Covid-19: “O vírus já está presente em todos os Estados-membros” da UE, diz Bruxelas quando Portugal e Espanha encerram fronteiras

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Foto: Will Baker ©

O porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, considerou que encerrar as fronteiras “não é a melhor forma” de conter a propagação do Covid-19, até porque “o vírus já está presente em todos os Estados-membros”, nomeadamente Portugal e Espanha que decidiram restringir a circulação de pessoas e bens por terra, ar e mar entre os dois países.

Mas a presidente da União Europeia (UE), Ursula von der Leyen, propôs aos líderes de governo europeus que introduzam “restrições temporárias” – um mês – “nas viagens não essenciais” para o espaço europeu, assinalando, contudo, que o “pessoal essencial” que ajude a resolver a crise do coronavírus “deve continuar a poder entrar na União Europeia”.

O encerramento de fronteiras é agora um dos principais temas em discussão entre os Estados-membros da União Europeia, incluindo Portugal que hoje decidiu encerrar as fronteiras por terra, ar e mar com Espanha, exceto para mercadorias.

No domingo, os dois países já haviam acordado a interdição de entrada de turistas espanhóis no território português sendo que nesta segunda-feira definiram os termos da restrição da circulação de mercadorias e trabalhadores transfronteiriços.

Falando esta segunda-feira aos jornalistas, o porta-voz da Comissão Europeia disse que, com base na informação que a organização comunitária detém, “a posição da Comissão é que o vírus já está presente em todos os Estados-membros” da União Europeia.

“Por isso, fechar fronteiras não é necessariamente a melhor forma de assegurar que vamos conter a propagação do surto na UE”, disse Eric Mamer,.

No entanto, a seguir aos pronunciamentos de Eric Mamer, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse, numa mensagem em vídeo divulgada através do Twitter, ter solicitado os Estados membros para introduzirem uma restrição temporária das viagens não essenciais para a União Europeia, por um período de 30 dias, assinalando que, “se for necessário”, o prazo poderá ser prolongado.

“Acabo de informar os nossos parceiros do G7 que propus aos nossos chefes de Estado e de governo que introduzem restrições temporárias nas viagens não essenciais para a União Europeia por um período de 30 dias”, escreveu Ursula von der Leyen naquela rede social.

Para a líder do executivo comunitário, ficam isentos desta restrição todos os cidadãos europeus e seus familiares que pretendam regressar a casa, bem como os diplomatas e cidadãos de países terceiros que residam a longo prazo na UE.

Para Ursula von der Leyen, “pessoal essencial, tal como médicos, enfermeiros, cuidadores, investigadores e especialistas que nos ajudem a resolver a crise do coronavírus devem continuar a poder entrar na União Europeia”.

A presidente da Comissão Europeia considera que os transportadores de mercadorias também devem continuar a ter o acesso à UE e justifica: “porque temos de continuar a assegurar o abastecimento de produtos, incluindo bens essenciais como medicamentos, mas também alimentos e componentes de que as nossas fábricas necessitam”.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz da Comissão Europeia disse que “a questão não é a visão” da Comissão Europeia “sobre essas políticas, é como é que se assegura que, tendo em conta as medidas anunciadas por um largo número de Estados-membros, se continuam a atingir objetivos como […] garantir que os hospitais, os pacientes e os sistemas de saúde recebem o apoio necessário e que os bens continuam a fluir no mercado”.

“Ao mesmo tempo, reconhecemos que os Estados-membros têm vindo a atuar consoante a informação de que dispõem e a fazer o que consideram ser necessário no contexto das suas responsabilidades para melhor proteger a saúde dos seus cidadãos”, adiantou Eric Mamer.

Perto de uma dezena de países europeus, incluindo a Alemanha, já anunciaram o fecho das fronteiras para tentar conter o surto de Covid-19. Os outros são Portugal, Espanha, República Checa, Chipre, Dinamarca, Letónia, Lituânia, Polónia e Eslováquia, suspendendo uma medida da UE que vigora no âmbito de um acordo que prevê uma livre circulação de pessoas e bens no Espaço Schengen.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o novo coronavírus já provocou mais de 6.500 mortos em todo o mundo, sendo que o número de infetados ultrapassou as 170 mil pessoas, com casos registados em 148 países e territórios.

A doença foi detetada a 01 de dezembro de 2019 na China, onde os dados das autoridades chinesas apontam para 3.176 mortos naquele que é o país mais afetado pela doença, seguido da Itália, o novo epicentro de pandemia na Europa, com um registo de 1.266 mortos. Hoje Portugal registou a primeira morte, em 331 casos confirmados. (MM)

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