Angolanos retidos em Portugal pedem facilidades na transferência imediata de divisas

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FOTO: Can Stock Photo ©

Manuel Matola

Os mais de 700 angolanos retidos no território português desde o encerramento de fronteiras devido à Covid-19 propuseram à embaixada a abertura de uma linha verde a nível do sistema bancário para permitir a transferência imediata de divisas para Portugal.

A proposta foi apresentada num encontro que os representantes da comunidade angolana tiveram com a direção da Missão diplomática de Angola em Lisboa, chefiada pelo embaixador Carlos Fonseca.

Os representantes do grupo composto por mais de 700 angolanos, incluindo crianças, que lutam pelo regresso urgente ao país sugeriram ainda o repatriamento “para qualquer parte de Angola”, onde dizem estar dispostos cumprir a quarentena.

Os imigrantes justificaram a proposta apresentada com o facto de estarem “fartos das dificuldades que passam neste país da diáspora”.

Por isso é que “estão dispostos a fazer a quarentena em qualquer ponto de Angola, desde que sejam criadas condições para tal”, disse a jornalista angolana Elisa Coelho.

Num texto publicado no jornal É@GORA no início da semana, Elisa Coelho que integra o grupo de angolanos à espera de repatriamento alertou para “o desconforto gritante” dos imigrantes de Angola “retidos em Portugal por conta da pandemia de Covid-19”.

“Vamos ficando cada vez mais desesperados por não termos ainda a data oficial para o regresso ao país. O desconforto é gritante. Há compatriotas nossos cujos recursos para subsistir a esta realidade esgotaram-se faz tempo”, escreveu num relato que fez na primeira pessoa para o jornal É@GORA.

Embaixador Carlos Fonseca e grupo de angolanos que se reuniram na embaixada de Angola em Lisboa
E no encontro de mais de uma hora realizado esta quarta-feira, em que a parte visitante falou dos problemas que mais os afligem, a jornalista Elisa Coelho, convidada a integrar o grupo recebido pelo embaixador Carlos Fonseca, sugeriu que “as autoridades angolanas utilizassem as outras províncias do país para o acolhimento dos cidadãos, a repatriar, dado o seu número elevado que preenchem e tendo em conta o reduzido espaço que Luanda tem para a quarentena”, resumiu a escriba ao jornal É@GORA. 

O grupo, disse, levantou várias questões. Por exemplo: quis saber a data de regresso para o país de origem, “visto estarem há mais de cem dias em condições de desespero e que muitos destes cidadãos de forma humilhante estão a ser despejados dos locais de alojamento”. 

Levantou-se igualmente a questão de haver pessoas chegadas à Lisboa pela Companhia TAAG e outras pela TAP, pelo que “a parte visitante quis saber como será o enquadramento desses passageiros no voo de repatriamento”, referiu a jornalista. 

Segundo Elisa Coelho, na reunião com a embaixada “discutiu-se também o facto de haver voos humanitários a transportar passageiros de forma reduzida, de Lisboa para Luanda e vice-versa, como diplomatas e pessoal das petrolíferas”, e deixar em terra outros angolanos que pretendem regressar. 

“A prestação de mau serviço por parte da TAAG para com os clientes que tentaram obter alguma informação não passou despercebida na mesa de conversação”, assegurou. 

FOTO: TAAG ©
Dado este e outros constrangimentos causados por aquela operadora aérea, solicitou-se um trabalho conjunto entre a TAAG e o Consulado na altura do regaste dos angolanos para o seu país de origem “para se evitarem mais tristezas”. 

“Outra inquietação apontada no encontro foi o comportamento pouco abonatório de alguns funcionários no consulado angolano em Lisboa”, contou a jornalista num relato por escrito. 

“Os representantes da comissão de passageiros que aguardam pelo repatriamento à Angola, liderada pelo jornalista Sérgio Rodrigues, não levou apenas preocupações, como também apresentou propostas ao governo angolano, como por exemplo, a de criar uma linha verde a nível do sistema bancário, que durante o tempo que durasse a resolução desta triste situação, os cidadãos retidos em terras portuguesas, vissem facilitadas a chegada de divisas para a sua sustentabilidade”, resumiu. 

De acordo com a jornalista, a representação diplomática “tomou atenção às preocupações apresentadas e prometeu levar as propostas apresentadas ao governo e persuadir a comissão Multissectorial de combate à Covid-19 para que num curto espaço de tempo se encontrem saídas para a questão do repatriamento dos compatriotas”. 

“Nota de realce foi o pedido de desculpas do Cônsul geral da embaixada, Narciso do Espírito Santo, pela forma indelicada que algumas vezes o pessoal da sua instituição tratou quem para lá se dirigiu”, sublinhou.

O cônsul pediu também que “os nossos angolanos em Portugal em situação difícil se dirijam ao consulado onde poderão encontrar algum alento”, acrescentou Elisa Coelho.

O encontro desta quarta-feira serviu para desconstruir ainda informações que vão surgindo de várias fontes e que colocam em desespero os peregrinos em Portugal, cujo maior desejo de momento é ouvir das autoridades centrais o anúncio do dia do regresso à pátria. (MM)

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