Covid-19: MNE diz estar a negociar repatriamento de portugueses dos PALOP

0
618
Companhia aérea portuguesa. Foto: TAP ©

O Governo português diz que está a negociar a possibilidade de repatriar os cidadãos que têm pedido o seu regresso dos PALOP, apesar das restrições colocadas por alguns países africanos, no combate à Covid-19.

“Temos estado em contacto com todos os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] colocando duas perguntas: quantos são os portugueses que querem regressar; se são autorizados voos para o seu regresso”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em declarações à Lusa, no dia em que o jornal É@GORA ouviu alguns testemunhos de emigrantes portugueses em Angola.

Na terça-feira, Cabo Verde declarou estado de emergência e suspendeu ligações aéreas com Portugal, seguido de Angola que na quarta-feira anunciou que, a partir da meia-noite do dia 20 de Março, estão suspensos, por 15 dias prorrogáveis, todos os voos internacionais de e para Angola.

A decisão do Instituto Nacional de Aviação Civil de Angola vem no seguimento de uma anterior que cancelava os voos da companhia aérea nacional TAAG de e para Lisboa e Porto, prevendo-se que, a todo o momento, as medidas seriam mais drásticas.

“Já estávamos à espera, até porque o fato dos números estarem a crescer em Portugal e na Europa quando Angola ainda se mantém com zero casos oficiais, antevia que o fecho de fronteiras fosse uma realidade”, afirmou ao jornal É@GORA António Cordeiro, 42 anos, que reside em Angola.

Citado pela Lusa, Augusto Santos Silva disse que já recebeu luz verde de Cabo Verde para repatriar os portugueses que queiram regressar, apesar das restrições que esse país está a colocar para entradas e saídas de estrangeiros, como medidas de contenção à propagação do novo coronavírus.

Também a Guiné-Bissau têm restrições de mobilidade externa e ainda não deram resposta ao Governo português sobre as possibilidades de regresso dos portugueses, cujo número o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) não consegue neste momento estimar.

“Ainda não tive qualquer resposta do Governo da Guiné. E, relativamente a Angola, apenas hoje foram apresentados pedidos, pelo que só agora iniciei contactos com o Governo de Luanda”, explicou Santos Silva.

A vida de António Cordeiro, empresário português residente em Angola há 15 anos, mas com a família em Portugal, é, portanto, um vaivém constante, mas agora vai ser obrigado a parar. E perante este dilema- Angola ou Portugal – preferiu o primeiro. Explica porquê.

“Já tinha viagem marcada para Portugal há uma semana, mas decidi adiar por causa das restrições no meu regresso. E eu precisaria mesmo de regressar. Tenho uma fábrica para gerir e trabalhadores que dependem de mim”. E a família? “A família está em Lisboa e estamos sempre em contacto. Muito preocupado com a progressão do vírus, mas…”. Mas a verdade é que António não seguiu o conselho do Portal das Comunidades Portuguesas , datado de 15 de março onde se pode ler:

“Atendendo à enorme volatilidade da situação internacional no quadro do Covid-19, com consequências gravosas em termos de espaço aéreo e constantes suspensões na atividade de múltiplas companhias aéreas, o Governo aconselha que todos os cidadãos nacionais em viagem no estrangeiro em turismo, negócios ou por outras razões, efetuem, de forma urgente, esforços no sentido de antecipar o seu regresso a Portugal”.

Inês Maria, 55 anos, lisboeta, também não regressou.

“Tanto quanto sei, a maior parte dos portugueses, não residentes ou com dupla nacionalidade, já regressou a casa, em muitos casos tem a ver com o facto de terem a família no país de origem. Apesar dos constrangimentos, sentem-se mais seguros estando em Portugal, além do mais, em momento de incerteza, é razoável que queiramos estar próximos dos nossos. Penso assim, mas não é o meu caso, optei por ficar. Vivo sozinha em Luanda, e numa situação mais delicada confinar-me-ei em casa”, contou ao jornal É@GORA.

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que até agora contava com o apoio da TAP para as operações de repatriamento dos países de língua oficial portuguesa, mas foi informado de que a companhia aérea portuguesa cancelou os voos para África e estava a limitar as ligações com o Brasil, que ficaram confinadas a Rio de Janeiro e São Paulo.

Assim, o chefe da diplomacia portuguesa diz que estudará as opções para operações de repatriação que venham a ser pedidas, admitindo que o número de pedidos aumente à medida que suba o número de casos de contaminação nesses países, que para já se mantém em níveis baixos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 9.000 morreram.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se já por 176 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três. (Redação e Lusa)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here