Cabo Verde lança hoje projeto de criação de um “Museu da Emigração”

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FOTO: ONU Cabo Verde ©️

Manuel Matola

O governo de Cabo Verde apresenta hoje virtualmente o projeto de criação de um “Museu da Emigração”, iniciativa que visa à preservação e valorização da identidade cultural do Arquipélago através de “um espaço museológico que permitirá perpetuar e salvaguardar todo o processo histórico da emigração cabo-verdiana”.

A matriz será apresentada pela antropóloga e técnica do Instituto do Património Cultural (IPC), Rosângela Miranda, durante uma cerimónia que será transmitida em direto, a partir das 15:00, através da página do Facebook daquela instituição pública cabo-verdiana que propôs a criação do “Museu da Emigração”, no quadro dos novos projetos museológicos Horizonte-2030.

Em nota divulgada, o IPC lembra que “Cabo Verde foi historicamente desde a sua génese um país de emigração, migração interna entre as ilhas, emigração para o estrangeiro. Trata-se do fenómeno social mais antigo e continuado na História de Cabo Verde, iniciado desde finais do século XVII, aproximadamente 1842, com a pesca da baleia para os Estados Unidos da América, e em fases seguintes para o continente africano (Senegal e Gâmbia), outras colónias de Portugal (São Tomé, Angola) e para vários países europeus: Portugal, e outros países da Europa, Holanda, França e mais tarde para a Itália, Luxemburgo e Suíça”.

Assinalando o contributo desse fenómeno para o desenvolvimento económico do país, as autoridades de Cabo Verde entendem que “a dimensão cultural da Diáspora é uma vertente de particular prioridade”, pelo que consideram que uma plataforma destas constitui, hoje, um “elemento fundamental” da preservação e valorização da identidade cultural do país.

Herança

“A dimensão cultural da Diáspora é uma vertente de particular prioridade. Da música à literatura, da pintura à dança, da gastronomia aos trajes tradicionais envoltos pela língua e pela identidade cabo-verdiana e moldados pela história, existe um ativo que se expressa através de primeiras, segundas e terceiras gerações de emigrados”, justifica o executivo da Praia.

Remetendo para o Programa da presente legislatura, o IPC sublinha que além de ser “um espaço museológico que permitirá perpetuar e salvaguardar todo o processo histórico da emigração cabo-verdiana”, o “Museu da Emigração” dará “ênfase aos principais países de destino, à integração das comunidades nos países de acolhimento”, mas servirá, sobretudo, de uma estrutura oficial para a “perpetuação da identidade cultural cabo-verdiana transmitida de geração em geração, a milhas de distância do território cabo-verdiano”.

A Diáspora cabo-verdiana é das mais destacadas a nível global. Com mais população fora do que dentro do território nacional — as estimativas apontam para um milhão -, a comunidade cabo-verdiana no exterior contribui não só para o desenvolvimento e estabilidade social e económica do Arquipélago, através do envio de remessas e apoio para as famílias, como também auxilia o país com quadros formados no estrangeiro e que, a partir de fora do território, intervêm com os seus conhecimentos em diversos setores de atividade.

Em Portugal, o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo-2019 aponta para a existência de 37.436 cidadãos daquele país, o que torna a comunidade cabo-verdiana na segunda nacionalidade mais representativa depois do Brasil no território português, onde residem 590 mil estrangeiros. (MM)

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