Despesa com doentes em junta médica em Portugal é “insustentável” para o Estado angolano, diz PR

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Presidente angolano no discurso do Estado da Nação

O Presidente de Angola, João Lourenço, considerou que o valor gasto com os 286 doentes em junta médica em Portugal está a tornar-se “insustentável” para o Estado angolano e assegurou que o governo de Luanda está “determinado” a reverter esta situação “o mais rápido possível” construindo centros públicos de hemodiálise em cinco províncias do país.

No discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional, João Lourenço referiu que “o Estado angolano vem suportando ao longo de décadas as despesas com 286 doentes em junta médica em Portugal, dos quais 48 insuficientes renais, parte deles transplantados, e mais 152 acompanhantes”.

Sem mencionar os valores envolvidos, o chefe de Estado angolano disse que, para transferência de doentes para Portugal, Angola gasta anualmente “avultados recursos” e “por se apresentar insustentável”, as autoridades angolanas vão “investir em infraestruturas e recursos humanos” no país.

“Está em execução um plano de abertura de centros públicos de hemodiálise em cinco províncias, que vão assegurar a redução gradual dos custos com o tratamento ao nível local e a redução radical de evacuações para o exterior por insuficiência renal”, disse.

João Lourenço reconheceu que a transferência de doentes para Portugal tem sido uma das maiores preocupações do governo de Angola, sendo igualmente uma das principais reclamações da diáspora angolana que nos últimos anos tem vindo a protestar contra as políticas do governo de Luanda pelo tratamento a que os angolanos são sujeitos na embaixada em Lisboa.

Aquando da visita de Estado a Portugal, em novembro do ano passado, o Presidente angolano prometeu melhorar as condições dos doentes angolanos com junta médica em Portugal, mas são várias as vozes que têm denunciado que a situação tende a deteriorar-se.

Recentemente, o presidente da Associação de Apoio aos Doentes Angolanos em Portugal, Gabriel Chimuco, que foi quem expôs a situação dos pacientes a João Lourenço, endereçou uma Carta Aberta ao setor de saúde da Embaixada de Angola, na qual ameaçava sair à rua, em Lisboa, para protestar, caso as promessas do chefe de Estado angolano não fossem cumpridas.

E na mensagem do Estado da Nação, durante a cerimónia da abertura do ano legislativo, nesta terça-feira, o Presidente de Angola voltou a garantir a resolução do problema dos doentes em Portugal e não só.

“Estamos determinados a reverter esta situação o mais rápido possível por se apresentar insustentável, investindo no país em infraestruturas e recursos humanos em vez de continuar a gastar os avultados recursos transferidos anualmente”, assegurou João Lourenço.

O chefe de governo angolano anunciou ainda os avanços registados nesse campo.

“Em termos de unidades de hemodiálise, para além dos privados existentes, entraram recentemente em funcionamento os centros públicos de hemodiálise da Huíla e do Hospital Pediátrico David Bernardino em Luanda e a mais recente unidade do hospital provincial do Luena, no Moxico”, frisou, acrescentando.

“A perspetiva é abrir mais centros públicos de hemodiálise em Luanda e em outras províncias”, assegurou João Lourenço, quando falava sobre área da saúde, que a par dos sectores da Energia e Águas, e da Educação “são talvez aqueles que mais preocupação suscitam junto das famílias angolanas e (que) é justo e compreensível que assim seja”.

À semelhança de Angola, onde não há meios clínicos adequados para dar resposta, sobretudo, ao problema de hemodiálise, os governos dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP), no geral, têm recorrido a Portugal, antiga potência colonial, para que os seus cidadãos tenham acesso a tratamentos hospitalares.

Contudo, parte considerável destes doentes que, por razões diversas, são evacuados de seus países, onde não existe, por exemplo, centros de diálise, vivem em ambiente de grande fragilidade em Portugal, enfrentando dificuldades de ordem financeira e social. (MM)

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