Adriano Moreira e Ximenes Belo no Congresso de “Cidadania Lusófona”, que debaterá prioridades da CPLP na próxima década

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Uma dezena de organizações da sociedade civil do espaço lusófono vai discutir, este mês, quais as prioridades que os países da CPLP têm para a próxima década, durante o VI Congresso da Cidadania Lusófona que reunirá personalidades que têm vindo a debater o reforço dos laços de cooperação cultural, socioeconómico e político entre as nações de língua portuguesa.

Sob lema “Prioridades para a Lusofonia no início de uma nova década”, o VI Congresso da Cidadania Lusófona, que se realizará nos dias 26 e 27 de novembro, no Palácio Valenças, em Sintra, contará, entre outros, com a participação do conceituado Professor e advogado português Adriano Moreira, um dos mentores das teses do luso-tropicalismo e até agora um dos cinco membros do Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República.

Também fará parte do “Painel Personalidades Lusófonas”, o bispo católico timorense Ximenes Belo, Prémio Nobel da Paz de 1996, um galardão que recebeu em conjunto com José Ramos-Horta pelo papel que ambos tiveram “em prol de uma solução justa e pacífica para o conflito em Timor-Leste”, após anos de luta pela independência e resistência timorense contra a invasão dos indonésios, que começou em 7 de dezembro de 1975.

A mesa-redonda contará ainda com a presença de Duarte de Bragança- um dos vários pretendentes conhecidos ao título de Duque de Bragança – que há anos tem vindo publicamente a reivindicar a designação honorífica de Príncipe Real de Portugal e Rei de Portugal, enquanto primeiro filho do pretendente Duarte Nuno de Bragança e da princesa Maria Francisca de Orléans e Bragança.

Uma reclamação de direitos dinásticos que não tem sido atendida pelo Estado por, atualmente, não ter qualquer consagração jurídica, ou formal, no ordenamento jurídico português.

Os organizadores referem que a Conferência visa ajudar as associações da sociedade civil dos países lusófonos a debater o novo conceito da “cidadania lusófona”, por forma a que se encontrem estratégias que levem tanto os portugueses quanto os habitantes dos Estados membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) a assumirem-se “naturalmente como cidadãos lusófonos”.

“Seis anos após termos lançado este novo conceito da ´cidadania lusófona`, ainda há muita gente que o estranha. Assumimo-nos, naturalmente, como cidadãos portugueses, por um lado, e como cidadãos do mundo, por outro. Assumimo-nos ainda, com a mesma naturalidade, como cidadãos europeus. Mas ainda não nos assumimos tão naturalmente como cidadãos lusófonos”, refere o Presidente do Movimento Internacional Lusófono, Renato Epifânio.

Numa nota, a que o jornal É@GORA teve acesso, Renato Epifânio afirma, no entanto, que “mais do que um conceito, tratar-se-á de vivenciar uma experiência”, pelo que, durante dois dias, os participantes do congresso pretendem “ter a experiência bem concreta de uma mesma cidadania, mais de que isso, de uma mesma fraternidade”.

“No fundo, é isso que tem germinado nestes Congressos: uma fraternidade lusófona. Algo que, estamos certos, irá consolidar-se e frutificar num futuro próximo”, disse o responsável pelo Movimento Internacional Lusófono, uma das dez agremiações organizadoras do evento.

E como forma de difundir o conceito de uma cidadania lusófona, as associações decidiram estender uma das sessões do Congresso a um estabelecimento de ensino – o Liceu Pedro Nunes, um dos mais prestigiados da capital portuguesa, Lisboa.

“Queremos chegar a um público mais jovem”, até porque “estes Congressos, por procurarem desde logo defender e difundir o conceito de uma cidadania lusófona, têm uma dimensão fortemente pedagógica”, justifica. (MM)

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