Angola “deve instituir o poder autárquico? Sim, mas não a qualquer preço” – João Lourenço

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Presidente de Angola e líder do MPLA, João Lourenço. FOTO: LUSA ©

Manuel Matola

O Presidente angolano e líder do MPLA, João Lourenço, disse hoje que em Angola ainda não há condições para realizar eleições autárquicas, pelo que a instituição do poder autárquico não deve ser “a qualquer preço”, numa alusão à exigência feita pela diáspora angolana em vários países, incluindo Portgal.

No discurso de comemorações dos 64 anos do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), hoje em Luanda, João Lourenço acusou alguns partidos e forças da sociedade civil de se posicionarem como se “fossem as únicas interessadas” na realização de eleições autárquicas.

“Assistimos a um coro de lamentações e de manifestações pela não realização das (eleições autárquicas) no decorrer deste ano que agora termina, como se fosse suficiente reivindicar para que elas sejam realizadas, o que não é verdade e muito menos possível”, disse João Lourenço.

Só este ano, forças da sociedade civil, icluindo a diáspora angolana em sete países, saíram às ruas com o mesmo propósito: reivindicar, “sem rodeios”, a realização de eleições autárquicas em 2021 e exigir “o fim do elevado custo de vida” no país que vive uma crise económica e financeiras sem precedentes, agravada pela pandemia da Covid-19.

No dia 24 de outubro, mais de uma centena de ativistas e jornalistas de órgãos nacionais e estrangeiros foram violentados e detidos numa manifestação anterior em Luanda, capital de Angola, país onde tem decorrido protestos em 15 das 18 províncias.

Hoje, o líder do MPLA, partido no poder em Angola, reagiu a essas exigências.

“Mas nós somos um Estado Democrático de Direito, que deve assentar toda sua ação na base da lei. O país deve instituir o poder autárquico? Sim, mas não a qualquer preço, de forma ilegal e atabalhoada, porque se o fizéssemos e o MPLA vencesse a esmagadora maioria das câmaras, temos a certeza de que seriam essas mesmas forças que de forma irresponsável dizem poder se organizar já essas eleições, que invocariam ter havido fraude, só porque não as ganharam”, explicou João Lourenço, assinalando que este não é ainda o tempo para eleições autárquicas em Angola.

Representatividade feminina e juvenil

Lourenço recordou que o MPLA, através do seu Grupo Parlamentar, “muito tem contribuído com a aprovação das leis que fazem parte do chamado Pacote Legislativo Autárquico”, mas disse que ainda não há condições para realizar eleições autárquicas em Angola.

Assinalando que 2021 será o ano da realização do próximo Congresso do MPLA, João Lourenço propõe-se realizar uma “renovação superior” dos diferentes órgãos do partido, preparando assim o seu candidato para as eleições gerais de 2022.

“Na composição dos nossos órgãos de Direcção, para além de prestarmos sempre particular atenção à representatividade feminina e juvenil, precisamos de atrair franjas da sociedade e grupos representativos de cidadãos que, de forma mais abrangente, reflitam melhor o mosaico étnico-cultural, empresarial e académico-científico nacional”, prometeu o líder do partido. (MM e Lusa)

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