Cônsul-Geral do Brasil em Lisboa destituído do cargo, Itamaraty declara fim do repatriamento de imigrantes

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Elisabeth Almeida e Manuel Matola

O Cônsul-Geral do Brasil em Lisboa, José Roberto de Almeida Pinto, foi destituído do cargo e vai ser transferido para Rio de Janeiro, após o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) decretar o fim da operação de repatriamento de brasileiros retidos em Portugal desde o encerramento de fronteiras, devido à eclosão da pandemia da Covid-19, anunciou hoje a CNN-Brasil, citando uma fonte diplomática que garante, entretanto, que “a movimentação é rotineira”.

“O chanceler Ernesto Araújo removeu, em portaria publicada nesta segunda-feira (1), o embaixador José Roberto de Almeida Pinto do posto de Cônsul-Geral do Brasil na cidade de Lisboa, capital de Portugal”, diz a CNN-Brasil, indicando que “o diplomata será transferido de volta para o Brasil, onde trabalhará no Rio de Janeiro”.

O diploma que confirma a saída do embaixador José Roberto de Almeida Pinto do posto em Lisboa ainda não está disponível na página oficial do Itamaraty, pelo que fontes ligadas ao processo de repatriamento de brasileiros em Portugal recusaram comentar hoje ao jornal É@GORA o fim da missão do cônsul-Geral do Brasil na capital portuguesa.

Segundo a estação televisiva CNN-Brasil, “o movimento ocorre após o fim da operação de repatriações de brasileiros que estavam retidos em terras portuguesas por conta da pandemia da Covid-19 e desejavam voltar para casa. O último voo de repatriação partiu de Lisboa no dia 22 de maio”.

A CNN-Brasil estima que até agora já “foram repatriados 2121 cidadãos” brasileiros que, segundo o Itamaraty, eram “maioritariamente turistas e residentes que, independentemente de seu estatuto migratório, encontravam-se em sérias condições de desvalimento”, em Portugal.

De acordo com a notícia, “ainda que os voos tenham se encerrado, os consulados do Brasil em Portugal continuarão atendendo aos cidadãos impactados pela pandemia”, que a nível mundial já causou mais de 372 mil mortos e infetou mais de 6,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Remanescente

Parte dos repatriados brasileiros. FOTO: ABP
Em declarações ao jornal É@GORA, a imigrante brasileira Vanessa Clementina de Paula, que integra o grupo que ficou em terra no último voo que partiu no passado dia 22 de maio disse, no entanto, que pelo menos 20 pessoas ainda estão “a aguardar o voo de repatriamento” para Brasil.

“Nós, assim como o outro grupo de 12 pessoas, ficamos sob ´custódia` do Consulado e na sexta-feira, que a gente não tinha para onde ir, foi acolhida pela Segurança Social. Ficamos na Inatel até terça-feira na hora do almoço. Na terça-feira fomos mandados para o hostel no Marquês de Pombal e ficamos até quinta-feira e (os responsáveis consulares) optaram por colocar nosso grupo, composto por oito pessoas, em um apartamento de cinco quartos. E a gente está aqui todos reunidos no nosso grupo, que estava no aeroporto e veio para cá para aguardar o voo de repatriamento”, disse hoje Vanessa Clementina de Paula.

O canal de televisão por assinatura brasileiro refere que, “nos bastidores, o trabalho de Almeida Pinto à frente do consulado foi elogiado por colegas do Itamaraty, sobretudo pela quantidade de voos realizados e pelo número de brasileiros atendidos pela repartição diplomática na capital portuguesa”, e que “uma fonte diplomática relatou à CNN que a movimentação é rotineira”.

O embaixador estava no cargo desde o início de 2018, indicado ainda pelo presidente Michel Temer e pelo então chanceler Aloysio Nunes, assinala ainda a CNN, revelando que “José Roberto de Almeida Pinto será substituído pelo embaixador Wladimir Waller, que ocupa atualmente o cargo de Corregedor do Itamaraty, responsável por apurar desvios de conduta e infrações cometidas por diplomatas no Brasil e no exterior”. (EA/MM)

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