Bigg Lexus: “Se a tua música for boa, as pessoas vão estar lá para te ouvir”

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Músico e Modelo Bigg Lexus

Rodrigo Lourenço

Ainda com Lisboa a fazer a transição do verão para o outono, o Jardim do Torel foi o palco escolhido para Bigg Lexus fazer uma retrospetiva da carreira, recordando as influências musicais em criança. Com vista para o rio Tejo, o jovem artista – e também modelo – abordou o lançamento do single “Não Tou Nem Aí”, deixou garantias quanto a futuros trabalhos e expressou o sentimento pela arte que faz: “Se a tua música for boa, as pessoas vão estar lá para te ouvir.”

Como é que o Ivan Milton Gomes Varela se transforma no Bigg Lexus?

[Risos] Quando fiz o nome Bigg Lexus eu fiz com a entoação de sotaque americano. Eu escrevo muitas músicas em inglês. [Antes] o Ivan que escrevia música, [mas isso] foi há muito tempo. Acho que a primeira vez que eu mostrei uma letra à minha mãe eu tinha 11/12 anos e aquilo estava horrível [risos]. E era rock. Eu gosto de ouvir um rock suave, mais contemporâneo. Eu mostrei à minha mãe e também estava a minha irmã na mesa, e só gozou comigo. Na altura quase que chorei [risos]. Estava a ganhar coragem para mostrar e estava a gozar comigo… A minha mãe disse “está bonito” [risos]. Com 11/12 anos foi quando eu mostrei, ou seja, já escrevia antes. Não mostrava às pessoas porque não me sentia à vontade. Até houve uma altura em que parei de escrever. À medida que fui crescendo voltei a escrever porque não me abria muito às pessoas. Não contava o que se passava comigo. Quando me sentia mal ou assim não me manifestava.

Então ia para a escrita?

Sim, era logo aquele escape. E o piano também. Porque a minha mãe meteu-me no piano. Lá está, a minha mãe é sempre uma influência. Eu queria ir para a bateria quando era pequeno, mas a minha mãe pôs-me no piano [risos]. Eu queria tocar bateria e tinha de ir para a aula de piano, e a bateria estava ali ao meu lado. Mas a minha mãe sabia o que estava a fazer ao pôr- me no piano. Desde pequeno que me expressava no piano. Quando me chateava, às vezes, eu ia tocar piano em vez de fazer birras. Ao início não gostava nada de piano e estava sempre chateado. Depois quando passei a gostar e a conhecer o piano e as melodias, amei aquilo. E então nunca mais larguei. Mas já não tenho aulas há vários anos.

Mas é algo presente?

É a base. De vez em quando vou lá e brinco, mas já não tenho aquela prática. Já não sou tão bom, mas é sempre a minha base. Portanto o Ivan que faz música já vem de há muito tempo só que nunca saiu da casca. E o Bigg Lexus surgiu porque eu amo os carros da Lexus e quando eu escrevi as letras em inglês era como se encarasse um outro personagem. Eu sei falar português e inglês perfeitamente, e francês também. Eu tenho facilidade em disfarçar o sotaque, digamos assim. Não tenho é vocabulário, mas consigo fazer com o sotaque do francês. Quando estou a falar francês encaro um personagem, digamos assim.

Ou seja, cada língua é um novo ser?

Exatamente. As bases são sempre as mesmas. Quando eu escrevia as letras em inglês, sempre quis ter um Lexus, então referia isso nas letras. Imaginava-me num país onde se fala inglês com o meu Lexus. Depois fazia muitas rimas com palavra Lexus, e também gosto da palavra em si também.

E a parte do Bigg?

É imaginar-me. Eu sempre fiz isso. Imaginar-me como é que eu vou ser daqui a 10 anos. Que pessoa quero ser? OK, vou-me começar a comportar como essa pessoa agora.

Ia criando as bases para isso?

