Busca de dinheiro desviado por “marimbondos” ainda não deu “resultados substanciais” – ONG

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Manuel Matola

A Diretora Executiva da ONG Transparência e Integridade (TI), que é a representante portuguesa da Transparency International, Karina Carvalho, considera que o processo de recuperação do dinheiro desviado por “marimbondos” e investido na Europa ainda não deu “resultados substanciais” e lembrou que com isso “quem sofre é o povo angolano”.

Falando num encontro virtual que reuniu ativistas anticorrupção, para assinalar a passagem de um ano sobre o `Luanda Leaks`, caso revelado pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, Karina Carvalho afirmou que pouco foi feito para recuperar e devolver ativos a Angola.

“Estes processos de recuperação de ativos são muito longos e apesar de não terem dado ainda resultados substanciais na Europa, são processos com uma tal complexidade jurídica que podem ser prolongados `ad-nauseum` e com isso quem sofre é o povo angolano que continua sem poder beneficiar do dinheiro que lhe foi roubado”, referiu.

Karina Carvalho é imigrante angolana que recentemente foi eleita para o Membership Accreditation Committee, um órgão consultivo da Transparency International, a mais prestigiante organização de combate à corrupção a nível mundial.

Na reunião, os ativistas foram unânimes em afirmar que um ano depois das revelações dos mais de 700 ficheiros do caso `Luanda Leaks`, pouco foi feito para recuperar e devolver a Angola os ativos alegadamente desviados por Isabel dos Santos.

Em 19 de janeiro de 2020 foram divulgados mais de 715 mil ficheiros, sob o nome de `Luanda Leaks`, que detalham alegados esquemas financeiros da empresária Isabel dos Santos e do marido, entretanto falecido, que lhes terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano através de paraísos fiscais.

“Conseguiu-se congelar alguns ativos em Angola e em Portugal, mas o mapeamento de todos os ativos não está feito e a única coisa que aconteceu foi ter ficado impedida de beneficiar de ações e investimentos, mas não teve de devolver dinheiro algum”, disse a diretora da organização Transparência e Integridade Portugal.

Já a tivista anticorrupção angolana Laura Macedo disse que o caso `Luanda Leaks` “mostrou as fragilidades do Governo [de Angola], mas também a facilidade com que a Europa se deixa promiscuir”, mas fez pouco pelo combate à corrupção no país.

“A luta contra a corrupção não existe. O que nos apresentam é tão falso e de má qualidade que não podemos considerar luta contra a corrupção”, afirmou.

Segundo Laura Macedo, na sequência das revelações do `Luanda Leaks`, a Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana “ensaiou uma reação”, mas demorou demais a agir e a congelar os bens da filha do ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos.

Mesmo nas empresas congeladas, prosseguiu, é visível uma tentativa crescente de evitar que as receitas entrem no circuito bancário.

Dando como exemplo, a rede de supermercados Candando, em Angola, Laura Macedo assegurou que o Governo angolano permitiu que os cofres fossem esvaziados sem que se saiba o destino do dinheiro.

No mesmo sentido, Maíra Martini, investigadora da Transparency International, alertou para o risco de Isabel dos Santos poder ainda “esvaziar as empresas” sobre as quais ainda tem controlo e de se perder o rasto ao dinheiro.

“É preciso investigar o que se passa com as empresas de onde ainda pode tirar dinheiro”, advogou.

Segundo a PGR de Angola, correm contra Isabel dos Santos vários processos de natureza cível e criminal, em que o Estado reivindica valores superiores a cinco mil milhões de dólares (4,6 mil milhões de euros).

A empresária angolana rejeitou sempre as acusações, argumentando que se trata de uma campanha política contra si e contra a sua família. (MM e Lusa)

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