Covid-19: Grávidas e Aleitamento Materno

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A grávida deve ser apoiada para amamentar com segurança, assegurando uma boa higiene respiratória

Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional

Há muitas questões que preocupam agora as grávidas, parturientes e recém-nascidos que não sendo um grupo de risco, têm medo de ser infetados.

Seguem algumas orientações transmitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e (Direção Geral da Saúde (DGS) sobre os cuidados especiais a ter no período de gravidez, parto e pós parto face à presença ou suspeita de infeção por SARS-COV-2/COVID-19.

O COVID-19 PODE SER TRANSMITIDO DE UMA MULHER PARA O SEU BEBÉ QUE AINDA NÃO NASCEU OU AO RECÉM-NASCIDO?
De acordo com a OMS, ainda não sabem se uma mulher grávida com COVID-19 pode transmitir o vírus ao feto ou ao bebé durante a gravidez ou o parto. Até ao momento, o vírus não foi encontrado em amostras de líquido amniótico ou leite materno.

Segundo a DGS, pensa-se que o vírus que causa a COVID-19 se espalha principalmente por contacto próximo com uma pessoa infetada através de gotículas respiratórias. Ainda não se sabe se uma mulher grávida com COVID-19 pode transmitir o vírus que causa a COVID-19 ao feto ou ao recém-nascido por outras vias de transmissão vertical (antes, durante ou após o parto). No entanto, em séries limitadas de casos recentes de bebés nascidos de mães com COVID-19 publicados na literatura revista por pares, existem descritos dois casos com resultados positivos para a infeção por COVID-19, um recém-nascido nas primeiras 30h e o segundo nas 48 h, mas não é certo qual a via de contágio. Em estudos retrospetivos de uma série pequena de casos, o vírus não foi detetado em amostras de líquido amniótico, sangue do cordão ou leite materno.

Com base num número limitado de casos reportados, foram observadas complicações em crianças (por exemplo, parto prematuro) em bebés nascidos de mães infetadas com COVID-19 durante a gravidez. No entanto,  não é claro que essas complicações estejam relacionadas com a infeção materna e, neste momento, o risco de complicações nas crianças não é conhecido.

POSSO TOCAR/SEGURAR NO BEBÉ RECÉM-NASCIDO SE TIVER COVID-19?
Para a OMS, contacto próximo e amamentação precoce e exclusiva ajudam o bebé a prosperar.
A grávida deve ser apoiada para amamentar com segurança, assegurando uma boa higiene respiratória, segurar o seu recém-nascido pele a pele e compartilhar um quarto com seu bebé.
No entanto, deve lavar as mãos antes e depois de tocar no seu bebé e manter todas as superfícies limpas.
Se a grávida estiver doente demais para amamentar o seu bebé devido a COVID-19 ou outras complicações, deve ser apoiada para fornecer com segurança seu leite materno de uma maneira possível, disponível e aceitável. Isso pode englobar a remoção do leite materno, relactação ou recurso a leite humano doado.

Segundo a DGS, a separação mãe-filho após o parto nos casos de suspeita ou confirmação de COVID-19, é um assunto controverso, pois ao risco de contágio de recém-nascido opõem-se as vantagens da ligação e amamentação precoces. A DGS recomenda assim que as instituições de saúde tomem decisões individualizadas, tendo em conta a vontade da mãe, as instalações disponíveis no hospital e a disponibilidade das equipas de saúde.
Não havendo separação mãe-filho, a mãe deve lavar cuidadosamente as mãos e colocar a máscara cirúrgica antes de todos os contactos com o recém-nascido.

AS MULHERES COM COVID-19 PODEM AMAMENTAR?
Na opinião da OMS, as mulheres com COVID-19 podem amamentar se assim o desejarem, devendo ter os seguintes cuidados adicionais:
Realizar higiene respiratória enquanto amamentam, “usando uma máscara, quando disponível”;
Lavar as mãos antes e depois de tocar no bebé;
Limpar e desinfetar rotineiramente as superfícies em que tocaram.

Atenção: Destaco a importância na utilização da máscara para evitar o contágio do Novo Coronavírus à criança.

Segundo a DGS, na orientação nº18/2020 de 30 de Março, a DGS refere que não existe evidência sustentada de risco de transmissão viral através do leite materno, mas recomenda que, em situações de separação mãe-filho, a mulher deverá extrair o leite com bomba e deitá-lo fora, até que obtenha 2 resultados negativos para COVID-19.

NOTA: Esta recomendação opõe-se à anteriormente emitida, a 19 de Março de 2020, onde a DGS sugere que as mulheres suspeitas/confirmadas para COVID19 devem manter a amamentação, desde que estejam devidamente informadas e esclarecidas e desde que assegurem boas práticas de higiene e tomem precauções para evitar a transmissão da COVID-19 à criança. Em alternativa, caso a mulher esteja muito doente, sugere que seja incentivada a extrair o leite e não dar directamente à mama.

Cabe ressaltar, se a mãe optar por extrair o leite com uma bomba manual ou elétrica, deve lavar as mãos com água e sabão antes de tocar em qualquer parte da bomba ou do biberão (mamadeira) e seguir as recomendações para uma adequada limpeza e desinfeção da bomba após cada utilização.
Assim, à luz da evidência actual, a amamentação pode ser mantida desde que as mães estejam devidamente informadas e esclarecidas.

Data da última revisão: 21 de Abril de 2020
Fontes consultadas:
Website oficial da DGS (Direção Geral da Saúde)
Website oficial da OMS (Organização Mundial de Saúde)

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