Covid-19: Cerca de 600 cidadãos portugueses e brasileiros abandonaram Moçambique

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Companhia aérea de Portugal e Angola. FOTO: LUSA

Precidónio Silvério (correspondente em Maputo)

Pelo menos 298 cidadãos portugueses e
282 brasileiros deixaram Moçambique, nos últimos dias, retornando aos seus países de origem, mesmo depois da decisão do governo moçambicano de suspender os voos internacionais devido à Covid-19.

O retorno dos estrangeiros que não quiseram ficar em solo moçambicano foi facilitado com a introdução de voos especiais da TAP e da companhia de bandeira da Etiópia, a Ethiopian Airlines.

O porta-voz do Serviço Nacional de Migração de Moçambique (SENAMI), Celestino Matsinhe, disse ao jornal É@GORA que os cidadãos retornados a Portugal não são residentes em Moçambique, porquanto os mesmos estiveram dentro do país, por um período temporário, ora alguns em missão de trabalho, ora outros por turismo.

“Tal como sabemos, os voos internacionais estão suspensos, mas foram criadas condições para entrada da companhia portuguesa, para levar cidadãos que anseiam retornar ao seu país. O grupo que já partiu não é residente. Poderiam ter ficado mais tempo no país, mas depois da confirmação dos primeiros casos, acharam melhor retornar”, explicou.

Segundo Matsinhe, “a saída dos estrangeiros vai sendo gradual, pois não é uma obrigação que deixem o país”, aliás, “alguns decidem a título individual ou mesmo em sede dos seus locais de trabalho, no caso dos que vêm ao país por motivos laborais”.

Ainda esta semana, um grupo de 282 cidadãos brasileiros trabalhadores da mineradora Vale, companhia brasileira que opera no distrito de Moatize, província de Tete, centro de Moçambique, onde explora os jazigos de carvão mineral, decidiu voltar ao Brasil.

Celestino Matsinhe confirmou que a movimentação destes foi graças aos voos especiais da Ethiopian Airlines, uma das companhias concessionárias dos Aeroportos de Moçambique.

A crise da nova pandemia está a afetar quase todas as esferas do desenvolvimento humano como a economia dos países, chegando a envolver empresas multinacionais.

Na senda das medidas do governo moçambicano, face ao controlo da nova pandemia, para além dos voos internacionais, fora os especiais, também está suspensa a emissão de novos vistos.

Em Moçambique, o Conselho de Ministros decidiu, contudo, prorrogar até junho do ano corrente a validade dos vistos cujo prazo expirou em abril.

Moçambique tem 17 casos confirmados de pessoas contaminadas com o novo coronavírus, causador da doença Covid-19.

O primeiro caso foi dado a conhecer a 22 de março e envolvia um cidadão de 75 anos, que estivera no Reino Unido, em missão de trabalho, conforme informação oficial do Ministério da saúde.

Apesar das medidas tomadas pelo executivo de Maputo atinentes ao controlo e contenção da doença, foram criadas condições para entrada de companhias aéreas estrangeiras para levar cidadãos que anseiam regressar aos seus países.

Desde a eclosão da pandemia, não são só portugueses que optam em retornar para o seu país neste contexto de emergência, há também moçambicanos que saíram das terras lusas para Moçambique.

Dos 24 moçambicanos retornados ao país na semana passada, 22 estiveram em Portugal temporariamente e os dois restantes são residentes no território português.

Estes também beneficiaram dos voos especiais da companhia angolana, TAAG, para voltar ao território moçambicano. (PS)

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