Andre Leon Talley – Um Gigante da Moda

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O visionário e criativo do luxo e glamour Andre Leon Talley (1948-2022)

Claudina Correia
(Consultora de Imagem)
Nos últimos anos temos vindo a assistir partir algumas personalidades que marcaram o mundo da moda como Karl Langerfeld em Abril de 2019, Kenzo Takada em Outubro de 2020, Pierren Cardin em Dezembro de 2020, Alber Elbaz em Abril de 2021, Virgil Abloh em Novembro de 2021, entre outras.

Fato que a morte é a coisa mais certa que existe mas é sempre de lamentar quando se perde alguém seja ele próximo ou nem tanto. Da mesma forma que sentimos pela perda de todas as personalidades que se destacaram nas mais diversas áreas e que, de certa forma, fizeram alguma diferença nas nossas vidas, que nos inspiraram com seus percursos de vida.

Assim é o caso de Andre Leon Talley, um dos pioneiros no mundo fashion, que nos deixou esta terça-feira, dia 18, vítima de uma doença desconhecida, aos 73 anos.
Talley ocupou posições de destaque nas publicações de grandes revistas internacionais de moda, principalmente a Vogue americana onde foi o primeiro negro a ocupar o cargo de editor geral.

Nasceu a 16 de Outubro de 1948 em Washington D.C. e foi criado pela sua avó materna numa era de grande segregação racial. A sua paixão pela moda começou desde muito cedo, quando viu pela primeira vez a revista vogue numa biblioteca na sua cidade, tinha ele apenas 9 anos de idade.
Formou-se em Literatura Francesa na North Carolina Central University e o Mestrado em Letras Francesa pela Brown University e foi através das conexões criadas enquanto estudante que teve a oportunidade de estagiar com Diane Vreeland no Metropolitan Museum of Arts em 1974.

Não passou despercebido e logo começou a trabalhar na revista Factory, posteriormente na revista Woman’s Wear Daily onde acabou por se tornar chefe da sucursal de Paris, entre 1975 e 1980.

Trabalhou em várias outras publicações, entre elas a New York Times, até chegar finalmente a Vogue onde começou como editor de moda, depois director de notícias e depois o primeiro afro-americano como diretor criativo de 1988 a 1995. Aqui foi um grande incentivador para as grandes marcas contratarem mais modelos negra para os seus desfiles.
Após um período de afastamento, regressou a Vogue como editor geral de 1998 a 2013.

De entre alguns de seus livros publicados podemos destacar a sua autobiografia em 2003 A.L.T.: A Memoir; uma monografia de artes em 2004, A.L.T.: 365+, com fotos e legendas de 1 ano de vida de Talley e o mais recente em Maio de 2019 The Chiffon Trenches: A Memoir, onde fala de como começou, da sua experiência e o racismo no mundo da moda.

Foi conselheiro de algumas personalidades públicas, entre elas, Melania Trump para o seu casamento com Donald Trump em 2005 e de Michele Obama enquanto primeira dama em 2008. Foi também júri no American Next Top Model nas temporadas entre 2013 e 2014.

Em 2013 juntou-se a equipa como editor internacional da Numero Rússia mas após algumas publicações renunciou o cargo devido às leis anti-LGBT na Rússia.

Em 2007 ficou entre os “50 homens e mulheres gays mais poderosos da América” pela revista Out, mas nunca se assumiu como gay, disse uma vez numa entrevista: “sou fluido na minha sexualidade”. Recebeu também o prémio do governo francês Chevalier de L’Ordre des Arts e des Lettres em 2020, que é atribuído por quem contribui para o desenvolvimento das artes e letras na francesa.

Como referi no início, muitas personalidades e figuras públicas passam por esta vida como grandes inspirações, Andre Leon Talley era gay e negro e sabendo nós o quão restrito é o mundo da moda é fácil imaginar as batalhas que teve de enfrentar para se consagrar e com distinção. E foi nesse “mundo” que batalhou pela diversidade racial.

Tinha grande domínio da escrita e verbalizava também com mestria o que permitiu deixar sempre a sua marca por onde passou.
Um visionário principalmente para a sua própria vida, pois conseguiu viver a vida de luxo e glamour que sempre sonhou desde pequeno. Teve uma infância simples mas sabia que existia mais além daquilo, pelo qual lutou e conquistou.

Como ele disse para o jornal The Gardian: “Não venci por ser bonito, negro e magro. Venci porque conquistei meus diplomas e fiz o meu trabalho de casa.” E ainda em outra ocasião disse, com orgulho: “Sou descendente de escravos, que conseguiu sentar na primeira fila dos desfiles.”

Andre Leon Talley 1948-2022. (X)

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