Covid-19: Investigadores Portugueses e o Estudo sobre vitamina D

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Dra. Michele Miranda de Almeida
Consultora Nutricional
A vitamina D é essencial para a manutenção do normal funcionamento do sistema imunitário, pois desempenha ainda um papel importante na prevenção da esclerose múltipla, da gripe sazonal e da depressão, fundamental para o bom funcionamento do nosso organismo nas suas mais variadas funções.

Conhecida como a vitamina do Sol, a vitamina D é um nutriente lipossolúvel, que se dissolve na gordura, sabe-se que a exposição solar é essencial para garantir níveis adequados de vitamina D no organismo, através também, do consumo de suplementos ou da ingestão de determinados alimentos ricos em vitamina D, tais como o leite e seus derivados, o óleo de fígado de bacalhau ou os peixes gordos como o salmão, cavala, sardinha ou atum. Todavia, para o organismo conseguir produzir uma dose adequada (cerca de 80%) de vitamina D, se faz necessário a combinação da exposição solar, bem como a ingestão de alimentos ricos na vitamina com intento de garantir o aporte necessário.

O papel da vitamina D na nossa saúde vai muito além, as diversas funções que desempenha em distintos tecidos e órgãos fazem desta vitamina um nutriente indispensável para a saúde do nosso organismo. Quanto ao trato respiratório, são muitos os especialistas que defendem a sua importância na prevenção de algumas infeções, a sua associação à eficiência do sistema imunitário e ao desenvolvimento do pulmão, ainda durante a vida fetal, poderão justificar esta associação.

Uma maior susceptibilidade a infeções (víricas ou bacterianas), fadiga excessiva e cansaço fácil, são alguns dos sinais que indicam, no entanto, um aporte deficiente desta vitamina.

Alguns cientistas defendem que a falta da vitamina D nos bezerros poderá ter sido no passado a principal causa da doença do coronavírus bovino (BCoV).  Se tem défice de vitamina D no organismo faz sentido que uma infeção como a Covid-19 possa ter um maior impacto no sistema imunitário. Desta forma, parece “admissível” que o uso da vitamina D “possa servir como um potencial meio de intervenção na luta contra a Covid-19″.
 
Em abril, um grupo de investigadores italianos publicou um artigo em que mostrava que os doentes mais graves de Covid-19 tinham níveis de vitamina D quase inexistentes e propunham que ela lhes fosse administrada como parte do tratamento no hospital. Neste instante, a líder do estudo português, docente e investigadora Conceição Calhau, da Nova Medical School da Universidade Nova de Lisboa, e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, não ficou espantada. Aqueles dados vinham ao encontro do que já se sabe sobre o papel fundamental da vitamina D para o funcionamento do sistema imunitário, e em particular na proteção contra as infeções respiratórias. A relação estreita entre a gravidade das infeções pelo novo coronavírus e os níveis deficitários daquela vitamina relatada pelos cientistas italianos era visível. E se tornou um ponto de partida para o estudo com várias indagações.

“Os benefícios da vitamina D em contexto respiratório estão já bem descritos, por interferir diretamente na replicação vírica, mas também em ações imunomoduladoras e anti-inflamatórias, acrescentando que no modelo animal de síndrome de doença respiratória aguda já foi demonstrado que o pré-tratamento com vitamina D diminuía a permeabilidade pulmonar, alterando a atividade do sistema renina-angiotensina e a expressão de ECA2″, esclarece Conceição Calhau.

O objetivo do grupo de pesquisadores portugueses é perceber, com base nos doentes de COVID-19 em Portugal, qual é precisamente o contributo da deficiência em vitamina D na gravidade da infeção por SARS-COV-2, verificar se existe nos doentes uma base genética que estabeleça uma produção menos eficiente da vitamina e, ao confirmarem-se essas hipóteses, produzir recomendações para uma eventual suplementação vitamínica dirigida aos grupos de risco para COVID-19.

Assim, o grupo de investigação propõe-se “não só avaliar os níveis de vitamina D em doentes COVID-19 com diferentes severidades, mas também estudar a prevalência nestes de polimorfismos associados ao metabolismo da vitamina D”.

Por fim, cabe ressaltar que os danos à saúde pela falta de um estilo de vida saudável estão sendo expandidos pela pandemia, pelo que níveis adequados da vitamina D podem muito bem fazer a diferença.(X)

Data da última revisão: 20 de Maio de 2020
Fontes consultadas:
Website oficial do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS)
Website oficial NOVA Medical School – Faculdade de Ciências Médicas
Website oficial https://www.viversaudavel.pt/
Website oficial https://www.theguardian.com/international

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