Câmara Municipal da Amadora “arranca” tectos dos munícipes

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Sérgio Raimundo, Escritor
A Câmara Municipal da Amadora decidiu, em sede própria, aplicar políticas estranhas que atropelam a lei e arrancam os “tectos” dos munícipes. A Câmara decidiu aumentar de forma desproporcional e injusta a renda das casas dos munícipes do Casal da Mira e do Casal da Boba em 500%.

Fazendo-se uma pequena visita à lei, percebe-se logo que a Câmara sufoca os artigos do Rendimento Apoiado e planta, aos olhos dos munícipes, uma espécie de “lei contra a habitação”. O aumento, em 500%, é fundamentado por uns cálculos de renda matematicamente impossíveis de entender e com multiplicações que pretendem, ao fundo, multiplicar famílias sem tectos e sem onde subtrair noites em quatro paredes.

Os munícipes além de enfrentar o desespero de ver os tectos que lhes são arrancados pelos 500% de aumento, são obrigados a gastar uma pilha infinita de paciência tentando engolir um linguajar, altamente técnico, inacessível. A Câmara parece que, no meio de tudo isso, decidiu apenas ligar a câmera para filmar o desespero dos munícipes.

Nos cálculos de renda as interrogações surgem, em forma de espadas, quando se tenta entender como se calcula a taxa de esforço e a renda máxima.

O arrendamento apoiado, nos bairros Casal da Mira e do Casal da Boba, foi sepultado pela Câmara Municipal da Amadora e os munícipes preparam-se para inventar quartos e salas nos becos dos bairros.

O documento de actualização de rendas, do Departamento de Habilitação e Requalificação Urbana (DHRU), diz: “mas se informa que a composição do agregado familiar bem como os rendimentos e fórmulas de cálculo consideradas para o cálculo de renda se encontram descritas no documento cuja cópia se anexa”, no entanto, o documento que é destacado parece uma verdadeira lição de matemática avançada: nada daquilo é acessível ao pobre munícipe que só sabe calcular os ângulos do desespero que lhe foram criados pelos aumentos de 500%.

São tantas as famílias que terão de substituir o tecto por um céu de lua, que terão de disputar os bancos dos bairros com pombos. Há, num desses bairros, uma avó reformada que viu a renda de 41 euros transformada em um enorme fardo de 223 euros. A reformada divide a casa com uma neta que, recentemente, começou a trabalhar.

São diversas histórias que podiam ser aqui apresentadas. Gente que sempre estive em prontidão, no auge da Covid-19, e hoje sendo arrastada por uma rede de intolerância como peixes pela Câmara que, contactada pelo jornal É@GORA, remeteu à consulta do Regulamento de Apoio Extraordinário à Renda. (X)

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