Debate sobre contributo da diáspora guineense em prol do país marca festividades do Dia da Independência no estrangeiro

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O papel da diáspora guineense para o desenvolvimento do país e a promoção da biodiversidade da Guiné-Bissau através do turismo são temas de duas palestras que vão marcar as cerimónias centrais do Dia da Independência, em Hamburgo (Alemanha), onde será feito o pré-lançamento do livro do escritor Luciano Pereira, intitulado “Os homens têm medo de mulheres independentes”.

A Guiné-Bissau comemora na próxima terça-feira 46 anos de independência que foi proclamada nas Colinas de Boé, por Nino Viera, o primeiro presidente guineense eleito democraticamente, ato que no estrangeiro será assinalado na cidade alemã de Hamburgo, no dia 28 de setembro, com a realização de palestras e apresentação do segundo livro do escritor e romancista guineense, Luciano Pereira, que reside na Bélgica.

A proclamação da independência da Guiné-Bissau foi a 24 de setembro de 1973, em Lugadjol, mas só no ano seguinte, em 1974, é que Portugal reconheceu o direito de soberania do território aos guineenses.

A discussão sobre o contributo da diáspora em prol do desenvolvimento da Guiné-Bissau terá como oradores o Secretário de Estado das Comunidades, Malam Bacai Sanha, o Embaixador da Guiné-Bissau em Bruxelas, Polinário De Carvalho, bem como o consultor de Migração e desenvolvimento Rural, Bernd Leber.

Também irão fazer parte do evento o presidente de Instituto de Biodiversidade e das áreas protegidas, Justino Biai, o ex-ministro de Saúde guineense, Agostinho Cá, e o líder da Associação “Nó Lanta Djunto”, Saliha Von Medem, que deverão contribuir com ideias no debate do tema “Turismo: razão para conhecer a Guiné-Bissau, o país da Biodiversidade”, segundo refere a Associação Guineense e Amigos da Guiné-Bissau, em Hamburgo, numa nota a que o jornal É@GORA teve acesso.

De acordo com “Programa de Emergência Ano 2019” da República da Guiné-Bissau, “o principal objetivo da política externa do Estado será o de reabilitar a imagem da Guiné-Bissau no exterior e assegurar a progressiva credibilização do país, procurando atrair investidores estrangeiros e voltando a captar a atenção dos tradicionais parceiros de desenvolvimento”.

O documento recentemente divulgado pelo governo guineense, a que o jornal É@GORA teve acesso, indica no plano da Diplomacia, Cooperação Internacional e Diáspora que “a política externa deverá velar pelo bem-estar” das comunidades da Guiné-Bissau espalhadas pelo mundo, “valorizando a sua condição de cidadãos guineenses de pleno direito e incentivando a sua participação no desenvolvimento económico, social e cultural do país”.

Nos últimos quatro anos, a Guiné-Bissau viveu um clima de forte crispação social devido a sucessivas quedas de governos, por falta de entendimento institucional entre o atual chefe de Estado, José Mário Vaz, e a quase totalidade das figuras indicadas para liderar o executivo guineense, cargo que constitucionalmente é exercido pelo primeiro-ministro.

Em declarações recentes ao jornal É@GORA, em Lisboa, o presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e candidato presidencial às eleições de 24 de novembro, Domingos Simões Pereira, disse ser “preciso ouvir e respeitar a opinião da diáspora” sobre as questões importantes do país enquanto “um prolongamento da população” guineense.

Falando à margem de uma conferência de militantes e simpatizantes do PAIGC na diáspora europeia, que decorreu em agosto, em Lisboa, sob lema “Resgatar o Sonho Guineense e Projetar o Desenvolvimento da Guiné-Bissau”, Domingos Simões Pereira afirmou ser “responsabilidade de todos criar um ambiente favorável para que a governação possa ser exercida num ambiente de tranquilidade e favorável à implementação dos programas”.

As eleições presidenciais do dia 24 de novembro vão abrir um novo ciclo político na Guiné-Bissau depois de, nos últimos cinco anos, se ter assistido a difícil coabitação entre o atual Presidente guineense e os sucessivos primeiros-ministros que se viram impedidos de exercer plenamente o cargo, incluindo Domingos Simões Pereira que, apesar de ter vencido as legislativas de março deste ano, o nunca tomou posse, por decisão do chefe de Estado.

Recentemente, José Mário Vaz anunciou que se vai recandidatar à sua própria sucessão, devendo disputar o cargo, entre outros, com Domingos Simões Pereira que, agora, foi eleito candidato do PAIGC para concorrer às eleições à Presidência da República da Guiné-Bissau. (MM)

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