Covid-19: Imigrantes têm que ter acesso à vacina – ONU Migrações

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Manuel Matola

O diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino, defendeu hoje que a vacina contra a Covid-19 deve ser “para todos, incluindo migrantes e refugiados” que “se encontram na Europa”, quando já existem 11 vacinas experimentais na fase três dos ensaios clínicos.

Falando numa Conferência Interparlamentar de Alto Nível sobre Migrações e Asilo na Europa, realizada a partir de Bruxelas em formato virtual, o português António Vitorino apelou hoje à União Europeia (UE) para que garanta o acesso às futuras vacinas da covid-19 aos migrantes que estão no bloco europeu.

“O desafio com o qual são confrontados os Estados-membros da UE é o de garantir o acesso à vacina a todas as pessoas no seu território, não apenas os cidadãos, mas também os refugiados, as pessoas deslocadas e os migrantes que se encontram na Europa”, defendeu Vitorino.

Para o responsável, o acesso às futuras vacinas da covid-19 não é apenas uma questão de proteção dos direitos humanos dos migrantes, mas também “de segurança sanitária e de bem-estar no conjunto de todas as populações dos países de acolhimento”.

O perito português reconheceu que a OIM tem “elevadas expectativas” em relação ao novo pacto em matéria de migração e asilo, em discussão na União Europeia (UE), pelo que à organização comunitária cabe a “necessidade de ter um mecanismo de atuação previsível” a nível europeu.

António Vitorino, DG da OIM
Sem querer “interferir nos assuntos internos da UE”, Vitorino deixou algumas notas sobre a atual situação.

“O Sahel está a explodir” e “a Líbia não é um porto seguro de desembarque” das pessoas que os Estados-membros da UE estão a devolver às origens, por não estarem cobertas pela proteção do asilo, detalhou, deixando ainda o alerta para o desespero que leva os migrantes a optarem até pela rota do Atlântico, uma das mais perigosas do mundo.

Face ao atual cenário, é preciso “reforçar a consistência da resposta” europeia, mas também a cooperação com países terceiros.

“Nenhum país sozinho consegue enfrentar os desafios das migrações”, recordou o diretor da OIM.

Respondendo à pergunta colocada pela deputada portuguesa Edite Estrela sobre o combate à imagem negativa dos migrantes, Vitorino respondeu que “a pandemia mostrou que é possível defender a migração legal”.

Vitorino reconheceu hoje que a OIM tem “elevadas expectativas” em relação ao novo pacto em matéria de migração e asilo, em discussão na União Europeia (UE).

Isto porque, lembrou, em muitos países europeus, metade dos funcionários hospitalares são imigrantes ou com origens migrantes e estão na linha da frente da defesa do bem-estar coletivo. A esses juntam-se os trabalhadores nos supermercados, nos centros de distribuição, nos transportes, nas limpezas, acrescentou.

“Combater o populismo não é fácil, mas passa por contar as histórias de vida dessas pessoas”, sugeriu, frisando que o acesso a uma eventual vacina contra o novo coronavírus deve ser “para todos, incluindo migrantes”. (MM e Lusa)

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