Cinco mil agentes da PSP recusam fazer patrulhamento em bairros problemáticos de Lisboa

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A recusa dos agentes de apenas intervir nos bairros problemáticos “só em situações de extrema gravidade” surge na sequência da condenação de oito polícias por sequestro e agressões a moradores da Cova da Moura, no Concelho de Amadora, e ainda das reações que surgiram contra a polícia por causa da recente atuação no bairro da Jamaica, em Seixal, arredores de Lisboa.

Em carta endereçada também ao primeiro-ministro, o movimento afirma que, face às reações quer da parte da sociedade como de alguns partidos políticos portugueses, os agentes sentem-se “desmotivados e crentes que a integridade institucional está cada vez mais desacreditada”.

Os membros que integram o movimento espontâneo de polícias asseguram igualmente que também pretendem não autuar as infrações de trânsito.

O presidente da Associação Sindical ASPP, Paulo Rodrigues, diz entender a decisão dos seus colegas, associando-a ao mau estar no seio da corporação, pelo que o dirigente sindical apelou à direção nacional da PSP para estar atenta a estes sinais que vem de uma parte dos agentes cuja iniciativa não está, no entanto, vinculada a um sindicato específico da polícia.

Mas o presidente do Sindicato Independente de Agentes da Polícia, Carlos Torres, disse “apoiar a iniciativa, apesar de ser extrassindical”.

“Não temos quem nos defenda”, referiu, citado pelo Correio da Manhã, que veiculou a notícia.

Contudo, a Direção Nacional da PSP distanciou-se do movimento afirmando que “a PSP desconhece qualquer alegado Movimento Zero, e o que sabe é pela comunicação social”.

No entanto, “queremos também dizer que a direção desta polícia não deixará nunca de defender os interesses dos efetivos, e de lutar para que estes tenham as melhores condições de trabalho”, acrescentou a Direção-Nacional da PSP, segundo a publicação.

De acordo com o Correio da Manhã, a iniciativa recém criada “começou por ser uma indignação nascida numa esquadra do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa”, mas logo transformou-se num movimento espontâneo, a que chamaram de “Movimento Zero” que teve cinco mil aderentes, todos polícias.

A publicação assegura que “a revolta dos agentes terá, ao que apurámos, aumentado em sequência das declarações do ex vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da PSP, Manuel Morais, que denunciou o que considerou ser a existência de racismo na PSP”, que tem um contingente de cerca de 20 mil agentes.

Nos últimos anos, a atuação da polícia portuguesa tem sido questionada, nomeadamente, por organizações de apoio às populações imigrantes e das minorias étnicas, como o SOS Racismo e várias outras entidades, nacionais e internacionais, que após o condenação dos oito polícias afirmaram em nota que “há muito tempo vêm alertando para a deriva de alguns sindicatos para posições que extravasam as suas funções e competências, bem como, para a presença de elementos violentos e de extrema-direita nas forças de segurança”.

 

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