Alimentos industrializados pode elevar o risco de depressão

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Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional
Pessoas que comem uma dieta repleta de alimentos processados e ricos em gordura como – biscoitos, salgadinhos, bolos e outros – podem se colocar em maior risco de depressão, de acordo com uma pesquisa da University College London (UCL).
A equipe de pesquisa, liderada pelo Dr. Tasnime Akbaraly (UCL Epidemiologia e Saúde Pública), também descobriu que comer uma dieta “integral” com bastante vegetais frescos, frutas e peixes pode ajudar a prevenir o aparecimento de sintomas depressivos na meia-idade.

Os pesquisadores da UCL estudaram 3.486 pessoas com idade média de 55 anos e que trabalhavam em departamentos do serviço público em Londres. Foram divididos em dois grupos, cada participante preencheu um questionário sobre seus hábitos alimentares e uma avaliação de autoavaliação para depressão.

Um grupo consumia alimentos integrais, frutas, legumes e peixe. Já o outro grupo consumia, em sua maioria, alimentos industrializados como sobremesas açucaradas, frituras, carnes industrializadas, cereais refinados e laticínios ricos em gordura.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas com maior ingestão de “alimentos integrais” eram menos propensas a relatar sintomas de depressão. Em contraste, o alto consumo de alimentos processados foi associado a maiores chances de depressão.

Essas associações entre dieta e aparecimento de sintomas depressivos permaneceram após os pesquisadores controlarem outros indicadores de um estilo de vida saudável, como não fumar, praticar atividade física e uma massa corporal saudável, fatores como sexo, idade, educação, doenças crônicas, foram levados em consideração.
Os autores disseram: “Nossos resultados sugerem que o consumo de frutas, vegetais e peixes pode oferecer proteção contra o aparecimento de sintomas depressivos, enquanto uma dieta rica em carnes processadas, chocolates, sobremesas adoçadas, alimentos fritos, cereais refinados e laticínios com alto teor de gordura proporcionaria
aumentar a vulnerabilidade das pessoas”.

Os pesquisadores apresentaram várias explicações para suas descobertas

Em primeiro lugar, o alto nível de antioxidantes em frutas e vegetais pode ter um efeito protetor, uma vez que estudos anteriores mostraram que níveis mais elevados de antioxidantes estão associados a menor risco de depressão. O folato, que é encontrado em grandes quantidades em vegetais como brócolos, repolho e espinafre, e leguminosas secas como lentilha e grão-de-bico, pode ter um efeito protetor semelhante.

Em segundo lugar, comer muito peixe pode proteger contra a depressão por causa de seus altos níveis de ácidos graxos polinsaturados de cadeia longa, que são um dos principais componentes das membranas neuronais do cérebro.

Em terceiro lugar, é possível que uma dieta de ‘alimentos integrais’ proteja contra a depressão devido ao efeito combinado de consumir nutrientes de muitos tipos diferentes de alimentos, em vez do efeito de um único nutriente.

Os especialistas concluíram que os pacientes que consumiam mais alimentos integrais apresentam 26% menos risco de desenvolverem a doença, enquanto o grupo consumidor de produtos industrializados apresentou um aumento de 58% desse risco.

“De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), transtornos mentais, como a depressão e ansiedade, atingem, respetivamente, 5,8% e 9,3%. Estima-se que no mundo mais de 300 milhões de pessoas de todos os gêneros e idades sofram de depressão. Atualmente, a depressão é a principal causa de incapacitação em todo o
mundo e, no pior dos casos, pode levar ao suicídio”.

Os pesquisadores concluíram que, existe um efeito deletério de uma dieta alimentar processada sobre a depressão e sugere que as políticas de alimentação saudável irão gerar benefícios adicionais para a saúde e o bem-estar, e que melhorar a dieta das pessoas deve ser considerado um alvo potencial para prevenir transtornos depressivos.

Alimentos que devem ser evitados

• Alimentos industrializados;
• Carboidratos refinados (como farinha de trigo, açúcar branco e arroz
branco);
• Bebidas alcoólicas;
• Café e alimentos que contêm cafeína (como chás verde, mate e preto,
energéticos, refrigerantes à base de cola, etc.);
• Gorduras saturadas (alimentos de origem animal como bacon, banha de
porco, alimentos industrializados como salgadinhos de pacote e bolacha
recheada);
• Embutidos (como salsicha, salames, linguiça, presunto, entre outros).
 Cabe reforçar a importância de uma alimentação saudável e equilibrada contendo todos os nutrientes necessários como ômega 3, vitamina E, B, ingestão de gorduras boas, antioxidantes, entre outros, pois, beneficiam a saúde cerebral podendo minimizar ou até mesmo prevenir a depressão. Com uma melhor qualidade de alimentos, o intestino apresenta melhor funcionamento e intestino saudável é garantia de melhora física e mental, ajudando a não ativar o gatilho da depressão.

Data da última revisão: 15 de abril de 2021
Fontes consultadas:

Website University College London (UCL)
https://www.ucl.ac.uk/news/2009/nov/ucl-research-dietary-patterns-linked-depression
Website Organização Mundial da Saúde (OMS)
Website Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
https://www.paho.org/pt/topicos/transtornos-mentais

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