Campanha solidária global angaria 3.000 euros em apenas 24 horas

0
253

Manuel Matola

A diáspora moçambicana em Portugal está a desenvolver uma campanha a nível global denominada “Juntos por um Cabo (Delgado)” que, 24 horas após o lançamento da ação solidária, nesta terça-feira, angariou três mil euros, valor que servirá para acudir o drama social, económico e humanitário que se vive no norte de Moçambique.

Os fundos obtidos pela campanha solidária internacional “irão reverter a favor de um projeto agrícola na região de Mieze, que fica há 13 quilómetros da cidade de Pemba, onde já temos disponível 12 hectares de terra para fazer agricultura, mas existem 100 (hectares) à volta com outros pequenos agricultores a trabalharem”, disse hoje ao jornal É@GORA o coordenador da Plataforma Solidária Makobo, Ruy Santos.

O ativista, que, diariamente, dirige projetos humanitários para fazer face às “condições muito degradáveis” e à “situação humanitária muito grave” que se vive desde 2017 em Cabo Delgado, explicou qual a finalidade da verba.

Ruy Santos, coordenador da Plataforma Solidária Makobo, em Cabo Delgado
“Nós pretendemos fazer cooperativa com esses pequenos agricultores para prestar apoio ao maior número possível de famílias, não só deslocadas, mas famílias de acolhimento também”, disse o ativista.

A idoneidade da Plataforma Solidária Makobo é reconhecida internacionalmente, pelo que recentemente Ruy Santos recebeu o prémio “Commonwealth Points Of Light” e manteve uma reunião com Rainha Elizabeth II, que realizou um webinar com mais dois jovens voluntários: Len Peters, de Trindade e Tobago, onde tem um projeto de proteção de espécies de tartarugas ameaçadas de extinção, e uma docente do Chipre, Nikoletta Polydorou, que apoia crianças carentes a quem oferece educação musical e instrumentos gratuitos.

De Portugal, estão figuras moçambicanas ligadas à área da comunicação, sobretudo da televisão e rádio a apelar a diáspora moçambicana, e não só, no sentido de ajudar as vítimas dos ataques terroristas em Cabo Delgado.

Luís Sinate, um dos mentores da campanha “Juntos por um Cabo (Delgado)”
Em declarações ao jornal É@GORA, o académico moçambicano Luís Sinate e um dos mentores desta iniciativa, explicou como é que partiu a ideia desta ação solidária e de emergência.

“Nós reunimos alguns moçambicanos que estão aqui em Portugal mais precisamente aqueles que estão ligados à comunicação social: eu na televisão, a jornalista Conceição Queiroz também na televisão, alguns na rádio, como Germano (Almeida) da RDP-África, mais alguns moçambicanos que têm aqui alguma popularidade para realizar esta campanha, precisamente porque não nos queríamos manter indiferente perante aquilo que está a acontecer em Cabo Delgado”, disse Luís Sinate, que reside em Portugal.

Em nota, os organizadores da campanha referem que o propósito desta ação solidária e de emergência visa a angariação fundos de “todos os moçambicanos e seus descendentes, amigos e simpatizantes de Moçambique, entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais e /ou qualquer cidadão do mundo” que queiram colaborar para minimizar o sofrimento e perdas de vidas humanas em Cabo Delgado.

O conflito, que eclodiu em 2017, já causou mais de duas mil mortes e desalojou milhares de pessoas de suas casas. Um dos desaparecidos é membro do Fórum da Juventude da CPLP que reside no distrito de Palma, a região que sofreu ataques terroristas no passado dia 24 de março.

Assaitu Djaló, presidente do Fórum da Juventude da CPLP
Em declarações ao jornal É@GORA, a nova presidente do Fórum da Juventude da CPLP, Assaitu Djaló, disse a partir da Guiné-Bissau que a organização está abalada com a situação que ocorre no norte de Moçambique.

“Recebemos essa notícia há dois dias de que o jovem dirigente associativo (do Fórum da Juventude da CPLP) em Moçambique, que era muito ativo, está neste momento desaparecido e vários outros jovens também perderam a vida nesse ato terrorista. E como jovens, nós gostríamos que o governo de Moçambique, com mais sabedoria e dedicação, e com ajuda também de outros países, possa ter soluções e encontrar respostas para essa situação”, disse Assaitu Djaló,.

A dirigente lembrou que há dias os jovens lusófonos realizaram um encontro que discutiu a questão de Cabo Delgado. Assaitu Djaló garantiu que o Fórum vai usar a sua projecção para ecoar em diferentes pontos do globo o que está a acontecer naquela província moçambicana.

“Nós estamos bastante preocupados com o que está acontecer em Cabo Delgado” onde, “principalmente, os jovens estão a morrer”, afirmou.

Em entrevista ao jornal É@GORA, o coordenador da Makobo lembrou que a cidade turística de Pemba “mais do que duplicou a sua população residente, porque há pessoas que acolheram até 50 familiares nos seus quintais”.

Anteriormente, os organizadores da campanha “Juntos por um Cabo (Delgado)” descreveram em nota “o drama social, económico e humanitário vivido em Cabo Delgado que afeta o mais íntimo e profundo dos sentidos de qualquer ser humano consciente do sofrimento, dor e morte de populações inocentes, particularmente dos moçambicanos”.

Segundo o governo de Moçambique, pelo menos 30 mil pessoas continuam escondidas no distrito de Palma a precisar de apoio urgente.(MM)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here