Chega ao fim a “violência das demolições” de casas habitadas maioritariamente por imigrantes em Setúbal

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Famílias de imigrantes numa manifestação recente contra desalojamento nos arredores de Lisboa. FOTO: Jornal É@GORA

Dírcia Lopes

Moradores do bairro da Quinta da Parvoíce com uma luz ao fundo do túnel depois de terem sido convocados para reuniões na Junta de Freguesia de São Sebastião para exporem o seu caso. As demolições das casas, para já, estão paradas.

O braço-de-ferro entre os moradores da Quinta da Parvoíce em Setúbal, na sua maioria imigrantes africanos, e o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) que ditou a demolição de algumas casas poderá ter uma luz ao fundo do túnel. Isto porque os moradores foram convocados para reuniões com a Junta de Freguesia de São Sebastião e com representantes da Segurança Social para se fazer um levantamento de cada caso e vir a desenhar uma solução para as cerca de 70 famílias que ainda habitam neste bairro, localizado junto à antiga fábrica de conservas Vasco da Gama.

O dono do terreno, o IHRU, decidiu avançar com a demolição de casas no bairro alegando questões de segurança e salubridade. O espaço situa-se junto a uma encosta arenosa em Reserva Ecológica Nacional.

Em declarações ao jornal É@GORA, o representante dos moradores da Quinta da Parvoíce, Jorge Pimenta, afirmou que depois da “violência das demolições” de algumas casas, que aconteceu no passado dia 28 de fevereiro, “as pessoas foram chamadas para comparecer para se tentar o diálogo”.

Jorge Pimenta explicou que, para essas reuniões, foi pedido que os moradores levassem alguma documentação e que preenchessem um formulário para se conhecer a sua situação.

O representante dos moradores explica ainda que havia a ameaça de as máquinas regressarem ao bairro na próxima segunda-feira, dia 9.

Este facto terá levado a Câmara de Setúbal a agir e a agendar estas reuniões com urgência.

A Quinta da Parvoíce tem servido de residência para muitos imigrantes sobretudo de Angola, Guiné Bissau, Moçambique, Costa do Marfim, Somália e Cabo Verde.

“Muitas destas pessoas são doentes, com deficiências, idosos e crianças”, alerta Jorge Pimenta. E lembra também que muitos são cidadãos cumpridores dos deveres para com o Estado português, que trabalham e pagam impostos.

No entanto, não têm rendimentos suficientes que permitam pagar rendas normais.

“Não têm para onde ir para fazer um modo de vida diferente. Mas querem uma vida melhor porque ninguém quer viver nestas condições”, garante a mesma fonte.

Bom senso. Este é o apelo repetido vezes sem conta por Jorge Pimenta. O morador faz este apelo aos responsáveis do IHRU para que respeitem as populações, assim como ao presidente da Junta de Freguesia, Nuno Costa, e à presidente da Câmara de Setúbal Maria das Dores Meira.

O pedido de apoio é também dirigido ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para que compareça junto dos moradores e os ajude nesta cruzada.

Outro morador, Manuel Caiuca, de origem angolana está na Quinta da Parvoíce há dois anos e, para já, a casa onde vive escapou desta primeira vaga de demolições.

“Demoliram as casas que não estavam acabadas e não tocaram nas habitadas”.

Manuel Caiuca acusa que mesmo com a Providência Cautelar que foi interposta avançaram com as demolições.
Quem tem acompanhado de perto este caso é o advogado Guerra Henriques que avançou com a Providência Cautelar.

Em declarações ao É@AGORA, o advogado explica que a providência “foi uma tentativa de criar uma barreira, que não é definitiva, para abrir um processo de diálogo e se encontrar uma solução”. Guerra Henriques congratula-se com o facto de terem parado as máquinas e de se ter arrancado com estas reuniões.

E lembra que “as demolições só voltam a acontecer se houver sinais de nova construção. É uma paz aparente”.

O jornal É@GORA contactou o IHRU, mas até ao momento não foi possível obter um comentário sobre este assunto.(X)

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