Carola Rackete: A alemã que salvou 40 migrantes e acabou detida

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Carola Rackete: heroína para muitos, pirata para outros.

Com formação naval e muitos anos de ativismo, Carola Rackete, com apenas 31 anos, pode enfrentar uma pena de prisão até dez anos por ter rejeitado a ordem de uma embarcação militar italiana para que não entrasse no porto da pequena ilha de Lampedusa. Portugal vai receber cinco dos migrantes que seguiam a bordo da embarcação capitaneada por Carola Rackete

depois de 16 dias no mar sem autorização para desembarcar no porto italiano de Lampedusa, Carola Rackete, a capitã do navio de resgate de migrantes Sea Watch 3, forçou a entrada nas docas da ilha e conseguiu o que pretendia: o desembarque das 40 pessoas que o navio transportava e cujas condições de saúde se estavam a deteriorar. Este sábado foi presa por isso. noticiou a Euronews.

Rackete, alemã de 31 anos com formação naval e anos de ativismo, saiu do navio sob aplausos de uns e gritos de “algemas, algemas” de outros, escreve a agência Reuters. As autoridades italianas acusam Rackete de ter entrado em águas territoriais italianas sem autorização e de ter enfrentado um navio de guerra estrangeiro – o que lhe pode valer uma pena de prisão de dois a dez anos.

Segundo o programa diário de notícias Tagesschau, da televisão pública alemã ARD, as horas antes do desembarque foram particularmente tensas porque as autoridades italianas negaram repetidos pedidos da embarcação para poder atracar. Por volta da 1h00 locais, (meia-noite em Portugal Continental), o Sea Watch 3 rumou ao porto e menos de 45 minutos depois já tinha chegado. As autoridades italianas não contavam com esta atitude, segundo relatos recolhidos junto dos membros da tripulação, e só mesmo já quando o navio estava quase a chegar ao porto é que lançaram à água uma embarcação para tentar impedir a entrada nos migrantes em Lampedusa.

Rackete rejeitou as ameaças de prisão e as críticas de Matteo Salvini, o ministro do Interior italiano que tem feito da luta contra a entrada de migrantes em Itália a sua maior – e mais bem-sucedida – bandeira política, e deu prioridade à necessidade de assistência clínica das pessoas que resgatou ao largo da Líbia a 12 de junho.

“Decidi atracar no porto em Lampedusa, apesar de saber o que estava em causa, porque no navio estavam 40 ​pessoas exaustas que já não aguentavam mais. Eu sou responsável por elas e considero as suas vidas mais importantes do que um jogo político”, explicou Carola Rackete no Twitter.

“A comandante Carola não tinha escolha”, explicou a porta-voz da Sea Watch Itália, Giorgia Linardi, à imprensa italiana. “Há 36 horas que o navio tinha declarado estado de necessidade, coisa que as autoridades italianas ignoraram”. “Foi uma escolha desesperada”, disseram, por outro lado, da organização não-governamental alemã que coordena o navio, Leonardo Marino e Alessandro Gamberini. Portugal vai receber cinco dos migrantes que seguiam na embarcação.

Segundo o jornal espanhol “El País”, a comandante alemã foi recebida com aplausos por dezenas de pessoas que a esperavam em terra. Entre elas Pietro Bartolo, ativista, médico e deputado do Partido Democrático (PD), e Don Carmelo, padre de Lampedusa, acompanhado de um grupo de pessoas que tinham passado a noite no átrio da Igreja pedindo a libertação de quem seguia a bordo do Sea Watch. Na reportagem da televisão italiana RAI no local, este sábado de manhã foi possível ver alguns migrantes a serem levados para os campos de refugiados da ilha.

O Governo italiano já reagiu no Twitter à prisão de Rackete: “Fora de lei detida. Navio pirata apreendido. Grande multa para ONG estrangeira. Migrantes todos redistribuídos para outros países europeus. Missão cumprida”.

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