As propostas deixadas pelos três candidatos presidenciais à diáspora guineense em Portugal

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O candidato à presidência guineense José Mário Vaz apelou os imigrantes a regressarem “sem medo” à Guiné-Bissau, onde, entretanto, Umaro Sissoco Embaló diz os quer ver a contribuir para “a refundação” do Estado, mas Domingos Simões Pereira lembrou que a diáspora é a “grande reserva política, intelectual e económica” daquele país lusófono.

Os três concorrentes ao cargo de Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, Domingos Simões Pereira e Umaro Sissoco Embaló estiveram este domingo, em Lisboa, numa inédita ação de campanha de apresentação de propostas eleitorais à comunidade guineense residente em Portugal.

Dirigindo-se todos em crioulo, cada um assegurou ao seu eleitorado que a diáspora tem um papel decisivo nas próximas eleições e no contributo para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira estiveram em reuniões separadas no mesmo local – Universidade de Lisboa -, enquanto Umaro Sissoco Embaló esteve reunido com seus militantes e simpatizantes na Amadora.

Falando na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, José Mário Vaz prometeu à comunidade guineense que vive em Portugal que, caso continue à frente dos destinos do país, irá primar pela manutenção da “paz, tranquilidade, estabilidade e liberdade”.

O atual Presidente, que concorre para a sua reeleição, falou da situação socioeconómico e política da Guiné-Bissau, destacando o tráfico de droga como o maior desafio político dos últimos tempos.

O combate ao tráfico de droga na Guiné-Bissau “foi um combate sério” […], mas sobretudo, a forma como o dinheiro público não vai para os cofres do Estado é que é o maior problema e o maior combate político na Guiné-Bissau”, afirmou José Mário Vaz.

No entanto, o candidato do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Umaro Sissoco Embaló, considerou, numa ação de campanha na Amadora, que “o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) sabe mais é de onde veio aquela droga”.

“Eles é que trouxeram aquela droga que foi apanhada pelas polícias internacionais em colaboração com a nossa Polícia Judiciária”, disse Umaro Sissoco Embaló, falando numa sala com a capacidade para albergar “600 pessoas sentadas”, mas que estava lotada.

Perante os seus apoiantes, Umaro Sissoco Embaló afirmou que se for eleito Presidente, “todos os guineenses na diáspora terão o orgulho de serem cidadãos daquele país”.

E, em declarações ao jornal É@GORA, já no final do encontro, Embaló disse que “a diáspora tem que participar na reconstrução da Guiné Bissau, mas para isso acontecer o Presidente tem que encorajar a diáspora” nesse sentido.

“São os nossos parceiros de desenvolvimento, são guineenses, pessoas que podem contribuir no desenvolvimento da Guiné-Bissau. E eu, enquanto Presidente da República, farei de tudo para dar essa vantagem a diáspora”, garantiu Embaló.

Na ação de “caça ao voto” junto da comunidade guineense na capital portuguesa, Domingos Simões Pereira, assinalou, por seu turno, a importância da diáspora e recordou que esta “tem um voto qualitativo” que pode ajudar a decidir nos resultados das eleições presidenciais de 24 de novembro.

“A diáspora guineense é uma grande reserva, uma reserva política, intelectual e económica, e, portanto, este é o sentimento da maioria da população guineense”, afirmou Domingos Simões Pereira.

As próximas eleições presidenciais na Guiné-Bissau vão abrir um novo ciclo político depois de, nos últimos cinco anos, se ter assistido a difícil coabitação entre o atual Presidente guineense e os sucessivos primeiros-ministros que se viram impedidos de exercer plenamente o cargo.

Apesar de ter vencido as legislativas de março deste ano, Domingos Simões Pereira nunca tomou posse por decisão do chefe de Estado, que entrou entrar em rota de colisão com Umaro Sissoco Embaló, que após dois anos no cargo de chefia de governo pediu demissão.

Pelo menos 19 candidatos estão inscritos para eleições presidenciais guineenses, mas o Supremo Tribunal ainda deve validar as candidaturas de cinco concorrentes: Domingos Simões Pereira, Umaro Sissoco Embaló, José Mário Vaz, além do ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior (ambos como independentes), e o candidato apoiado pelo Partido da Renovação Social, Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau. (MM)

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