COVID-19: É importante a Alimentação Saudável e Manutenção da Atividade Física durante a quarentena

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FOTO: SNS
Dra. Michele Miranda de Almeida (Consultora Nutricional)

O momento que estamos a viver é inédito para todos e para todo o mundo, e para alguns imigrantes esta situação de vulnerabilidade é ainda maior, pois há os que pensam em voltar para seu país de origem, sendo mais um factor de estresse, infelizmente, não temos todas as respostas a esta nova realidade. Toda rotina mudou e se faz necessário o isolamento social neste momento de pandemia. As mudanças de rotina durante a pandemia do coronavírus influenciam para que as pessoas tenham menos hábitos saudáveis em isolamento. A má alimentação e a falta de atividade física já caracterizam uma epidemia mundial, ficando neste momento agravada pela COVID-19.

  • Como lidar com cuidados básicos, como alimentação saudável durante a quarentena? O coronavírus pode ser transmitido através dos alimentos? Posso reforçar o sistema imunitário através da alimentação?

Embora, se reconheça que existe ainda pouca evidência científica sobre a relação entre a doença por SARS-CoV-2 (COVID-19) e a alimentação, há, contudo, um conjunto de dúvidas. Para responder a estas e outras perguntas, segue algumas orientações sobre alimentação e manutenção da atividade física durante o surto da covid-19:

  • Alimentação saudável durante a quarentena?

Otimizar a ida aos supermercados é essencial para evitar deslocações frequentes, sobre a prática de estocar alimentos em meio à pandemia, “cautela e bom senso”, além de evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, mais fáceis de estocar, há a questão do desperdício e da solidariedade com as outras famílias. Uma boa estratégia é cozinhar e estocar os alimentos caseiros, em potes, “quando bater a fome já ter uma comida pronta, evitando o consumo de industrializados”, sempre dando preferência para alimentos in natura, assegurar a compra de produtos frescos como frutas e hortícolas (legumes, verduras,vegetais), preferindo aqueles que apresentam uma maior durabilidade e/ou produtos congelados para o caso dos hortícolas, considerar a importância de incluir maioritariamente alimentos que fazem parte de um padrão alimentar saudável, ou seja, alimentos dos diferentes grupos da Roda dos Alimentos e respeitando as proporções recomendadas; preferir alimentos de elevado valor nutricional em detrimento de alimentos com elevada densidade energética; deve-se ter uma alimentação rica e diversificada, o que contribui, de verdade, para a saúde do corpo.

  • O SARS-CoV-2 (coronavírus) pode ser transmitido através dos alimentos?

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não existe, até ao momento, evidência de qualquer tipo de contaminação através do consumo de alimentos cozinhados ou crus. Há, no entanto, cuidados a ter na confecção das refeições como, lavagem frequente e prolongada das mãos; desinfecção apropriada das bancadas de trabalho e das mesas com produtos apropriados; evitar a contaminação entre alimentos crus e cozinhados; lavar adequadamente os alimentos crus.

  • Podemos reforçar o sistema imunitário através da alimentação?

Não existe nenhum alimento específico ou suplemento alimentar que possa prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19. No entanto, para garantir o normal funcionamento do sistema imunitário, é necessária uma alimentação equilibrada com a presença de diferentes nutrientes, desde logo os fornecedores de energia (hidratos de carbono, proteínas e lípidos) e vitaminas e minerais (como as vitaminas A, B6, B9, B12, C e D e o cobre, ferro, selénio, zinco) e água. Estão todos na Roda dos Alimentos.

  • Sobre a prática de exercícios físicos?

Mesmo em épocas de não confinamento, já é difícil seguir uma rotina. A insuficiência de atividades físicas nesse período sedentário em que muitas pessoas ficam sentadas por muito tempo, é nociva à saúde. Como dica para exercícios dentro de casa, recomenda-se os canais especializados no assunto, de fácil acesso pela internet, que auxiliam com informações.
Recomenda-se, não é o momento de dietas restritivas, “restrição gera compulsão”, não convém acrescentar mais um factor de estresse, exceto pessoas que já fazem uma dietoterapia por motivo de doenças crónicas, por fim, que todos os tratamentos e indicações médicas devem ser mantidos nesse período, e alerto para o prejuízo de dietas milagrosas e informações falsas sobre alimentação, não esquecendo sobretudo de se manter uma alimentação saudável. (X)

 

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