Cabo Verde inaugura este sábado, em Lisboa, o primeiro Centro Cultural na diáspora

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O primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, vai inaugurar, no sábado, o Centro Cultural Cabo Verde, em Lisboa, o primeiro espaço de intercâmbio cultural da diáspora e o único pertencente a um Estado-membro da CPLP, tirando Portugal.

A inauguração do empreendimento é um dos pontos altos da cerimónia de celebração do 44º aniversário da independência de Cabo Verde que se assinala nesse sábado e será orientada pelo chefe de governo cabo-verdiano fora do Arquipélago.

Em declarações ao jornal É@GORA, o embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro, justificou a abertura de um Centro Cultural em território português com o facto de em Portugal haver “uma comunidade cabo-verdiana muito significativa, viva, dinâmica”.

“Em Portugal faz todo sentido”, disse Eurico Monteiro, apontando outras razões para a decisão, nomeadamente, a existência de “uma comunidade com uma produção cultural muito grande, competindo e, às vezes, ultrapassando em vários segmentos a produção que é realizada no território nacional no domínio da música, artes plásticas, das danças, do teatro”.

O diplomata lembrou que os imigrantes cabo-verdianos em Portugal vivem “aqui uma dinâmica cultural muito grande”, até porque, “Portugal é um país muito especial para Cabo Verde”, pois, além de “relações de muita amizade” entre o Estado português e o do Cabo Verde, os seus “governos têm uma clara cumplicidade e há traços comuns da História, da língua e cultura”.

No ano passado, ao abrigo de um protocolo, a Câmara Municipal de Lisboa cedeu às autoridades cabo-verdianas o antigo edifício da UCCLA, situado na Rua de São Bento 640, para instalação do Centro Cultural Cabo Verde que, entretanto, nunca funcionou antes, apesar de os primeiros-ministros cabo-verdiano e português terem descerrado a placa simbolizando a inauguração durante a entrega da residência.

Em entrevista ao jornal É@GORA, Eurico Monteiro assegurou que o centro cultural estará totalmente pronto “a partir de setembro”, para que “possa abrir com toda a regularidade”.

“O que nós podemos dizer é que tudo isso já está concebido. O centro vai abrir e vai permanecer aberto durante um espaço razoavelmente de tempo para dar possibilidade às pessoas conhecerem as obras. Por exemplo, no mês de agosto estará encerrado, que é para aproveitarmos para afinar os aspetos mais operacionais, logísticos e administrativos, para que a partir de setembro possa abrir com toda a regularidade”, afirmou.

O espaço de intercâmbio cultural em Lisboa será constituído com algumas valências, a começar por ser um polo de dinamização de uma agenda cultural intensa para que Cabo Verde esteja “sempre presente nos eventos dos vários acontecimentos literários, artísticos e culturais que vão acontecendo aqui e ali e também ganhe algum protagonismo no que respeita à própria agenda cultural cabo-verdiana, trazendo também a nossa agenda cultural para Portugal”, explicou o diplomata.

A instituição, que será tutelada pelo Ministério da Cultura e Indústrias Criativas e gerida por uma “equipa profissional”, servirá ainda de “um espaço de oportunidades para novos e jovens criadores”, porque há “muita gente de talento, com uma grande capacidade criativa e inventiva, mas que encontra dificuldades em ter espaços acessíveis ao grande público”, afirmou o embaixador.

“Já temos a equipa identificada, mas ainda não está completamente concretizada, porque estamos nessa fase de profissionalizar, mas já temos um perfil definido (de quem deverá gerir), que terá que ser alguém com uma vertente profissional, digamos, muito grande”, garantiu.

Sendo um espaço de interação, o Centro Cultural pretende ser “um ponto de encontro das diversas culturas, particularmente, as da CPLP e culturas africanas também de língua oficial portuguesa”, destacou Eurico Monteiro.

“É a celebração da diáspora aqui em Portugal, com um evento muito importante que tem a ver com a inauguração do Centro Cultural” e abertura do consulado em Nice, pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, explicou.

A ideia é “celebrar o 05 de junho na diáspora com coisas concretas, com factos e com serviços que possam ter grande utilidade para a população cabo-verdiana na diáspora”, sublinhou o embaixador de Cabo Verde em Portugal. (MM)

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