Depressão: Um testemunho pessoal da escritora T. M. Grace

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Escritora T. M. Grace
Olá queridos leitores, sou T. M. Grace, escritora, terapeuta na área de naturopatia, psicologia não convencional e psicologia positiva. Desde já agradeço o convite do jornal É@GORA para falar sobre depressão.

Enquanto a psicologia convencional está focada no tratamento das doenças da mente e os estados de desordem que afligem as emoções do ser humano, a psicologia positiva tem como principal objetivo ajudar o ser humano na procura de motivos para tornar a sua vida mais plena, feliz e autêntica.

Intervém de forma duradoura e genuína na construção de uma jornada de autoconhecimento que tem como objetivo principal evitar que a doença se manifeste e mostrar ao indivíduo que é possível conquistar um estado de felicidade mais duradouro e genuíno.

Este é um tema que me diz bastante, visto que durante a minha vida também passei por alguns episódios da depressão, que foram desencadeados por eventos traumáticos e me levaram a tentar o suicídio por duas vezes, aos doze e aos dezoito anos. A depressão é uma doença do foro psicológico/emocional, que atinge uma grande parte da população mundial em várias faixas etárias.

Esta é uma doença silenciosa muitas vezes incompreendida, que se caracteriza por uma tristeza profunda, sentimento de desespero, oscilação de humor, perda de motivação, diminuição do sentimento de prazer e bem estar, sentimento de desvalor pessoal, a não aceitação de si mesmo ou das circunstâncias da vida. Todos estes sintomas podem chamar a atenção de que podemos estar diante de um estado depressivo ou estar a desenvolver um quadro mais grave de depressão.

Tendo em conta que dependendo do estágio da doença, a pessoa poderá também desenvolver distúrbios alimentares, isto é, compulsão em comer ou total rejeição de alimentos, distúrbios do sono, que podem manifestar-se em dormir em demasia e não ter força para sequer se levantar da cama ou a ausência de sono, levando a pessoa a desenvolver cansaço crónico e falta de energia.

O sentimento de Insatisfação em quase todas as áreas da vida é também um sintoma recorrente, levando o paciente a desistir das suas tarefas do dia a dia, falta de iniciativa, lentidão motora e mental. A depressão qualifica-se em três estágios: depressão ligeira, moderada e grave. Quando estes sintomas são pontuais, muito espaçados no tempo, considera-se depressão ligeira, quando começa a manifestar-se um quadro recorrente, em que os sintomas se intensificam colocando em risco a vida do individuo e tiver uma durabilidade de mais de seis meses, já estamos perante um quadro mais grave.

Num quadro depressivo também pode incluir a bipolaridade. Existe a depressão bipolar tipo 1, que é intercalada com episódios de euforia e a tipo 2, na qual os episódios fora da depressão tem uma euforia um pouco menos intensa.
Existe também a depressão sazonal, por exemplo no inverso, quando há menos sol, isso influencia a produção de neurotransmissores tais como a dopamina, a serotonina entre outros que agem no sistema nervoso central. A melatonina por si só não traz melhorias no humor ou bem-estar, mas ela ajuda a regular os ciclos de sono e o descanso adequado, trazendo benefícios que ajudam a diminuir o risco de depressão.

Em qualquer um dos estágios depressivos é importante que o indivíduo seja assistido por um profissional de saúde para que seja identificado o estágio da doença e se possa prescrever o tratamento adequado. Não raras vezes, o paciente, independentemente do estágio, pode encontrar-se em reação da doença, acreditando que é só uma fase, que está tudo bem.

Em casos depressivos é de extrema importância que a família e amigos estejam atentos a evolução dos sintomas, tentem perceber o que desencadeia os episódios depressivos e se a pessoa estiver em negação, fazer algo para que não se magoe ou na pior das hipóteses, para que não se tente suicidar. Nos últimos anos a taxa de suicídio entre os jovens aumentou imenso.

A pessoa deve evitar o isolamento, deve tentar sair, dar alguns passeios pela natureza, apanhar sol a fazer atividades que lhe proporcionem bem estar. É importante que se encontre uma motivação, algo que se goste de fazer.
No meu caso em particular encontrei na escrita o meu pilar central, onde me refugiei, onde me perdi e também onde me encontrei nos momentos mais difíceis da minha história. Quando ao 18 anos acordei do coma no hospital, após ter tentado pôr termo à vida. Não tinha as ferramentas nem as pessoas necessárias no momento para olharem para o que se estava a passar comigo.

A sensação que tive foi de um enorme vazio e nesse vazio, foi onde eu me ouvi, me encontrei e me dei o devido valor, quase como se fosse a primeira vez. Tive tempo de olhar para dentro, e agradecer a nova oportunidade que a vida me estava a dar, e foi nessa altura que resolvi arregaçar as mangas e lutar por mim, procurar estudar sobre o assunto e procurar novas formas de conhecimento que de alguma forma me pudesse ajudar e hoje transmito esse conhecimento a quem dele necessita.

Nunca me vitimizei, até porque poucas pessoas sabiam o que se tinha passado comigo e só há muito pouco tempo consegui começar a falar sobre o assunto mais abertamente, precisamente para ajudar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo, para lhes fazer ver que há tratamento, há esperança, há sempre alguém pronto a ajudar, há excelentes profissionais de saúde que encaminharão da melhor forma, há sempre alguma coisa que podemos fazer para ocupar a mente e afastá-la de pensamentos destrutivos. Exercício físico, yoga, ler, escrever, meditação, autoconhecimento, ajudar outras pessoas…

A depressão é sim uma doença que mata e temos de lhe dar a devida importância para que não continue a fazer mais vítimas. (X)

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