Câmara de Lisboa visita imigrantes do prédio cuja sublocatária “sumiu” após ameaça-los de despejo

1
561
OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Elisabeth Almeida

A Câmara de Lisboa deslocou-se ao prédio onde vivem os 31 imigrantes, no bairro de Arroios, para avaliar a situação de ameaça de despejo daqueles moradores, mas o futuro dos inquilinos continua incerto, porque a sublocatária já está incontactável e os residentes do edifício têm informações contraditórias sobre a permanência.

Na última segunda-feira, 31 imigrantes, entre os quais brasileiros, cabo-verdianos e da Índia, foram ameaçados de despejos de um edifício situado no centro de Lisboa, por falta de pagamento da renda, apesar de alguns destes inquilinos terem perdido emprego após a eclosão da Covid-19 em Portugal.

De acordo com Patrícia Gomes, que já vive no prédio há mais de dois anos, a ansiedade fica cada dia maior.

“A gente ainda não sabe de nada. Estamos na expectativa, ela (representante da Câmara de Lisboa) veio aqui e conversou com o pessoal de um modo geral para saber qual é a situação e disse que daria um posicionamento e até agora não tivemos um retorno”, disse a imigrante brasileira ao Jornal É@GORA.

Fábio Gomes, que também faz parte dos inquilinos mais antigos do apartamento, onde vivem maioritariamente imigrantes, confirmou a informação da sua colega de casa num contacto com o jornal É@GORA, quando confrontado sobre o teor da conversa com a equipa da Câmara Municipal de Lisboa, que fez uma visita ao edifício.

“Quando vieram quiseram saber sobre tudo o que aconteceu. Falamos e eles disseram que nos iam ajudar e que voltariam a entrar em contacto, o que ainda não aconteceu. Pelo que eu sei a (sublocatária) senhora Maria Aparecida Sampaio está sumida”, confirmou Fábio Gomes.

O prédio, localizado no bairro de Arroios, na capital portuguesa, é dividido em oito frações, sendo que seis destes são arrendados no nome de Maria Aparecida Sampaio, uma brasileira que subloca quartos na referida residência com várias beliches e cobra, por cama, entre 180 e 210 euros. No total são 40 pessoas que residem no edifício.

O valor a ser pago por cada um dos inquilinos depende do número de beliches em cada quarto: há uns que têm até quatro beliches, ou seja, oito pessoas a dividirem o mesmo espaço.

A questão é que, com a pandemia, muitos destes imigrantes sem contrato de trabalho foram mandados embora de seus empregos e, consequentemente, deixaram de receber ordenados.

No entanto, no dia 19 de março, o governo aprovou a Lei nº1-A/2020, cujo o Artigo 8.º prevê que “até à cessação das medidas de prevenção, contenção, mitigação e tratamento da infeção epidemiológica por SARS-CoV-2 e da doença Covid-19, conforme determinada pela autoridade nacional de saúde pública, fica suspensa: a produção de efeitos das denúncias de contratos de arrendamento habitacional e não habitacional efetuadas pelo senhorio e a execução de hipoteca sobre imóvel que constitua habitação própria e permanente do executado”.

Com a exposição do caso, a equipa do Jornal É@GORA recebeu nas redes sociais a acusação de que Raul Neto, administrador de uma dos maiores páginas do Facebook voltadas para apoiar os brasileiros em Portugal, seria filho da sublocatária e que estaria envolvido no caso, acusação que foi rebatida pelo mesmo, que assegura já não ter contacto com a progenitora há algum tempo.

“Eu nem falo com a minha mãe, não ‘troco ideia’ com a minha irmã. Eu tenho a minha vida, pois elas têm umas práticas que eu não tenho”, disse Raul Neto, insistindo: “Este apartamento não é meu, é da minha mãe e olha eles armando dentro da casa”.

Num contacto anterior com o jornal É@GORA, Raul Neto facilitou os nomes de alguns inquilinos para ajudar a denunciar a ameaça de despejo que envolve a mãe, que é responsável por alguns apartamentos no prédio: o primeiro andar e a subcave.

“Quando eu te passei o contacto deles, eu jurava mesmo que minha mãe estava pressionando eles (para abandonarem o prédio), mas não era” o caso, pois agora “está aí a verdade toda”, disse o imigrante brasileiro, acrescentando:

“Eu tenho os meus (apartamentos), ela tem os dela e minhas irmãs têm os delas. Todo mundo tem o seu e cada um trabalha de uma maneira diferente”, contou.

A subarrendamento de casas em Lisboa é algo comum, pois são vários as pessoas que usam o esquema de sublocação para receber geralmente imigrantes que ainda não estão legalizados em Portugal ou aguardam a finalização do processo junto das autoridades migratórias e, por conta disso, muitas vezes aceitam submeter-se as tais condições. (EA)

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here