Diáspora angolana exige “explicações a João Lourenço”, nova manifestação internacional a 11 de novembro

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Manuel Matola

A Plataforma de Reflexão Angola, uma associação independente de defesa da diáspora angolana em Portugal, exige “explicações a João Lourenço”, presidente angolano, após a violência policial e detenção de ativistas e jornalistas na manifestação realizada em Luanda, onde irá ocorrer novos protestos no dia da independência, 11 de novembro.

Aquela agremiação quer que o chefe de Estado angolano, “na qualidade de líder do executivo angolano, se pronuncie sobre o sucedido” e “diligencie com urgência e prioridade a abertura de um inquérito aprofundado sobre as responsabilidades do Governo Provincial de Luanda e das autoridades policiais no terreno”.

“A Plataforma de Reflexão Angola (PRA) recebeu com enorme tristeza e indignação as notícias vindas de Luanda, onde no passado Sábado, dia 24 de Outubro, se realizou uma manifestação convocada há mais de três semanas, pedindo a melhoria das condições de vida dos angolanos e a realização das primeiras eleições autárquicas no país”, refere o presidente em exercício da PRA, Manuel L. Dias dos Santos, em nota enviada ao jornal E@GORA.

Segundo o comunicado, “a agressão policial e a detenção de ativistas e jornalistas são injustificáveis, bem como a privação dos direitos, liberdades e garantias consagrados constitucionalmente. E por isso dirigimos a todos os nossos irmãos e irmãs um abraço de apoio e de solidariedade”.

Em conferência de imprensa realizada hoje em Luanda, os organizadores da manifestação reprimida pela polícia angolana no sábado passado anunciaram que dois manifestantes morreram “baleados” durante os protestos, e outras 50 ficaram feridas.

Segundo a informação hoje avançada pelos promotores da marcha, das 500 pessoas desaparecidas, 387 continuam com paradeiro incerto.

Manuel L. Dias dos Santos, presidente em exercício da PRA
Para Manuel L. Dias dos Santos, “o direito de manifestação está estabelecido na Constituição e é um Direito Humano
fundamental, que não pode ser reduzido ou aniquilado, nem mesmo em tempo de COVID-19”, até porque “a democracia não se suspende em razão da pandemia, assim como não se encontram suspensas as dificuldades por que passam os Angolanos”.

No dia 24 de outubro, mais de uma centena de ativistas e jornalistas de órgãos nacionais e estrangeiros foram violentados e detidos na manifestação ocorrida na capital angolana. Entretanto, todos os manifestantes detidos e presos já estão soltos sem acusações formais.

Os organizadores da manifestação do fim de semana agendaram um novo protesto a nível nacional e internacional para o dia 11 de novembro, evento que pretende ser “pela cidadania, pelo fim do elevado custo de vida e por autarquias em 2021 sem rodeios”, segundo se lê num cartaz a que o jornal É@GORA teve acesso.

A propósito da manifestação do dia 24 de outubro na capital de Angola, Manuel L. Dias dos Santos considera que “ao contrário do que se quer fazer crer, a violência não foi trazida às ruas de Luanda por uma corja de arruaceiros sem princípios. A violência está em quem permite que a fome e a doença progridam sem freio num país que tem tudo para ser um dos mais prósperos do mundo”. (MM)

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