Censos2021: População residente em Portugal decresceu 2% desde 2011

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Foto: INE ©

Manuel Matola

Portugal tem 10.347.892 residentes mas, entre 2011 e 2021, o país registou um decréscimo populacional de dois por cento, ou seja, passou a ter hoje menos 214.286 pessoas do que há uma década, indicam os resultados preliminares dos censos 2021.

Entretanto, segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteira (SEF), a população imigrante residente em Portugal é de 692.095 pertencentes a mais de 20 nacionalidades.

Segundo os dados do Censos 2021, uma operação que contou com 99,3% das respostas da população através de canais digitais, em termos censitários, a década entre 1960 e 1970 foi a única em que se verificou um decréscimo populacional semelhante a que se registou entre 2011 e 2021.

O presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), Francisco Lima, disse que, hoje, “os territórios do Interior perdem população” e “há uma clara concentração à volta da capital”, sendo que o centro da cidade de Lisboa, capital do país, e a região do Algarve, onde se notam agora um aumento significativo de população.

Ainda assim, no geral, o saldo migratório positivo “não foi suficiente para compensar” a redução da população portuguesa, que, nos últimos 10 anos, decresceu em dois por cento, referiu o responsável.

Ou seja, o decréscimo populacional registado na última década (-2%) resultou do saldo natural negativo (-250.066 pessoas, dados provisórios), sendo que o saldo migratório ocorrido, apesar de positivo, não foi suficiente para inverter a quebra populacional.

O Algarve (3,7%) e a Área Metropolitana de Lisboa (1,7%) são as únicas regiões que registam um crescimento da população, sendo o Alentejo aquela que regista o decréscimo mais expressivo. As restantes regiões viram decrescer o seu efetivo populacional, com o Alentejo a observar a quebra mais expressiva (-6,9%), seguindo-se a Região Autónoma da Madeira (-6,2%).

Nos últimos 10 anos, dos 308 municípios portugueses, 257 registaram decréscimos populacionais e apenas 51 registaram um aumento. Na década anterior tinham assistido a quebras populacionais 198 municípios.

Segundo os resultados preliminares dos censos 2021, cerca de 50% da população residente em Portugal concentrava-se em apenas 31 municípios, localizados maioritariamente nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto.

De acordo com os resultados provisórios do XVI Recenseamento Geral da População do INE, existem em Portugal 4.156.017 agregados domésticos privados e agregados institucionais, um crescimento de 2,7% face a 2011.

O número de agregados aumentou em todas as Regiões NUTS II, com exceção da região do Alentejo, onde o valor decresceu 3,6%.

Como resultado do crescimento no número de agregados, a par do decréscimo populacional registado, há uma redução da dimensão média dos agregados, que em 2021 é de 2,5 pessoas, valor que baixou em 0,1 face ao apurado em 2011, que se situava em 2,6 pessoas/agregado.

Os dados mostram igualmente que Portugal registou um ligeiro crescimento do número de edifícios e de alojamentos destinados à habitação, embora num ritmo bastante inferior ao verificado em décadas anteriores, segundo o INE.

O número de edifícios destinados à habitação apurado é de 3.587.669 e o de alojamentos 5.961.262, valores que, em relação a 2011, representam um aumento de 1,2% e 1,4%, respetivamente.

A fase de recolha dos Censos 2021 decorreu entre 05 de abril e 31 de maio e os dados referem-se à data do momento censitário, dia 19 de abril. (MM e Lusa)

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