Sim, sempre, sempre! Eu imaginava-me um homem grande. Não grande de altura, mas de presença. Que tivesse atingido objetivos grandes. Então surgiu dai, acabou por calhar. Eu era para ser só Lexus, mas faltava ali qualquer coisa. A partir do momento em que tu te afirmas com esse nome já não há ‘não gosto’ ou ‘gosto’.

A paixão pela música vem de muito cedo. Estamos a falar, mais ou menos, de que idade?

Eu não tenho noção de quando é que eu comecei a tocar piano. Eu diria 7/8 anos, quando me comecei a manifestar musicalmente. Eu era muito curioso com música, então sempre despertou o muito. Só quando comecei a tocar piano é que posso dizer ‘ok, interesso-me mesmo por música’. Piano é demais, é um instrumento de outro mundo.

Durante quanto tempo foram as aulas piano?

Devo ter tido uns 5/6 anos de aulas de piano com professores. Mas depois tocava em casa. Naquela altura também não eram muitas as pessoas do meu meio que sabiam tocar piano. Antes recebia pessoas em casa e pediam para tocar piano, e essas coisas puxam o bichinho. Ajuda-te a gostar mais, tens o reconhecimento das pessoas. E isso ajuda-te a gostar mais daquilo que fazes.

A sua mãe já tinha essa ideia de lhe pôr no piano?

Eu acho que sim. Eu era um miúdo muito irrequieto. Eu fiz artes marciais desde os 4 anos. Meteu-me no taekwondo, todo aquele lado de autodefesa. Nós somos animais e todo aquele lado agressivo contrabalançou mais com as artes marciais, para ser sincero. Controlar a respiração e coisas assim. Mas eu posso dizer que passei a amar o piano, porque as artes marciais fazem parte de mim desde que me lembro.

Foi aprendendo a gostar do piano ou gostou logo?

Isso não, porque fui obrigado. Queria era a bateria [risos]. No início era chato, mas assim que aprendia a tocar 1/2 músicas mais complicadas comecei a amar aquilo. Depois dar pequenos concerto. O público bater palmas. Começas a gostar.

No início disse que tinha escrito uma música que era mais rock. Mas também gosta de jazz?
Amo. Amo o género.

Foi com o piano que surgiu a paixão pelo jazz?

Acho que não. Eu sou muito curioso, então fui mesmo à procura e fui descobrindo músicas. Eu ouço mesmo tudo [risos]. Eu conheci o jazz no Youtube, a pesquisar artistas. Foi uma paixão que descobri sozinho. A paixão pelo jazz surgiu quando já era adolescente, tinha uns 15/16 anos. Só que era daquelas coisas que não expunha muito. A minha mãe sabia, mas não passava dali porque na escola não é fixe dizeres que gostas de jazz. Mas o jazz é a minha paixão. Jazz e reggae. Jazz em primeiro lugar [risos]. Nenhum ganha ao jazz, é impossível. E jazz sem voz, só com instrumental e melodias… Sem voz, ninguém a interromper os instrumentos [risos].

Em termos de estilos, começa a escrever música relacionada com rock, depois surgiu o piano e o jazz. No entanto, nas suas músicas tem influências de afrobeats, r&b e hip hop. Porquê esta volta musical?

Uma vez fui a um evento com a minha mãe. E nesse evento até pensei: ‘Vou fazer jazz’. Nessa gala estava lá muita gente e foi lá tocar uma banda de jazz e foi lindo. E a minha mãe disse: “Se fizesses jazz era aqui que tu estavas’. Tenho 22 anos, e que eu saiba, são poucas as pessoas da minha idade que ouvem jazz e que têm interesse. Eu vou acabar por fazer jazz, mas por enquanto só ouço. Se eu quiser elevar isto para um outro nível tem de haver uma preparação. Amo muito o jazz e às vezes a minha mãe faz-me essa pressão. A minha mãe e os meus tios [risos]. Mas ainda não. Para fazer um bom jazz ainda tenho muito de aprender [risos]. Já vou compondo, mas depois ouço os clássicos e ainda há mais 40 anos de vida.

O que é que lhe fez optar pelo estilo do afrobeat?

