Cineasta moçambicano Júlio Silva integra conselho editorial da revista científica russa “Mariinskaya”

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Júlio Silva, Cineasta, Etnomusicólogo e Antropólogo Cultural moçambicano

O cineasta moçambicano Júlio Silva integra desde janeiro deste ano o conselho editorial da Academia Internacional Mariinskay n.a. M.D. Shapovalenko e da revista científica russa “Mariinskaya Academy”, onde é pesquisador do laboratório Folclore e Etnomusicologia do departamento de Musicologia.

“Fui convidado e já sou membro”, referiu numa nota enviada ao jornal É@GORA o Etnomusicólogo e Antropólogo Cultural moçambicano, que há anos imigrou para Portugal.

Há largos anos que Júlio Silva tem se dedicado ao cinema rural em Moçambique, após ter criado uma linha cinematográfica muito africana, que aborda a Cultura, História, realidade, o quotidiano e a língua, o que lhe tem valido prémios e convites de outros países da CPLP para lá fazer alguns filmes.

O convite para integrar a equipa editorial da revista científica publicada na capital russa, Moscovo, resulta dos “20 anos de pesquisa que fiz ao nível da música e dança tradicionais moçambicanas”, disse Júlio Silva.

“Agora vai ser publicada a nossa tradição do outro lado do mundo. É algo fantástico chegar ao topo da investigação depois destes 20 anos”, referiu o investigador, anunciando: “Eles vão passar os meus filmes na Rússia”.

Júlio Silva (ao centro) e atores do filme “Escravatura”

Júlio Silva é dos poucos cineastas rurais em Moçambique, onde também desenvolve trabalhos como escritor, produtor musical, além de ser músico multifacetado com mais de 300 Cd/disco Vinil produzidos a nível dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).

Recentemente, o realizador cinematográfico estreou um novo filme intitulado “Lágrimas nas Ondas Di Mar”, que relata “a vida dura e insegura” de pescadores artesanais da Ilha de São Vicente, que recorrentemente são apanhados por tempestades na atividade piscatória, que em Cabo Verde emprega diretamente cinco mil pessoas.

Segundo resumiu em declarações ao jornal É@GORA em Lisboa, onde também reside além de Maputo, “o filme é sobre as tragédias que acontecem com os pescadores artesanais nos mares de Cabo Verde, onde tem morrido muitos pescadores”.

Em 2019, o autor foi reconhecido como realizador do Ano pelo círculo de leitores dos Escritores Moçambicanos na Diáspora e ganhou também o Prémio de Melhor Documentário Júri Popular no Festival de FESTIN (Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa).

No Brasil também arrecadou no mesmo ano dois prémios com os filmes “Escravatura” e “Chikuembo-1”.

A longa história sanguínea faz de Júlio Silva um verdadeiro imigrante, pois o cineasta é bisneto de alemães, holandeses, brasileiros e cabo-verdianos, uma fusão que o ajuda a saber contar as pequenas histórias de ir e vir pelo mundo também graças à sua veia de Antropólogo cultural. (MM)

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