Em 152 anos da PSP, um diretor nacional nega em cerimónia oficial haver racismo e xenofobia na Polícia

0
366
Imagem da Polícia de Segurança Pública de Portugal que assinalou 152 anos na sexta-feira

O diretor nacional da PSP rejeitou que a Polícia seja “racista e xenófoba” como é rotulada na praça pública “de forma frequentemente desconhecedora, leviana e ofensiva”, numa inédita declaração feita em cerimónia oficial pelo 152º. aniversário daquela instituição.

Falando na Praça do Império, em Lisboa, durante a comemoração dos 152 anos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e que contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, o diretor nacional distanciou-se das acusações que têm sido feitas à corporação.

“Não aceitamos julgamentos dos polícias ou da instituição policial feitos na praça pública e de forma frequentemente desconhecedora, leviana e ofensiva dos profissionais que a integram e recusamos a classificação que pretendam atribuir de caracterizações xenófobas, racista ou quaisquer outras atentatórias da dignidade da pessoa humana aos polícias ou à polícia por não corresponderem à prática da instituição policial, nem aos princípios que regem a atuação dos seus profissionais”, disse Luís Farinha.

Há dias, num discurso proferido na apresentação de um relatório sobre racismo, feito pela Assembleia da República, a ministra da Justiça de Portugal, Francisca Van Dúnem, afirmou que “apregoar a inexistência de fenómenos racistas na sociedade portuguesa tornou-se quase um lugar comum”, pelo que negar que existem preconceitos na sociedade portuguesa é, em si, um preconceito.

“O negacionismo, a persistência na desvalorização do fenómeno conduz ao desastre e à radicalização de posições”, alertou a ministra da Justiça de Portugal.

Nos últimos anos, a atuação da polícia portuguesa tem sido questionada, nomeadamente, por organizações de apoio às populações imigrantes e das minorias étnicas, como o SOS Racismo e várias outras entidades, nacionais e internacionais.

Recentemente, após a condenação de oito polícias no caso da Cova da Moura por ofensas à integridade física, mas absolvidos de racismo e tortura, organizações de defesa de minorias étnico-raciais em Portugal afirmaram em nota que “há muito tempo vêm alertando para a deriva de alguns sindicatos para posições que extravasam as suas funções e competências, bem como, para a presença de elementos violentos e de extrema-direita nas forças de segurança”.

Intervindo sexta-feira nas comemorações do dia da Polícia portuguesa, o diretor nacional da PSP considerou “que ainda que” (certas decisões judiciais) sejam “legais e legítimas”, as mesmas “tendem a desvalorizar ações criminais praticadas por terceiros, quando os polícias são as vítimas dos crimes”, pelo que esses acórdãos “fragilizam a imagem, a autoridade da polícia e do próprio Estado”.

No discurso, Luís Fonseca propôs “medidas urgentes” no sentido de melhorar a capacidade operacional, “sustentada em admissões plurianuais programadas”, na medida em que “o atual efetivo policial se revela aquém das necessidades para assegurar um pleno cumprimento da missão atribuída”.

A comemoração do 152º. aniversário da Polícia de Segurança Pública ficou marcada pelo protesto de centenas de agentes que integram o denominado “Movimento Zero”, uma iniciativa de parte de policias portugueses que recentemente anunciaram que se recusam a fazer patrulhamento em bairros problemáticos de Lisboa, onde vivem sobretudo comunidades racializadas, a não ser “só em situações de extrema gravidade”. (MM)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here