Economia Familiar em Tempos de Covid-19

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Adelaide Miranda
(Especialista em Finanças)

Fomos surpreendidos por um inimigo matreiro, silencioso e imperdoável. O vírus que causa a Covid-19, mais conhecido por Coronavírus, chegou sem avisar e deixou-nos, a quase todos, praticamente com as “calças na mão”.
De repente, fomos forçados a cumprir pena de “prisão domiciliária” sem prazo determinado. Muitos de nós, infelizmente, deparamo-nos com o desemprego ou com redução no salário. E, agora? O que fazer?

 

Como tudo na vida, o que devemos fazer primeiro é analisar a situação com papel e caneta na mão. Apontar as despesas familiares correntes e o rendimento atual. Antes de podermos decidir o que fazer, devemos sempre saber onde estamos. Esta análise apesar de “assustadora”, porque nos vai fazer ver a realidade, é importante, essencial e obrigatória. Só assim estaremos em condição de decidir o que fazer a seguir.

Se não temos um orçamento familiar, está na hora de criarmos um. Devemos apontar todas as despesas (renda, utilidades, telefone, transportes, saúde, alimentação, subscrições, prestações, etc). Ao criarmos o orçamento devemos ser o mais honestos possíveis e acrescentar todas as despesas até ao último centavo.

Após terminarmos o orçamento familiar devemos comparar os rendimentos. Não é preciso sermos “experts” em matemática. Basta somarmos as despesas todas e subtrairmos ao rendimento.

O valor dá negativo? Não é necessário entrar em pânico. Está na hora de reanalisar o orçamento por forma a decidirmos onde se podem cortar gastos.

Tudo deve ser analisado ao pormenor. Podemos começar por implementar medidas para reduzir o consumo de energia em casa, escolher produtos de marca branca no supermercado, fazer uma lista de compras antes de sair, analisar subscrições que podem ser eliminadas (há gastos que em tempos Covid-19 não se justificam), ou seja, tentar reduzir ao máximo as despesas.

Feita a análise do orçamento e dos rendimentos, se continuamos com dificuldades devemos pesquisar os apoios a nível do governo durante o estado de emergência. Para agregados familiares com redução de salários e em determinadas condições haverá, por exemplo, subsídio para rendas. O importante é estarmos a par de todas as medidas que poderão ajudar durante esta fase. As instituições bancárias instalaram o regime de moratórias que permitem a redução das prestações a nível de crédito habitação e crédito pessoal… Ou seja, devemos estar atentos a todas as oportunidades de apoio.

Posto isto, acrescento que devemos ser mais conscientes das nossas despesas e dos nossos gastos. Reduzir o consumo de produtos que não são essenciais, planear as refeições por forma a diminuir desperdícios, garantir o uso correto das utilidades (não deixar luzes acesas, torneiras a pingar, etc) e evitar gastos desnecessários. Devemos estar conscientes de tudo o que ganhamos e de tudo o que gastamos para podermos decidir onde gastar o pouco que nos resta.

Estas medidas devem ser consideradas não apenas em tempos de crise, mas sempre. A melhor forma de não sermos apanhados desprevenidos é ir fazendo o uso consciente do nosso dinheiro e amealhando o que for possível, pelo menos 10%. A defesa é sempre que o dinheiro mal chega para as despesas correntes, contudo, se analisarmos bem, fizermos uso consciente de tudo o que temos poderemos sempre poupar um pouco mais.

Nem que seja 10 euros por mês, “grão a grão enche a galinha o papo”.

Lembrem-se, também, de usar os vossos “dotes” para aumentar a vossa capacidade de ganhar. Tentar gerar uma fonte de rendimento adicional é crucial. Vender os “kitutes” com a famosa receita da avó, fazer arranjos de costura, fazer recados (ir as correios, às compras, etc) para outras pessoas, são excelentes formas de fazer um dinheirinho extra.

Para terminar, peço-vos que sejam conscientes e apenas saiam de casa para o essencial. Se ficarmos em casa e praticarmos todas as medidas de prevenção, mais cedo terminará a nossa “prisão domiciliária” e mais cedo poderemos voltar ao normal e cuidar da nossa economia familiar.(X)

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