Covid-19: “Vamos agir com dureza”, avisa ministra da Saúde de Angola, que registou dois casos

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Ministra da Saúde de Angola, Silvia Lutucuta Miqueias. FOTO: Machangongo | Edições Novembro ©

Alexandra Silveira

Luso-angolana comenta ao jornal É@GORA atual situação em Angola, após registar dois casos suspeitos de coronavírus importados de Portugal.

Corrida aos supermercados e teletrabalho já implementados. Escolas fecham dia 24.

“Muita gente ainda não se apercebeu da notícia de confirmação. Vejo aqui da minha janela a rua cheia de pessoas a irem ao supermercado sem proteção, a minha vizinha foi treinar como se fosse um sábado normal.Julgo que a notícia ainda não se espalhou”, refere Victória Fernandes, luso-angolana residente em Angola, poucas horas depois da ministra da saúde, Sílvia Lutukuta, ter anunciado os dois primeiros casos de vírus de coronavírus que provoca a doença Covid-19 em Angola.

São casos importados de Portugal, dois indivíduos do sexo masculino, com idades entre os 36 e 38 anos, que entraram no país entre 17 e 18 de Março, anunciou a governante, em conferência de imprensa, num apelo claro à quarentena domiciliar, sobretudo a quem chegou de viagem oriundo de países infetados.

“Os rumores dos casos anteriores criaram aqui uma certa desconfiança. Afinal, o que é verdade e o que é mentira. Será que o governo tem estado a esconder para evitar o pânico? Acreditamos que não, mas como a informação não chega a todos é possível que a dúvida ainda persista”, refere Victória, nascida em Portugal e com dupla nacionalidade adquirida há dez anos.

A verdade é que o anúncio chega 12 horas depois da Organização Mundial de Saúde ter desmentido o primeiro caso positivo anunciado ontem.

Na altura, o representante interino da OMS em Angola, Javier Aramburu, esclareceu que todos os testes de casos suspeitos de coronavírus são realizados na presença dos técnicos daquela agência das Nações Unidas.

“Por isso, as pessoas devem parar de inventar informações, porque ao invés de ajudar as instituições, apenas atrapalha e cria alaridos no seio da população”, rematou.

Com voos internacionais ainda a decorrerem no aeroporto 4 de Fevereiro o representante da OMS aconselha o governo angolano a reforçar as medidas de prevenção ao que a ministra foi peremptória:

“Não vamos facilitar e vamos agir com dureza para evitar a propagação Covid-19 no país”, afirmou.

Sílvia Lutucuta foi mais além. Caso não cumpram as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, referiu, serão levados de forma compulsiva para o centro de quarentena de Calumbo, localizado no município de Viana.

Victória reforça o apelo.

“Não há outra forma de travar o vírus. Estamos a acompanhar as notícias de todo o mundo e temos de fazer igual. A partir de segunda-feira já estou a trabalhar de casa”, confidencia-nos e acrescenta:
Na “sexta-feira estivemos a organizarmo-nos para, pelo menos, durante quinze dias estarmos a fazer teletrabalho”.

Técnica superior numa empresa de consultora, Victória diz que também já se muniu de mantimentos para esta quinzena.
Peixe congelado e enlatados já estão na arca e na despensa.

“Notei durante esta semana uma afluência maior aos supermercados. Uma corrida aos alimentos. O parque de estacionamento estava cheio o que não é normal durante a semana”, refere.

As escolas vão fechar a partir do dia 24 segundo despacho presidencial de João Lourenço que ainda há dias falou ao país desde a anunciada calamidade mundial.

”Aguardamos a qualquer momento que o presidente João Lourenço se manifeste num ato de sensibilização nacional”, confessa Victória.

Mas João Lourenço está neste momento em Windhoek, num viagem de um dia para assistir à investidura do presidente da Namíbia.

Se deveria ter suspendido a viagem? “Sim, até para passar uma mensagem clara ao seu país. No entanto, acreditamos que o presidente deva ter seguido as normas máximas de proteção e queremos que ele ‘chegue bem’, assim como ‘bem’ estejam os familiares que em Portugal vivem dias conturbados”.

Victória assinala sua rotina diária destacando o contacto com os familiares.

“Falamo-nos diariamente. Várias vezes ao dia. Estamos vigilantes dos atos de cada um, a dar conselhos, e a rezar para que nada aconteça”, remata Victória que nota pelas redes sociais uma grande ansiedade e uma corrente de força junto dos angolanos. (As)

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