Campanha da diáspora “Juntos por um Cabo (Delgado)” angaria 12 mil euros em um mês

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Manuel Matola

A campanha global denominada “Juntos por um Cabo (Delgado)”, organizada pela diáspora moçambicana em Portugal, angariou mais de 12 mil euros num espaço de um mês, indicou hoje uma fonte da organização que promove a ação solidária.

O valor servirá para acudir o drama social, económico e humanitário que se vive na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que desde 2017 tem sido assolada por ataques de grupos armados da rede `jihadista’ Estado Islâmico.

Segundo uma nota a que o jornal É@GORA teve acesso, nesta quarta-feira, o saldo contabilístico da Plataforma Solidária Makobo, coordenada por Ruy Santos, em Cabo Delgado, era de 12,278,11 euros. O valor corresponde à contribuição dada a nível mundial num intervalo de tempo de um mês, a contar a partir do dia 19 de abril passado.

Após o lançamento da ação solidária, a 19 de abril, os promotores da campanha angariaram logo nas primeiras 24 horas três mil euros.

Em declarações anteriores ao jornal É@GORA, o coordenador da Plataforma Solidária Makobo, Ruy Santos, explicou que os fundos obtidos pela campanha solidária internacional “irão reverter a favor de um projeto agrícola na região de Mieze, que fica há 13 quilómetros da cidade de Pemba”, capital provincial de Cabo Delgado, onde os promotores da iniciativa já têm “disponível 12 hectares de terra para fazer agricultura, mas existem 100 (hectares) à volta com outros pequenos agricultores a trabalharem”.

Há três anos que a zona norte de Moçambique tem sido assolada por ataques terroristas à população civil e, segundo estimativas do projeto de registo de conflitos ACLED, a violência armada resultou em 2.500 mortes. No entanto, as autoridades moçambicanas indicam que na sequência do conflito existem 714.000 deslocados internos.

São várias as campanhas que estão a ser coordenadas a partir de Portugal visando acudir o drama humanitário que assola Cabo Delgado, sendo a da Plataforma Makobo a mais destacada. A par da Oikos e do Fundo da ONU para a Infância (Unicef), a Cáritas é uma das entidades que está a levar a cabo a angariação de fundos, através da campanha de solidariedade denominada “Por Moçambique“.

Esta ação solidária, que conta com a apresentadora portuguesa de televisão Catarina Furtado e o escritor moçambicano Mia Couto como embaixadores, é uma iniciativa particular “promovida por um movimento de cidadãos e que pretende criar uma onda de solidariedade que envolva todos os portugueses, com o objectivo de atenuar o sofrimento das milhares de crianças, mulheres e homens na região de Cabo Delgado”, refere a Cáritas Portuguesa.

Em nota de balanço, a Cáritas Portuguesa que, seguindo os procedimentos do Ministério da Administração Interna, informa publicamente e semanalmente, em nome da transparência, o valor recebido nesta ação, fez saber que desde o lançamento da campanha “Por Moçambique” recebeu, no seu conjunto, um total de 880 euros; ou seja, de
“23 de abril a 29 de abril – 260€ (duzentos e sessenta euros); 30 de abril a 6 de maio – 610€ (seiscentos e dez euros)” e de “7 de maio a 13 de maio – 10€ (dez euros)”.

Distribuição de alimentos em Cabo Delgado. FOTO: Plataforma Makobo ©
“O trabalho no terreno e a presença continuada junto da população foram os factores que levaram a esta opção”, justifica instituição falando sobre o valor recebido no último mês.

Numa outra nota, a ONG portuguesa Oikos anunciou que “estão a ser entregues, entre hoje e amanhã [sexta-feira], 2,6 toneladas de alimentos a famílias de acolhimento a deslocados em Cabo Delgado. A ajuda chega através da Oikos – cooperação e desenvolvimento, com apoio financeiro vindo de Portugal, incluindo de pessoas particulares, entidades públicas e privadas, além do governo português, através do Camões, I.P.”.

A instituição assinala em comunicado que os cabazes de alimentos contêm bens essenciais como farinha, arroz, feijão, açúcar e óleo alimentar e terá como beneficiários as famílias de acolhimento de deslocados da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, palco de violentos ataques.

“Ao mesmo tempo que milhares de pessoas fogem da violência, mais de 950 mil pessoas passam fome severa”, de acordo com dados do Programa Alimentar Mundial, sublinha-se na nota, que destaca que Cabo Delgado “tem as taxas mais altas de desnutrição crónica em Moçambique, com mais de metade das crianças desnutridas e agora milhares de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ainda mais profunda”.

Moçambique é um dos países mais pobres do mundo. (MM)

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