Associação Unidos de Cabo Verde: o regresso às aulas num Jardim Infantil atento a eventual 2ª vaga da Covid-19

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Manuel Matola

Três semanas após o arranque das aulas, o Jardim Infantil da Associação Unidos de Cabo Verde (AUCV) procura reergue-se, sobretudo, com a ajuda do setor privado para conseguir cumprir o calendário de um ano letivo que mal começou naquele estabelecimento de ensino localizado no Casal da Mira, na Amadora, Concelho que alberga grande parte da comunidade imigrante.

E porque o novo ano escolar vai ser mais longo do que habitual, há um enorme receio de um eventual colapso da instituição para um provável segundo confinamento, especialmente quando um pouco por toda a Europa existe a convicção de que “a verdadeira pandemia chega agora”, segundo disse há dias o virologista Christian Drosten, cientista de referência e assessor do Governo alemão.

Em Portugal, os números de casos tendem a subir um pouco por todo o país. Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), Portugal somou hoje mais oito mortos relacionados com a Covid-19 e 825 novos casos de infeção com o novo coronavírus.

Desde o início da pandemia, as autoridades sanitárias registaram 1.971 mortes e 75.542 casos de infeção, estando esta quarta-feira ativos 25.041 casos, mais 480 do que na última terça-feira.

“Nem quero pensar num segundo confinamento, nós não conseguimos resistir a um segundo confinamento”, diz Maria João Marques, presidente da Associação Unidos de Cabo Verde, que no início da crise pandémica revelou ao jornal É@GORA ter sido confrontada com um dilema: como manter as crianças na escola com pais em situação precária.

Jardim Infantil da Associação Unidos de Cabo Verde ©️
Para não perder as 75 crianças que frequenta(va)m o Jardim de Infância, aquele estabelecimento de ensino optou por anular o valor das mensalidades, que “representa 50 por cento das receitas” da Associação.

A decisão surgiu do facto de os associados, na sua maior afrodescendentes com filhos a estudarem naquele estabelecimento de ensino, terem sido os primeiros a enfrentar enormes carências sociais e económicas por estarem em empregos vinculados à restauração, um dos setores onde os empregos caíram a pique após encerramento das atividades que levou a entidades empregadoras a recorrerem ao lay-off.

Com a medida adotada, a AUCV tornou-se pioneira entre as dezenas de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) existentes no Concelho de Amadora a aliviar as despesas das famílias daqueles alunos.

Após o setor da restauração encerrar as portas dado o impacto que a crise da Covid-19 teve desde a primeira hora da eclosão da pandemia, algumas famílias monoparentais dos bairros sociais Casal da Boba e Casal da Mira, na Amadora, optaram por retirar os filhos daquele ensino pré-escolar, que acolhe crianças dos três aos cinco anos.

Mas “já voltamos a ter as 75 crianças”, garante a presidente da Associação Unido Cabo Verde em entrevista ao jornal É@GORA, explicando a estratégia usada.

“Tivemos que ter em atenção as comparticipações, uma vez que temos muitas famílias em que houve uma redução drástica nos rendimentos. Temos também muitas famílias que nos procuram para inscrever crianças com menos de três anos, umas porque não encontram vagas e outras porque como os seus rendimentos desceram não conseguem pagar uma creche”, afirmou.

Estratégia

Questionada se há algum plano para reforçar a estratégia de angariação de mais alunos para a escola, a responsável responde negativamente: “Não. O nosso único plano é sermos melhores que os outros e oferecer mais atividades”.

Quando em março Portugal decretou o estado de emergência, a escola não só anulou propinas de todos os alunos do seu Jardim de Infância, como também introduziu três inovações adaptadas para contingência da Covid-19: o estabelecimento passou a usar o WhatsApp para partilhar conteúdos educativos com os pais, passou a produzir máscaras sociais para distribuição gratuita e preparou uma ementa adaptada à fase pós-Covid.

Agora, Maria João Marques assegura que “a Associação tem um plano de contingência definido e já bem incorporado por todos: o uso da máscara nos espaços comuns pelos adultos, as entradas e saídas desencontradas, o uso do gel desinfetante regularmente; os país e encarregados de educação não podem entrar no Jardim, faz parte do nosso plano, com o objetivo de minorar o contágio, caso haja, como já houve algum incidente (em tempos). No entanto, estamos a tentar proceder o mais normalmente possível por forma a gradualmente retomar à normalidade”.

E se há alguma trabalho que esteja a ser consertado com a Segurança Social para minorar o impacto dessa redução de fundos da instituição, a dirigente da IPSS refere que “não”.

“Até a presente data não sentimos nenhum conforto, nem por parte da Segurança social, nem da autarquia. O apoio que temos tido é de privados que felizmente nos têm apoiado muito”, afirma.

Na sua rede social, a Câmara da Amadora diz que, entre junho e setembro, “os elementos das equipas constituídas por profissionais da saúde, segurança social, proteção civil/municípios e forças de segurança, já visitaram 1.843 pessoas” na autarquia, um número muito abaixo do que a Câmara de Lisboa alcançou no mesmo período de tempo, segundo a comparação feita pela próprio Município da Amadora.

“As equipas multidisciplinares criadas no âmbito do combate à COVID19 na Área Metropolitana de Lisboa contactaram, entre 30 de junho e 18 de setembro, um total de 12.837 pessoas”.

Estas equipas vão ao terreno sensibilizar a população para as medidas de prevenção da doença, bem como verificar e encontrar soluções para quem necessita de apoio alimentar e realojamento, o que tem tido um impacto positivo no combate à doença, refere a Câmara Municipal da Amadora.

“Além de contactar pessoas que possam necessitar de ajuda complementar para cumprir o confinamento/isolamento profilático – e assim ajudar a quebrar as cadeias de transmissão da COVID – estas equipas também têm visitado estabelecimentos comerciais e realizado ações de sensibilização à população”, assegura.(MM) 

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