A Educação Sexual e os pais: como e onde começar?

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Adelaide Miranda
(Life Coach de Alta Performance)
Os adultos de hoje são resultado de uma educação de “ontem”. Assim sendo, volto a tocar no tema da sexualidade, não por vontade, mas porque a situação assim obriga. A questão que coloco é: como podemos diminuir problemas como a violência sexual, a violência doméstica e a discriminação de género?

A resposta é obviamente a educação. As situações hediondas acima mencionadas estão obviamente relacionadas com a falta de educação sobre um tema que continua a ser tido como tabu. O que a maioria das pessoas não consegue entender é que não falar sobre educação sexual cria comportamentos incorretos a nível sexual. A educação sexual é a solução.

Em conversa com a sexóloga e especialista em inteligência emocional, Aline Castelo, cheguei à conclusão de que para tentarmos eliminar este problema na nossa sociedade atual temos de ensinar educação sexual não só aos filhos, mas primeiramente aos pais. Os pais de hoje têm o poder de criar uma geração sem tabus. Os pais de hoje têm o poder de fazer diferente dos pais de ontem. A educação é realmente a melhor ferramenta para combatermos problemas relacionados com a mentalidade coletiva.

A maior questão não é como ensinar educação sexual, embora seja deveras importante, mas, sim, alterar a mentalidade coletiva de que não se deve falar de sexo, de que sexo é mau, sexo é sujo… Por mais incrível que pareça continuamos com esta mentalidade. Então, pais de hoje, a minha questão para vocês é: como está a vossa mentalidade sexual? No que acreditam? Porquê? Foi algo que vos foi passado, ou que aprenderam nos livros, ou porque alguém vos disse? Como está a vossa saúde mental em relação à sexualidade?

Se a resposta for que a vossa mentalidade sexual está em défice, têm a obrigação de aumentar os níveis de consciência com base em dados científicos, com suporte através da ciência e deixando-se de crenças e mitos culturais. A ciência vai dizer-vos, com fatos comprovados, que a sexualidade é tão natural como a vontade de dormir, de comer, como a sede… Nós somos seres sexuais e não há nada de errado nisso.

O que está errado é não compreendermos o que isso significa. O que está errado é não percebermos que quando nos recusamos a falar sobre educação sexual suscitamos mais interesse e os nossos filhos vão encontrar a informação de forma “descontrolada” e, por vezes, nos locais mais inadequados ou por pessoas que não estão qualificadas a falar sobre o tema.

Fugirmos da educação sexual no seio familiar é como criar seres altamente sexuais e mandá-los para a selva sem qualquer tipo de preparação. Enviamos os nossos filhos para a escola para os preparar para a vida adulta, para que possam ter uma profissão e garantir a sua subsistência, mas não temos qualquer tipo de problemas em enviá-los para o mundo adulto sem qualquer preparação para a vida sexual que irão de certeza ter e que nós tanto desejamos. Sim, desejamos. Desejamos porque queremos netinhos, queremos a sobrevivência da nossa espécie, a perpetuação do nosso nome…

Então, pais de hoje, eduquem-se. Eduquem-se para que possam ensinar os adultos de amanhã a respeitarem-se uns aos outros independentemente das suas diferenças fisiológicas, ou de orientação a nível sexual. Eduquem-se para que possam ensinar os vossos filhos a aceitarem que o sexo não é tabu, mas sim algo natural e que deve ser descoberto no tempo certo e com a mentalidade correta.

Eduquem-se hoje para que possamos desfrutar de um amanhã com uma mentalidade sexual saudável e libertadora.

Eduquem-se hoje para que palavras como violação e expressões como “violência doméstica” passem a ser apenas manchas num dicionário antigo. (X)

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