“A Guiné-Bissau será aquele país estável e estruturado. Quem quer voltar à casa que volte” – Umaro Sissoco Embaló

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Umaro Sissoco Embaló e Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém. Foto retirada do Facebook de Umaro Sissoco ©

Manuel Matola


O Presidente eleito da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, considera que o novo ciclo político guineense abre a “opção” de regresso à comunidade residente na diáspora, a quem deu garantias de um futuro risonho no país sob sua presidência: “a Guiné-Bissau será aquele país estável e estruturado”.

“Quem quer voltar à casa que volte”, afirmou Umaro Sissoco, que este fim de semana esteve em Lisboa, onde anunciou que a Guiné-Bissau irá acolher a Cimeira da CPLP, em 2022, numa altura em que deverá estar em vigor o acordo de livre circulação no espaço lusófono.

“Estive a falar com o Presidente Marcelo (Rebelo de Sousa). Terei um grande prazer de organizar a Cimeira da CPLP em 2022 na Guiné-Bissau, isso para dar um forte sinal de que nós somos país de língua oficial portuguesa, independentemente da opinião que cada um pode ter de que eu sou mais francófono. Isso é mentira. Eu sou um homem lusófono”, disse o Presidente eleito da Guiné-Bissau.

Questionado pelos jornalistas sobre qual a promessa que faz à diáspora, que saiu do país por causa de conflitos cíclicos, e, hoje, cansada de viver no exterior, tem vontade de voltar para aplicar as potencialidades, Umaro Sissoco Embaló respondeu:

“Mas têm que regressar à casa. Nós estamos lá”.

À pergunta, o que promete como garantia, pois muitos queriam voltar e não voltaram, o vencedor da segunda volta das eleições guineenses afirmou: “Isso é opção deles. Os outros que lá estão, estão a viver. Estão em paz. Quem quer voltar à casa que volte. Não sei que tipo de garantias. Não estou lá para acolher quem regresse à sua casa ou para dar habitação ou dinheiro”, ironizou.

Mas face à insistência à pergunta se, enquanto chefe de Estado, será um fator de unidade nacional, Umaro Sissoco Embaló afirmou de forma categórica:

“Cada um que quer regressar à casa (que o faça), a Guiné Bissau não é minha propriedade. É para todos os guineenses. Agora uma coisa eu posso garantir: a Guiné-Bissau será aquele país estável, estruturado. Acabou aquela República em que as pessoas pensam e se levantam para falar da Guiné-Bissau, o que é lamentável. Nós os guineenses é que damos essa perceção. Há presidentes que são piores nos países deles, falam mal da Guiné-Bissau”, afirmou.

Por isso Umaro Sissoco Embaló considerou que “o Presidente Mário Vaz é pacífico até demais”. “Comigo mesmo (Donald) Trump não ia falar da Guiné-Bissau como quer. Não. Quando fala da Guiné-Bissau tem que falar com respeito, porque (os cidadãos guineenses) são pessoas de bem”, disse.

Embaraço diplomático

O Presidente eleito da Guiné-Bissau esteve este fim de semana em Portugal, onde manteve encontros privados com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro português, António Costa.

A visita de Umaro Sissoco criou um embaraço diplomático tanto em Portugal como na Guiné-Bissau. O Ministério do Negócios Estrangeiros guineense emitiu uma nota afirmando que desconhece a viagem de Umaro Sissoco Embaló a Portugal.

A instituição criticou a decisão do seu embaixador em Lisboa, Hélder Vaz, por este ter convocado a comunidade residente em Portugal a receber o Presidente eleito quando ainda decorre um recurso contencioso no Supremo Tribunal de Justiça por alegada fraude eleitoral.

A situação levou a que tanto o Primeiro-ministro quanto o Presidente de Portugal não prestassem declarações à imprensa, até porque, protocolarmente, nenhum Presidente eleito deve usar as instituições do Estado do país anfitrião para dar entrevistas.

Contudo, Umaro Sissoco desvalorizou as acusações.

“António Costa é um grande jurista, é um homem de Estado e muito estruturado. O Presidente Marcelo de Sousa é um Professor de Direito. Ele sabe que quem proclama os resultados é a CNE. Eles já proclamaram os resultados, há um Presidente eleito, pelo que receberam um Presidente eleito, não um presidente com contencioso no tribunal. Já estive com 15 chefes de Estado com quem me encontrei. Penso que essa é só uma questão de desinformação. Podiam até receber-me como um amigo, mas não: eles receberam um Presidente eleito da Guiné-Bissau”, disse.

Por isso, Embaló garantiu que assumirá o cargo de Presidente da República da Guiné-Bissau no próximo dia 19 de fevereiro, mas que antes iria “falar com o presidente da Assembleia Nacional Popular para marcar a data de tomada de posse, porque a Guiné-Bissau tem de sair do marasmo”.

Nessa terça-feira, o gabinete do presidente do parlamento, Cipriano Cassamá, anunciou em comunicado que só decide sobre a tomada de posse do futuro Presidente do país depois de resolvido o contencioso eleitoral.

“Existindo acórdão do Supremo Tribunal de Justiça e a respetiva aclaração sobre o contencioso eleitoral interposto por uma das candidaturas, cuja decisão declara inexistente a ata de apuramento nacional e ordena, em consequência, a realização ‘ab initio’ da operação de apuramento nacional, a Assembleia Nacional Popular considera não preenchidos os pressupostos essenciais para a prática dos atos subsequentes”, indica a nota. (MM)

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