Cabo Verde atribuirá a Vitalina Varela e Pedro Costa Medalha Nacional de Mérito Cultural

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Atriz Vitalina Varela interpreta a si própria ao narrar sua história de vida
Manuel Matola 

O Governo de Cabo Verde vai atribuir, em breve, a Medalha Nacional de Mérito Cultural a cabo-verdiana Vitalina Varela e ao cineasta português Pedro Costa pelo galardão de Melhor Atriz e o Leopardo de Ouro, prémios máximos que arrecadaram no Festival de Locarno, na Suíça.

Este sábado, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, vai deslocar-se à casa de Vitalina Varela para apresentar cumprimentos formais em nome do executivo cabo-verdiano e formalizar o convite feito pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que pretende condecorar a atriz e o realizador, na Cidade da Praia, capital cabo-verdiana, disse ao jornal É@GORA o escritor Jorge Humberto, que faz parte da organização da cerimónia deste fim de semana.

O titular da pasta da Cultura cabo-verdiana, que está em Portugal, “vai fazer uma visita a atriz” e aproveitará “para apresentar cumprimentos” também à equipa de produção do “Vitalina Varela”, a longa-metragem produzida pelo cineasta português Pedro Costa, confirmou igualmente ao jornal É@GORA o responsável pela área do protocolo na embaixada de Cabo Verde em Lisboa, João Silva.

Recentemente, a cabo-verdiana Vitalina Varela conquistou o Prémio de Melhor Atriz no filme com o seu nome, no qual a protagonista interpreta a si própria ao narrar parcialmente sua história de vida.

“Vitalina Varela” conta a história da cabo-verdiana que “há mais de 25 anos” esperou o seu bilhete de avião para ir ter com o marido, Joaquim, que imigrou para Portugal, mas, em 2013, acabou por morrer e sepultado na ausência da mulher que só chegou às terras lusas três dias depois do funeral, assim que teve conhecimento da fatídica notícia, resume a sinopse divulgada pela “Optec Filmes”, a produtora da película.

O galardão de Leopardo de Ouro para Melhor Atriz é um prémio atribuído num certame paralelo ao Festival Internacional de Cinema de Locarno, e é entregue por um júri independente, composto por um grupo de programadores e cineastas que o criaram no ano 2000.

Em declarações ao jornal É@GORA, Abel Chaves, produtor do filme Vitalina Varela, explicou que a equipa de produção da película pretende que a visita do ministro cabo-verdiano da Cultura, que se resumirá na “apresentação de cumprimentos” à atriz, seja de âmbito privado, pelo que será feito “sem a presença” dos órgãos de comunicação social.

Em Portugal, o filme Vitalina Varela foi exibido pela primeira vez esta terça-feira, numa sessão feita para críticos de cinema e um grupo restrito de convidados, incluindo o jornal É@GORA.

Esta sexta-feira, a película será exibida ao público na Associação Moinho da Juventude, na Amadora, o concelho onde reside maioritariamente imigrantes afrodescendentes e que alberga pelo menos 99 nacionalidades.

Mas a estreia oficial “está marcada para o dia 31 de outubro em três salas de cinema: Nimas, o Ideal e o El Corte Inglês”, disse o produtor do filme, assinalando que haverá mais exibições de Vitalina Varela “a nível nacional e internacional”, nomeadamente, “nos Estados Unidos da América, Alemanha, Itália e Brasil”, aliás, a produção está agora a estabelecer contactos para que a mesma seja exibida também “em quase toda América Latina”, acrescentou.

Em entrevista ao jornal É@GORA, Abel Chaves disse que o filme de Pedro Costa estará nos próximos tempos no Festival de Cinema de Toronto, no Canadá, e no 57.º Festival de Cinema de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

No Festival Internacional de Cinema de Locarno, Vitalina Varela venceu o Prémio máximo do palmarés numa competição onde foram exibidos 80 filmes, incluindo de realizadores lusófonos como por exemplo Pedro Costa, Brasil da Cunha e João Nicolau. (MM)

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