Depressão Pós Parto: uma realidade

0
198

Lectícia Trindade (Escritora)
Muitos de nós certamente já ouviu falar em depressão pós parto, por ter lidado diretamente com ela, por ter lidado com alguém que já teve, ou por “simplesmente “ ter ouvido falar.
Hoje trago-vos este tema, que apesar de ser cada vez mais uma realidade, há cada vez mais mitos e/ou dificuldades em saber lidar, uma vez que ainda é considerado por muitos, um tema tabu.

Mas afinal de contas, o que é a Depressão pós parto?

Muitos dizem que é um “grau de tristeza “, outros, que é “uma mariquice “, outros ainda “ uma forma de chamar a atenção “, poucos são os que vêm como uma DOENÇA QUE PODE E DEVE SER TRATADA. Por haver tanta desinformação sobre este tema, e também haver tanto medo ou vergonha – é que ainda afeta cerca de 20 a 35% das mulheres – não é dada a importância ou o cuidado que merece.
O pós parto é uma extensão da gravidez, e é um momento crucial porque é o momento em que a mulher passa a ter a real noção da maternidade. É aí que muitas começam a sentir-se “Mães de verdade”. Assim como na gravidez, no pós parto, a mulher deve sentir-se estável emocionalmente para ter forças para cuidar de um novo ser. Devem ser reunidas as condições necessárias para que a mulher possa desfrutar desse momento de forma plena, mas infelizmente, aquando de uma situação de Depressão Pós Parto, a mulher sente que lhe foi retirada a oportunidade de desfrutar desse momento.

Sinais e Sintomas

Como qualquer outra doença, a Depressão Pós Parto tem sinais e sintomas. E devemos conhecer minimamente quais são para podermos agir de forma prematura. Importa lembrar que somos todos seres humanos únicos e podemos ter sintomas diferentes à mesma doença. Irei identificar os que são mais comuns numa situação de Depressão Pós-Parto, mas pode haver quem tenha a doença e não seja manifestada por estes sinais:

Irritabilidade ou choro;
Falta de energia;
Desinteresse pelo bebé ou pelas atividades que fazem parte da sua rotina diária;
Tristeza prolongada superior a 2 semanas;
Pensamentos suicidas;
Alteração do padrão do sono;
Alteração do padrão da alimentação;
Falta de auto estima/ auto confiança;
Sentimentos de culpa
Sentimentos de inferioridade;

Certamente deverá pensar que muitos dos sinais referidos a cima são sinais comuns do pós parto e não é por esse motivo que a pessoa possa estar com Depressão Pós Parto. Tem toda a razão. No entanto, quando esses sinais são mais frequentes, e acontecem por um longo período de tempo ( 2 a 3 semanas ) de forma persistente, pode ser sinal de que algo não está bem. São sinais que normalmente ocorrem nos primeiros 3 meses do pós parto, mas, nalguns casos, podem ocorrer num período de até 18 meses após o parto.

Causas

Podemos considerar como causas maioritárias fatores biológicos, psicólogos, socioeconómicos e familiares. Ou seja, existe uma maior predisposição numa mulher com historial de depressões desenvolver uma Depressão Pós Parto, do que naquela que não tenha qualquer registo de situações semelhantes. O desequilíbrio familiar e/ou socioeconómico são também grandes fatores que elevam a probabilidade de ocorrer este tipo de doença.
Podemos também pensar na IMIGRAÇÃO como uma das causas. Não a Imigração em si, mas tudo o que desta situação advém: os medos, as angústias, o sentimento de isolamento, a instabilidade financeira que pode haver quando se está num país que não o nosso…São todas situações geradoras de stress emocional e ansiedade.
O “Ser Mãe de 1ª viagem” pode também ser uma situação que predispõe ao desenvolvimento da Depressão Pós Parto, pois pode espoletar ansiedade e sentimentos de insegurança.

Tratamento

A melhor forma de tratar um quadro de Depressão Pós Parto é a prevenção. Para prevenirmos, devemos preparar-nos psicológica, emocional e financeiramente antes de recebermos o novo elemento nas nossas vidas.
Pesquisar e ler informações ou relatos sobre o pós parto também nos ajuda a ter uma melhor perceção do que “nos aguarda”.
Fazer uma boa gestão do tempo, com o apoio familiar, para que tenhamos momentos para cuidar de nós, é uma forma de mantermos a autoestima e a confiança em alta.
Planear cuidadosamente o nosso dia a dia, é algo muito difícil para uma recém mamã, mas é essencial para termos maior controle das coisas e não nos sentirmos perdidas.

Quando já existem indícios (ainda que pequenos), devemos ser capazes de verificar que algo de errado existe e que, talvez, seja melhor procurar uma ajuda profissional.
Estar em contacto com outras recém mamãs também nos ajuda a encontrar ferramentas para lidar com a situação de forma mais eficaz.

Você que acabou de ser mamã, lembre-se que não está sozinha e que o medo sentido neste período é natural, mas pode se tornar numa doença se não for gerido de forma adequada. (X)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here