Economista Anabela Chambuca recebe ouro como prémio de melhor estudante moçambicana em Portugal

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Economista Anabela Chambuca

Manuel Matola

A economista Anabela Chambuca, formada pela Universidade de Coimbra, é a vencedora do “Prémio Joaquim Chissano – Alumni 2021” por se ter destacado como a melhor estudante moçambicana em Portugal, pelo que é agraciada com um prémio inusitado: uma barra de ouro.

O galardão, uma “barra de ouro de 50 gramas com o Grau máximo de pureza do mercado (999.9), referência C-Hafner Fine Gold Bar 50g Minted e certificado pela London Bulliion Market (LBMA), que contem um número de série único, acompanhado por uma placa identificativa do prémio, do ano e o seu nome, é atribuído pela Câmara de Comércio Portugal Moçambique (CCPM).

Numa cerimónia realizada esta quarta-feira, a instituição entregou o prémio em reconhecimento a individualidades moçambicanas que fizeram os seus estudos em Portugal, realizaram trabalho relevante e se tenham distinguido na área Académica, no Empreendedorismo, na Causa Pública ou de Gestão em Moçambique.

Anabela Chambuca formou-se com distinção na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra entre 1995-2000 e duas décadas depois volta àquela instituição de ensino para participar no evento de entrega do prémio que decorreu na Sala do Senado da Universidade de Coimbra e foi transmitido no Facebook da CCPM e no das Relações Internacionais da Universidade de Coimbra.

Segundo a CCPM, Anabela Chambuca teve “um percurso académico e profissional primado pela excelência e singularidade”.

Em 2001, um ano após concluir a licenciatura, a economista fez um estágio na Bolsa de Valores de Lisboa e Porto, atual Euronext Lisbon, e no ano seguinte integrou o quadro do Ministério das Finanças de Moçambique, tendo, entre 2002 e 2010, adquirido experiência em gestão da dívida pública.

De 2005 a 2010 foi Chefe de Departamento da Dívida Pública. De 2010 a 2012 exerceu as funções de Diretora Nacional Adjunta do Orçamento, tendo coordenado a área de análises e previsões orçamentais. Em 2012, foi indicada presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM).

Reagindo, Anabela Chambuca endereçou o prémio “a todos os estudantes moçambicanos que sonham em se formar e os que concluíram a sua formação em Portugal, e não só, e que conseguriam acrescentar valor ao capital humano de Moçambique nas mais diferentes áreas”.

Segundo uma nota da CCPM enviada ao jornal É@GORA, o objetivo da iniciativa “é distinguir individualidades que, em parte ou no todo, tenham feito os seus estudos em instituições de ensino superior em Portugal, e tenham contribuído de forma decisiva e com particular impacto na sociedade moçambicana, quer através de uma abordagem teórica (designadamente, com a introdução de novos conceitos, de novas metodologias ou da contribuição para a modificação de mentalidades), quer por via de uma abordagem prática (designadamente, de modalidades de apoio direto)”.

Só os cidadãos de nacionalidade moçambicana “são elegíveis” ao prémio, desde que “tenham frequentado instituições de ensino superior em Portugal, e que se tenham distinguido, em Moçambique, na defesa e na promoção do ideal de uma sociedade inclusiva”.

As candidaturas desta iniciativa que é anual decorreram ao longo do mês de março do corrente ano e o Conselho Geral da CCPM identificou um máximo de seis projetos que foram alvo de votação.

Cada Instituição de Ensino Superior (IES) associada da CCPM pode, anualmente, propor um seu antigo estudante moçambicano (Alumni) que se tenha particularmente distinguido na sua vida académica, e ao qual a CCPM atribuirá uma Menção Honrosa.

Para esta edição, foram atribuídas Menções Honrosas a nove antigos estudantes moçambicanos em Portugal: António Prisca, Aurélio Cuna, Carmen Bule, Constatino Madadisse, Edson Balata, Ivone Soares, Leonel Tomo, Luís Sinate e Marco Coreia.

A cerimónia de entrega do “Prémio Joaquim Chissano – Alumni Estudante Moçambicano em Portugal” coincide com a Gala do Prémio Maria das Neves Rebelo de Sousa, que este ano é, segundo a CCMP, atribuído à Associação Cuidados Paliativos em Moçambique “pelo importante contributo para a prestação de cuidados paliativos, pela solidariedade e resiliência aplicadas à salvaguarda dos valores universais dos direitos humanos, pilares fundamentais à construção do futuro de Moçambique”.

Joaquim Chissano foi Presidente de Moçambique de 1986 a 2005 e venceu a primeira edição do prémio Mo Ibrahim, destinado a premiar estadistas africanos que se tenham distinguido pela boa governação que realizaram nos seus países, saudou à Universidade de Coimbra “por ter produzido esses militantes da luta contra a pobreza e do subdesenvolvimento de Moçambique”.

“Na verdade, esses são apenas dois dos muitos moçambicanos que passaram por Coimbra e continuarão a passar por essa casa nela buscando ferramentas que os habilitem a ser melhores cidadãos do país”, disse Joaquim Chissano numa mensagem endereçada de forma virtual.

Maria das Neves Rebelo de Sousa é mãe do atual Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, que comentou a atribuição dos prémios que “traduzem uma fraternidade entre Portugal e Moçambique”. (MM)

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