Covid-19: Relaxemos, mas não abusemos

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O desconfinamento obedece a uma maior prudência nos gastos

Adelaide Miranda
(Escritora, Engenheira, Empreendedora)

“Relaxe”… Entramos na era em que temos permissão para sair de casa, voltar a criar uma “rotina”, e tentar viver fora das quatro paredes, de acordo com as novas regras. Os parques estão mais cheios, comércio local com portas abertas, museus e monumentos prontos a receber o público, e brevemente as grandes superfícies comerciais estarão disponíveis. Vamos para a rua todos felizes e contentes, saborear a liberdade, qual reclusos acabados de sair da prisão. A questão que coloco é: E@gora?

O ser humano tem a capacidade de esquecer as crises e retomar os velhos hábitos. É importante, essencial e obrigatório quebrar esta tendência. Agora, mais que nunca, devemos estar atentos ao nosso bolso. Controlar o que entra e o que sai é imperativo para garantir a nossa sobrevivência a longo prazo. Como ouvi, há pouco tempo, um amigo dizer: “Estou a lutar contra a pobreza. Ela é mais violenta que a Covid-19. Persegue-nos a vida toda”.
Podemos relaxar algumas medidas, mas não devemos relaxar a gestão das nossas finanças pessoais.

O “manual” de utilização do dinheiro sofreu muito poucas alterações ao longo dos tempos. Há séculos que a estrutura de base se mantém: ganhar, poupar uma percentagem, gastar com propósito, investir, multiplicar. O Guia Prático da Educação Financeira, passa por 10 dicas rápidas de consciencialização de hábitos a adotar para garantir uma melhor gestão financeira. A solução é sempre análise e disciplina…

A análise do orçamento vai permitir evitar decisões tomadas de cabeça quente. A emoção por voltarmos ao “mundo real” pode levar à tendência para cometer gastos desnecessários. A vontade de experimentar tudo o que temos cá fora será, nesta fase, a nossa maior inimiga. Com base no orçamento podemos analisar se temos a possibilidade de acedermos a alguns “luxos”. A folha de cálculo, ou planilha de orçamento, é a nossa melhor amiga, sem dúvida.

Sim, poupar é essencial, mas “viver” também o é. Sim, é verdade. E há formas de viver sem gastarmos muito dinheiro. A situação Covid-19 veio mostrar-nos isso. Mostrou-nos o quão pouco os bens materiais têm um grande peso na nossa vida. Tanto os “Fiat Uno” como os “BMW” ficaram parados na garagem. Não houve escolha social, de género, nem religiosa. Contudo, nós podemos optar por uma vida economicamente mais sustentável.

Passeios no parque, yoga ao ar livre, visita a monumentos (muitos são grátis), visita a pontos históricos e atividades ao ar livre são a opção para aproveitarmos a nossa liberdade sem gastarmos muito. Podemos fazer uma lista das coisas que deixaram de fazer sentido durante o período de isolamento. Olhar para essa lista e questionarmos se realmente precisamos de reintroduzir esse objeto ou situação a nossa rotina. Vamos ficar surpreendidos com a resposta: não precisamos!

O disco está riscado… A informação é quase sempre a mesma… Compreendo, mas o ser humano só aprende por exaustão ou cometendo erros. A intenção da repetição é evitar que cometam erros. Bater na mesma tecla, e deixar bem claro que as finanças devem ser controladas, geridas e analisadas diariamente, é uma forma de cuidar do próximo.

Relaxemos, mas não abusemos. Saiamos à rua, mas não nos percamos. Vivamos, mas não sobrevivamos. Controlemos as nossas finanças, e assumamos o controlo sobre as nossas vidas. E, lembremos que perigo continua presente. Lavar as mãos, usar luvas, usar máscaras, manter a distância de segurança e ser conscientes. O que nos estão a pedir é muito pouco. O objetivo? Cuidar de nós, cuidar dos nossos e cuidar de todos. (X)

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