Carta ao honorável poeta José Craveirinha

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José Craveirinha
Por: Adelino Timóteo
  • Meu honorável Zé Craveirinha,
  • Meu ilustre Confrade Jota Cê.

Se antigamente tu agarravas na tua última humilhação e sem te ires embora da pátria emigravas para o norte de Moçambique, para a primavera de balas, se antigamente exaltavas a pátria no norte, comendo raízes, bebendo de chuva onde bebem os bichos, meu honorável Confrade Zé, por estes tempos, prova-se que estavas iludido.

Transverteram-nos que se pega no cabo de uma AK47 nos gabinetes alcatifados e arejados da Ponta Vermelha e ali, atropelando valores, assassinado a ética, desvirtuando a postura de estadista, negoceia-se, enquanto se fazem sermões a pobreza e em nome do povo.

  • Meu honorável Zé Craveirinha,

Concordo contigo, pois há quem desconhece por quem morreu Eduardo Mondlane,  Por quem morreu Uria Simango e Afonso Dhlakama, traindo a pátria, não porque não saiba escrever, não porque não escreva nada, mas por insinuar um nacionalismo que acoberta terceiras intensões, obscuros interesses, evadindo-se do servir ao povo, da responsabilidade civil, homicidando a pátria, sobrepondo a sua insaciável ganância, apetência pela acumulação primitiva de capital, daí fazendo da Ponta vermelha machamba de milho, jazigo de petróleo, tirando o pão ao povo.

  • Meu honorável e muito querido Jota Cê,

Quando nos incutias o gosto contestatário e o protesto, o circunstancialismo e espírito reivindicativo, quando nos incutias o valor da liberdade, na tua primavera de balas, elucidaste-nos que, fosse o que fosse, teríamos que rastejar sobre os cotovelos e os joelhos, e dizias tu mesmo, fosse necessário tu mesmo rastejarias pela pátria, não seja por isso, enquanto rastejamos nós, como o povo a minguar, à fome, à indigência, os comodistas e acomodados ficam-se pela exaltação. Crias mesmo que com esses valores libertaríamos a pátria, com cantil à cinta e a AK47 em mão, em riste, emergido na mata, assobiando e cantando a nossa primavera de Outubro.

  • Meu honorável poeta dos vaticínio infalíveis,

Tal como visionaste, chegamos a campeões olímpicos. E para não nos limitarmos nisso, não haja dúvidas, meu ilustre Confrade, consagramos agora em campeões africanos da corrupção, somos hoje campeões mundiais da fraude, somos campões mundiais da alta traição da pátria, de branqueamento de capitais, do tráfico de influência. A nossa pátria amada tornou-se uma lavandaria dos libertadores e, para coroar isso tudo, temos um corrupto dos mais famosos do mundo, num calabouço da vizinha Terra de Mandela, aqui oferecendo-nos e ao mundo o vergonhoso desprestígio  da nossa bandeira, com sessões de audiência criminal, um recorde nas emissões noticiosas, com deferido na CNN, no Euro News, na Al Jazeera News e por todo o mundo.  

  • Meu imortal poeta,

os Iludiram durante muitos anos que eram arautos de valores morais e de nacionalismo. Insinuaram de que aos jovens não se lhes deveria passar o testemunho da direcção da pátria, porque a venderíamos. Puro veneno para enganar o povo. Recentemente, acordamos com a triste notícia de que libertadores traidores já a tinham vendido a um franco-libanês. Voltaram a pátria contra o muro e a via dos cidadãos está de pernas para o ar.

Recebe um abraço caloroso, do teu confrade que muito te estima.

 

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