Batalha vencida: Brasileiros ‘acampados’ no aeroporto de Lisboa conseguem o repatriamento

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Elisabeth Almeida

O grupo de brasileiro ‘acampados’ no aeroporto de Lisboa recebeu garantias de que vai ser repatriado hoje, dia 30, às 14:00, num dos seis voos fretados pelo governo do Brasil, disse André Soncin em áudio enviado à equipe do Jornal É@GORA no qual se ouvem vários gritos entre lágrimas: “Conseguimos! Conseguimos! Nós conseguimos!”.

“Bom gente, desculpa esse tempo todo (sem se comunicar), o clima aqui foi tenso, foi horrível, mas a polícia esteve aqui e eles disseram que nós vamos embora amanhã. Todos nós que ficamos aqui na luta, vamos embora amanhã, nós conseguimos! A gente conseguiu! Graças a Deus e a vocês! Conseguimos! Conseguimos! Nós conseguimos!” repete efusivamente André Soncin pela Batalha vencida.

Contudo, apenas as pessoas que estavam ‘acampadas’ no aeroporto de Lisboa desde o último sábado, dia 25 de abril, terão poltronas confirmadas no voo de repatriamento amanhã, dia 30, às 14h, um dos seis fretados pelo governo do Brasil para auxiliar turistas e residentes que ficaram retidos em Portugal por conta da pandemia do novo coronavírus.

O grupo de brasileiros que ficou do lado de fora do aeroporto Humberto Delgado começou com aproximadamente 20 pessoas e hoje já passam de 70 em busca do repatriamento, o que preocupa não só as autoridades, mas também os que foram contemplados com o retorno à América do Sul.

“Eles (do Consulado do Brasil) disseram que selecionaram por prioridades, sendo que idosos e pessoas com crianças já estão com o nome confirmado na lista de amanhã, mas que o voo já não tinha mais vagas e o restante vai continuar em Portugal”, contou Rilane Oliveira, advogada e coordenadora de um grupo de auxílio a brasileiros que residem no país.

“Infelizmente é isso, eles receberam um e-mail dizendo que eles não foram selecionados e que devem deixar o aeroporto e buscar ajuda no 144, que é um serviço do governo português”, explicou Rilane.

Segundo nota, divulgada pelas redes sociais, o Consulado do Brasil diz ter cumprido a missão que lhe foi dada.
“O Consulado-Geral em Lisboa, em coordenação com a Embaixada do Brasil e com os Consulados-Gerais sediados no Porto e Faro, de fato contratou, até o momento, seis voos de repatriamento em benefício de nacionais brasileiros. Cinco desses voos já chegaram a seu destino, e um sexto será operado nos próximos dias. No total, já foram beneficiados com a medida 1.494 nacionais brasileiros, e há a perspectiva de que mais de 300 embarquem no próximo voo. Até aqui, todos os voos partiram lotados”, afirma o comunicado.

“O critério adotado, à luz das circunstâncias que tornaram a medida necessária, foi o de contemplar nesses voos sobretudo aqueles viajantes que se viram retidos em território português devido ao cancelamento de voos comerciais, no contexto da epidemia da COVID-19. O embarque de passageiros de perfil diverso — notadamente aqueles residentes em território português, que não tinham chegado a adquirir bilhetes para regressar ao Brasil — somente se fez em atenção a circunstancias humanitárias excepcionais, sem jamais descaracterizar o propósito dos voos, que era justamente o de repatriar viajantes retidos em Portugal por cancelamentos de voos comerciais”, explica.

Por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus e a crise financeira em Portugal, muitos imigrantes se viram sem dinheiro para pagar a renda e comprar itens básicos, como comida e produtos de higiene pessoal.
Uma grande parcela deixa o Brasil com a esperança de uma vida melhor e com mais oportunidades na Europa, porém vão sem planejamento e, principalmente, uma quantia de reserva para o caso de emergência.

“É uma situação muito complicada, pois vemos muitas pessoas vindo para Portugal sem o mínimo de preparação, embarcando no Brasil com o pensamento do género ‘lá eu arrumo um emprego’ ou ‘lá eu vejo como eu faço para viver, o importante é estar lá e depois eu me viro’ e depois chegam aqui e passam por esta situação. É uma situação muito triste, mas é ainda mais triste saber que poderia ser evitada. Claro que nem todos que estão esperando o repatriamento vieram nestes moldes, mas é a grande maioria e que toda esta luta sirva também de exemplo para quem venha a imigrar: Esteja preparado! Se já é difícil viver no nosso país, junto com a família e tudo mais, imagina onde não conhecemos ninguém”, disse Maria Luiza Silva, que vive em Lisboa há cinco anos, ao ler a reportagem do Jornal É@GORA.

Segundo André Soncin e Rilane Oliveira, os imigrantes que não tiveram o voo confirmado ainda terão muitos obstáculos pela frente, mas eles não estarão sozinhos.
“Na medida do possível, nós vamos orientando as pessoas que ainda estão chegando aqui no aeroporto de Lisboa e que não serão repatriados amanhã, mas saibam que a luta de vocês também será nossa, mesmo do outro lado do Atlântico”, disse André emocionado.

“Ainda não existe previsão para um novo voo, mas vamos continuar firmes em busca da vitória de todos! Em breve todos estaremos em casa”, concluiu.

Ainda em seu pronunciamento pelas redes sociais, a Embaixada brasileira explica como os imigrantes devem agir no processo de repatriamento.

“Com vista a apoiar os nacionais brasileiros que não se enquadrassem nos critérios de repatriamento, mas que ainda assim se viram em situação de dificuldades econômicas, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa providenciou, com verbas próprias ou mediante a cooperação de entidades beneficentes (notadamente igrejas próximas à comunidade), alojamento, alimentação e medicamentos para os casos mais urgentes”, pelo que “o Consulado agradece profundamente a cooperação que tem recebido dessas entidades”.

Apoio esse que, de acordo com o mesmo comunicado, permitiu que na noite do passado dia 26 de abril, o Consulado-Geral em Lisboa obtivesse “instalações adequadas” para alojar os brasileiros que se encontravam à espera dos voos no aeroporto.

No entanto, “notificado disso, parte substancial daquele grupo optou por não deixar as instalações do aeroporto, com o argumento descabido de que a sua presença ´pressionaria` o Consulado-Geral a contratar voos adicionais para quem não seguiu as instruções prévias, nem se enquadrava no universo dos indivíduos passíveis de repatriamento”, lê-se na nota, a que o jornal É@GORA teve acesso.

Por isso, “à luz de tudo o que precede, e da ampla publicidade que pautou toda a atuação do Consulado-Geral em Lisboa ao longo de todo esse processo, o Consulado torna a salientar que nenhuma pessoa física ou jurídica está habilitada a produzir cadastros paralelos de possíveis beneficiários de voos de repatriamento, e que qualquer iniciativa nesse sentido será ineficaz”.
Como toda guerra, este foi apenas o primeiro combate, já que o número de pessoas pedindo retorno ao Brasil aumenta a cada dia. (EA)

1 COMENTÁRIO

  1. Torcemos para que a situação ocorra da melhor forma possível e que todos tenham seus direitos respeitados e consigam estar bem e protegidos.

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