Casa de Moçambique em Portugal evoca “o sábio” Marcelino dos Santos, cuja Fundação terá um projeto de implantes cocleares

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Foto retirada do Facebook da FRELIMO ©

A morte de Marcelino dos Santos representa perda não só “de um sábio”, mas da “única referência” da História recente de Moçambique pós-colonial, considerou Enoque João, presidente da Casa de Moçambique em Portugal, instituição que está a discutir com a Fundação Marcelino dos Santos a possibilidade de implementar um projeto piloto sobre implantes cocleares em Maputo.

“É uma perda para a História recente de Moçambique. É uma perda de um homem insubstituível, mas acima de tudo, de um homem da liberdade. Ninguém pode definir o quanto é a dor que o povo moçambicano está a sentir. Era a única referência de Moçambique após a descolonização”, disse Enoque João.

Em declarações ao jornal É@GORA, aquele dirigente associativo e um dos mais destacados imigrantes moçambicanos em Portugal falou do contributo de Marcelino dos Santos para a implantação da Casa de Moçambique no território português.

Entre 1948 e 1951, Marcelino dos Santos migrou para Lisboa onde se destacou como um dos membros na Casa dos Estudantes do Império e no Centro de Estudos Africanos, enquanto militante anticolonialista.

No fundo, “Marcelino dos Santos foi um dos fundadores da Casa de Moçambique”, até porque “foram os estudantes da Casa de Moçambique e os Estudantes da Casa de Império que fizeram essa revolução” de 25 de abril que contou com “várias individualidades, entre as quais, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, o próprio Joaquim Chissano e o também ex-presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim”, afirmou Enoque João.

Projeto piloto sobre implantes cocleares

O presidente da Casa de Moçambique em Portugal anunciou que a sua instituição, cuja vocação, entre outras, é a de prestar ajuda empresarial a homens de negócios portugueses em todo o território moçambicano, está a negociar a implantação de um projeto inovador com a Fundação daquele que é um dos mentores da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), atual partido no poder.

“No ano passado estávamos para assinar com a Fundação Marcelino dos Santos o desenvolvimento deste projeto para essa causa nobre”, disse o dirigente associativo em alusão ao projeto de implantes cocleares, um dispositivo médico eletrónico que permite que pessoas com perda auditiva de grau severo a profundo, portanto surdas, possam desfrutar de audição e de uma vida com mais bem-estar.

“Temos esse projeto todo connosco, já tínhamos os documentos todos da Fundação (presidida por João Leopoldo, ex-vice-ministro da Saúde de Moçambique) para que assinássemos o memorando e lançássemos isso junto do Ministério da Saúde. Vamos continuar com o projeto para honrar o nome e o feito de Marcelino dos Santos”, garantiu.

Segundo Enoque João, “a montagem é feita toda lá”, pelo que a ideia é que, a partir do Ministério da Saúde de Moçambique, sejam formados médicos moçambicanos, com auxílio de médicos portugueses de Coimbra, para “depois lançar-se o projeto ao longo do país”.

“O epicentro do lançamento disso deve ser Maputo”, explicou Enoque João.

Marcelino dos Santos morreu esta terça-feira vítima de doença prolongada, aos 90 anos, tempo em que desfrutou de uma vida intensa ligada à causas em prol dos moçambicanos e de vários povos africanos, bem como do palestiniano.

“É um libertador de causas. É graças a Marcelino dos Santos que Portugal hoje tem a sua própria democracia”, exemplificou.

Enoque João anunciou que, dado o contributo daquele líder histórico moçambicano para o mundo, em todos os eventos de promoção da cultura e de integração da própria comunidade moçambicana em Portugal que a Casa de Moçambique irá realizar até ao fim do ano deverá homenagear Marcelino dos Santos.

“Iremos evocar Marcelino dos Santos, especialmente no âmbito do Dia de África, para dar a conhecer aquilo que é a sua história. Nós não perdemos a História. Perdemos a carne, portanto, Marcelino dos Santos é História de Moçambique”. (MM)

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