A morte do agente Fábio Guerra e a necessidade de falarmos sobre a Polícia

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Manuel Matola

Aos 26 anos, o agente da PSP Fábio Guerra faleceu vítima de agressão. Portugal está em choque e a família da vítima devastada. O jornal É@GORA toma uma posição única: a de condenar veementemente a brutalidade contra um agente da autoridade, alertando, contudo, para o risco de uma eventual atitude mais ríspida e indiscriminada da parte dos colegas que têm toda a razão para estarem enfurecidos e devastados com a ação de um grupo de jovens que decidiu atuar à margem das normas de uma sociedade civilizada.

A polícia portuguesa tem sido muito dura com os imigrantes, segundo relatórios internacionais, mas nada deve justificar a agressão aos polícias. Absolutamente nada.

Goste-se ou não, numa sociedade civilizada há o dever cívico de se respeitar integralmente os polícias. Portugal é uma sociedade civilizada.

Tal como outros setores da sociedade há profissionais bons e maus. No entanto, não deve ser o cidadão comum a procurar prestar o papel de justiceiro.

O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o agente Fábio Guerra será recordado pela sua “abnegação, coragem e dedicação”.
Entendemos que a sociedade deve fazer mais do que isso, pelo que defendemos o seguinte:

A morte do jovem agente deve servir para uma reflexão profunda sobre o tipo de sociedade que se pretende criar e a forma como deve ser a relação entre a polícia e o cidadão. Antes, os perpetradores desta barbárie – por sinal Fuzileiros navais cujas mãos manchadas de sangue serão entregues à justiça – devem ser exemplarmente punidos. Sem quaisquer contemplações.

À polícia deve-se passar uma mensagem forte e determinada: primeiro, o compromisso coletivo de que a sociedade está ao seu lado e, segundo, que futuramente Portugal inteiro irá primar pela colaboração institucional com as forças da lei e ordem, mesmo havendo quem pretenda se fixar em apontar os defeitos e fazer críticas sobre a atuação de alguns membros da corporação.

A liberdade de expressão não é violenta nem assassina. É sobretudo o respeito pela atenção de quem nos presta serviço de vigilância dia e noite com ou sem excessos. Não é matando à paulada que a juventude irá contribuir para o fortalecimento da democracia. Pelo contrário: assassinar um polícia é desferir golpes à própria democracia. É criar crispação entre os que têm a missão de zelar pela atenção da coletividade e os residentes deste espaço territorial, incluindo os que advogam por seguir conduta marginais que podem ter uma e única consequência: uma reação violenta da própria polícia sobre os mais frágeis e desprotegidos, especialmente os imigrantes e os cidadãos racializados, tal como denunciam os vários organismos internacionais sobre a brutalidade policial. De alguns, evidentemente. O caso do agente não envolveu imigrantes. Transcendente. (MM)

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