Há um estilo de música que é o afro house, que eu até dançava quando era mais novo. Só que quando comecei a escrever comecei pelo r&b. Quando escrevia as minhas músicas era para dizer algo que tinha por dizer. Agora já passei essa fase do r&b. Antes sentava-me e escrevia r&b, mas como tinha as raízes africanas faltava ali qualquer coisa. Então juntei o r&b com um toque africano.

Depois de dois anos de amadurecimento, lançou “Não Tou Nem Aí”. Qual é o feedback que tem recebido?

Tenho gostado muito. O feedback está a ser bom porque, em relação à música, não recebi nenhuma crítica má. Em relação ao vídeo tenho recebido críticas construtivas, o que eu adoro. Adoro quando alguém me consegue ensinar algo novo. Quando é uma crítica construtiva eu gosto. Mas à música em si estou a gostar muito do feedback. Não tem milhares de visualizações. A música tem 2 mil visualizações, se estiver numa sala com 2 mil pessoas é muito bom. Se a tua música for boa, as pessoas vão estar lá para te ouvir.

Qual é a mensagem que quer passar com esta música?

A mensagem principal é ser leve. O ser leve é as atitudes dos outros vão com os outros. Se a pessoa é má comigo não é por causa de mim, é por causa dela. Eu quero ser leve. O meu público- alvo com esta música é o meu meio. Estou a falar para as pessoas que me conhecem, as pessoas que lidam comigo ou que já lidaram. A mensagem é ser leve.

O videoclipe é dividido em duas narrativas: uma em que está rodeado de amigos e outra em que aparece junto a uma cascata a toca tambor. O que quer transmitir com essas duas realidades?

São dois Ivan’s diferentes. Um está na cascata a tocar tambor, sozinho e ligado à natureza. Simples. O momento na casa é outra personagem. Estavamos a conviver, a beber álcool e a rir. Isso sou eu num outro ambiente. O meu eu está na cascata, simples, semi-nu, a tocar tambor e a ouvir a música da água a cair. Tentei jogar por aí.
Esses dois anos de aprimoramento musical, e indo de encontro ao que disse das críticas também que recebes da primeira música para esta, sente que esse aprimoramento musical fez diferença?
Bastante! Sim, completamente. Noto uma diferença gigante. Sinto-me muito melhor. Já não gosto de ouvir a primeira música com regularidade.

Sente-se mais músico?

Sim! Mais puro, mais, leve, livre, maduro. Eu gosto muito do termo leve. Antigamente não era assim. Tentava, mas ainda não tinha desbloqueado aquelas partes de saber como deixar-me levar por um instrumental. Hoje em dia, e às vezes, é manter a coisa o mais simples possível. Agora em quinze minutos vou-te dar uma letra. Vou-me deixar levar, e o que sair vai. Tornei-me é isso: mais músico, é um bom termo. Quando estamos em estúdio temos no plano 3 músicas. Fazemos as 3. Depois o produtor tem um beat, sento-me a ouvir e passada meia hora, no máximo, tenho outra música. É automático [risos]. Senti mesmo que me aprimorei no que toca. Investi tempo nisso. E não era fácil porque tinha toda a gente a perguntar quando é que ia lançar uma nova música. E esse tempo todo estava a estudar e a crescer. Em outubro vou lançar mais um tema e o objetivo é manter a regularidade dos lançamentos. Eu tenho objetivos grandes e às vezes as pessoas perguntam se não sonho de mais. Eu não acho porque acredito que vou concretizar tudo. Tenho objetivos muito altos, mas acho que são alcançáveis.

Depois de “Não Tou Nem Aí” o que se segue?

Para já segue-se um toque africano com o afrobeat, e depois um ep. Vai ter 6 músicas, mas não são todas afrobeat mas a grande maioria sim. “Não Tou Nem Aí” vai estar no ep. A música que vem a seguir vai ser a música que anuncia o ep. Assim que sair o videoclipe dessa música, o ep fica disponível nas plataformas digitais. (RL)

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