. Mais de 99% das bactérias e espécies protistas permanecem desconhecidas. No relatório da FAO também há um destaque para o dever que o público em geral pode desempenhar na diminuição das pressões sobre a biodiversidade. Os consumidores podem e devem optar por produtos cultivados de forma sustentável.

Data da última revisão: 03 de Junho de 2020
Fontes consultadas:
Website oficial da Organização das Nações Unidas (ONU): https://www.un.org/en/
Referências:
https://nacoesunidas.org/
https://news.un.org/pt/story/2019/02/1661141
http://www.fao.org/portugal/noticias/detail/pt/c/1256015/

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