Centenas de pessoas em Lisboa exigem destituição de Bolsonaro para “preservar o futuro da Amazónia”

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Centenas de pessoas, entre as quais membros de 30 organizações de imigrantes brasileiros existentes em Portugal, pediram a destituição de Jair Bolsonaro da Presidência do Brasil, durante uma manifestação em Lisboa contra os incêndios que ocorrem na Amazónia.

A capital portuguesa juntou-se esta segunda-feira a outras cidades do mundo para também se manifestar contra as queimadas que há quase uma semana se abatem sobre a maior floresta tropical do mundo.

Empunhando cartazes com palavras de ordem contra o governo brasileiro, a comunidade internacional e as multinacionais do agro-negócio, os manifestantes de Lisboa exigiram em uníssono a saída de Jair Bolsonaro do cargo de Presidente do Brasil, por alegadamente ser o responsável pelo que está a acontecer no Amazónia, depois de ter optado por introduzir políticas públicas consideradas perniciosas, alegadamente “por destruir as leis de proteção ambiental”.

“Bolsonaro sai, Amazónia fica” foi uma das frase que mais se ouviu no Largo de Camões, onde os participantes gritaram e escreveram em línguas portuguesa e inglesa cartazes em que se podia ler também expressões que alertavam para o perigo que o mundo corre e a necessidade de se “preservar o futuro da Amazónia”, considerado o “pulmão do Planeta”.

“O ar está a arder” e “salvem a biodiversidade, salvem o planeta” eram alguns dos dísticos exibidos por centenas de manifestantes que se reuniram no centro de Lisboa para ilustrar que o que está a acontecer na mais importante floresta do Brasil “não é incêndio, é capitalismo”.

Em declarações ao jornal É@GORA, Samara Azevedo, do Coletivo Andorinha, disse que pelo menos 1400 pessoas confirmaram a sua presença no local, através das redes sociais, e cerca de mais de quatro mil pessoas manifestaram o interesse de estar no evento de protesto “contra Bolsonaro que está a agir criminosamente contra a população indígena no Brasil”.

Apesar de o Largo de Camões ter estado abarrotado, o número dos que estiveram presentes terá sido abaixo do estimado pelos organizadores, “cerca de 700 pessoas”, segundo disse uma fonte da PSP, citada pela Lusa.

Entre o hip-hop, tido como o género musical mais usado para aludir a temas de maior intervenção social, e o recital de poemas cantados em português do Brasil, diversos responsáveis de organizações que representam os imigrantes brasileiros em Portugal, ativistas pró-ambiente, atrizes, escritores e políticos proferiram discursos de denúncia contra o “colapso socioambiental (que) não é acidente”, (mas) “é crime”.

E, aos gritos, lembraram numa só voz que “Não é Amazónia que está em chamas”, mas sim “todos” os seres humanos do planeta é que estão a ser consumidos pelo fogo que lavra os muitos hectares de floresta do Brasil.

E pelo facto de “a Amazónia não ser um pasto para boi” e por ser necessário “Amar o verde”, os presentes exortaram os cidadãos do mundo inteiro para “Preservarem o futuro da Amazónia”.

A deputada do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, considerou que a culpa do que se está a passar na Amazónia não é só do Brasil, é também dos governos da Europa, incluindo as autoridades portuguesas que “tratam” o governo brasileiro como se fosse “um governo igual aos outros”.

“O governo português tem de parar de tratar o governo do Brasil como se fosse um governo igual aos outros. Há momentos em que o silêncio é cúmplice. O governo português tem de dar uma palavra de censura ao governo de Bolsonaro e dizer que isso não é aceitável”, disse Joana Mortágua, que também atribuiu responsabilidades a Bolsonaro “pelo desmatamento, pelos incêndios” na Amazónia.

“Nós apontamos dedos a responsáveis. Bolsonaro é responsável por destruir as leis de proteção ambiental. É responsável por destruir e criminalizar as ONG, é responsável pelos ataques à comunidade indígena e, portanto, é sim responsável pelo desmatamento, pelos incêndios e os apoios que tem dado ao agro-negócio, que é quem está a lucrar com a destruição da Amazónia. A Amazónia está a ser destruída pelo lucro dos grandes poderosos do agro-negócio que Bolsonaro apoia”, disse a parlamentar, mediante aplausos.

Também o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que morou vários anos no Brasil, criticou o atual chefe de Estado brasileiro pela adoção de políticas ambientais nefastas, e lembrou que Jair “Bolsonaro anunciou tudo isso ainda antes de ser eleito”, por isso “era inevitável” que tudo acontecesse como se assiste nos dias de hoje.

“Ele já falava do desmantelamento de todas as instituições ligadas à proteção da floresta e a defesa dos povos indígenas. Então, é preciso que o Brasil acorde, é preciso que o mundo acorde, é preciso que os brasileiros saiam às ruas, ocupem as ruas, ocupem Brasília, ocupem o Palácio Presidencial, o Palácio da Alvorada, é preciso pôr Bolsonaro fora”, apelou o jornalista, escritor e editor angolano de ascendência portuguesa e brasileira.

Em declarações ao jornal É@GORA, a presidente da Casa do Brasil em Portugal, Cyntia de Paula, considerou que a situação da Amazónia é “dramática”, pelo que a presença de membros que integram mais de três dezenas de organizações brasileiras na manifestação visava “contestar todas as políticas públicas” que se está a assistir no atual governo no Brasil.

“Falamos de Amazónia, que é um caso dramático e que foi visto por todo o mundo, mas não é só isso que está a acontecer no Brasil: populações indígenas, ribeirinhas, comunidade, por exemplo, no Rio de Janeiro assistimos o extermínio da população negra nas favelas e um discurso que legitima a misoginia, o machismo, a homofobia, o racismo e tantas outras questões que nós assistimos todos os dias o atual Presidente a falar abertamente em qualquer canal. A retirar investimentos nos Direitos Humanos, nas questões ambientais e a legitimar tudo isso. E nós estamos na luta para essa denúncia, para que se combate tantos retrocessos que estamos a assistir no Brasil desde ele tomou posse” disse.

Dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais brasileiro apontam a Amazónia como sendo a região mais afetada pelos incêndios que têm aumentado no Brasil, que só este ano registou 72.953 focos, o que equivale a mais 83% se comparado ao período homólogo de 2018. (MM)

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